Carlos Edson Paiva Damasceno (Capanema, 8 de outubro de 1954), mais conhecido como Edson Cimento ou simplesmente Edson, é um ex-futebolista brasileiro que jogava como goleiro. Foi um dos maiores goleiros paraenses, sendo premiado com a Bola de Prata da Placar como o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1977.DA COSTA, Ferreira (2014). Édson Cimento - Uma muralha no gol. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 128-130

Edson destacou-se na posição embora possuísse 1,75 metros de altura.Um campeão animado (25 jan. 1985). Placar n. 766. São Paulo: Editora Abril, pp. 46-47 Algo que na época teria importância menor, segundo declaração dele em 2012: "no meu tempo, não tinha muitos goleiros altos, de 1,90m, como tem hoje (...) O bom goleiro tem que saber sair do gol e ser arrojado. Eu sempre joguei contra grandes e altos jogadores como Serginho Chulapa, Dario, Roberto Dinamite e sempre me consagrei". Destacava-se pelo grande senso de posicionamento, sabendo fechar o ângulo como poucos, obrigando os adversários a chutarem nas traves ou rente a elas.

Seu apelido provém de uma fábrica de cimento implantada em sua cidade natal, e seria referência também à sua gana contra os adversários: "um radialista da época, Jairo Vaz, criou este apelido. Eu era muito forte na época e eu sou natural de Capanema, terra do cimento. Então ele começou a me chamar de cimento também porque eu ia forte nas jogadas e não caía nas disputas contra os atacantes", explicou na mesma ocasião em 2012.

Edson também é o primeiro paraense contemplado com a Bola de Prata, antecedendo Sócrates, Giovanni e Paulo Henrique Ganso, contemplados respectivamente em 1980, 1995 e 2014. Diferentemente deles, Edson segue sendo o único premiado por um clube também paraense, o Remo; apenas Edson e o lateral-direito Aranha, também pelo Remo, receberam o prêmio como jogadores da Região Norte do Brasil. O goleiro também foi ídolo na Tuna Luso e defendeu o outro grande local, o Paysandu.

Carreira de jogador Destaque precoce desde o interior Foi ainda em sua cidade natal de Capanema que começou a despontar a nível estadual. Atuando na equipe local do Brasil, chegou à seleção municipal. Ainda adolescente, foi titular na campanha capanemense campeã invicta no Torneio Intermunicipal de 1970, o primeiro ganho por Capanema.DA COSTA, Ferreira (2014). Campeões do Intermunicipal. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 332-334 Em doze jogos, Edson, que se espelhava no argentino Edgardo Andrada, sofreu apenas sete gols. De imediato, conseguiu acerto com um clube da capital: o extinto Sporting, que naquele ano acabava de realizar a sua estreia no Campeonato Paraense de Futebol.

Inspirado no Sporting Clube de Portugal, a equipe homônima reproduzia o mesmo uniforme do clube europeu e havia sido criado no ano anterior por membros da comunidade portuguesa em Belém descontentes com os rumos do principal clube local da colônia, a Tuna Luso.CALANDRINI, Moacir (30 jul. 1971). O Remo tem que derrotar o Sporting. Placar n. 72. São Paulo: Editora Abril, pp. 38-39 Edson não despertou atenção inicial no Sporting, mas veio a destacar-se no Estadual de 1972. O Paysandu terminou campeão, mas os pontos arrancados contra os alviverdes foram a duras penas: vitórias alviazuis de 2-1, 1-0 e empate em 0-0.DA COSTA, Ferreira (2013). 1972 - Apagaram as luzes do Baenão, surrupiaram a rede, mas o Papão garantiu o bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 167-170

Em 1973, o capanemense já estava na Tuna,DA COSTA, Ferreira (2013). 1973 - Com Aloísio Brasil, Remo abriu caminho para mais um tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 171-173 que comprara seu passe; o Sporting ainda era amador em um campeonato profissional,AQUINO, José Maria de (23 out. 1970). O Pará apanhou demais, perdeu. Placar n. 32. São Paulo: Editora Abril, pp. 32-33 mas os dirigentes tunantes adquiriram Edson por cinco mil cruzeiros. O Remo foi campeão invicto vencendo os dois turnos, com o título se assegurando no clássico com os cruzmaltinos - que, por outro lado, com Edson entre as traves e no estádio rival, seguraram o 0-0. A Tuna chegou perto do título de 1974, vencendo o terceiro turno, mas perdendo por 1-0 o jogo final para o campeão Remo, na casa adversária.DA COSTA, Ferreira (2013). 1974 - Remo importa Paulinho de Almeida, que comanda a conquista do bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 174-178

Também em 1974, Edson Cimento jogou o Brasileirão daquele ano pelo Paysandu, a quem foi emprestado. O clube conseguiu a última vaga na primeira fase, com três pontos de vantagem sobre o rival Remo. Avançou ao hexagonal-semifinal, na chave que terminou liderada pelo finalista Cruzeiro.DA COSTA, Ferreira (2018). 1974 - Comemorados os 60 anos com baile de gala. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 234Título dos excluídos (agosto de 2002). Placar n. 1234. São Paulo: Editora Abril, p. 8 O goleiro, porém, participou de somente cinco partidas pelos alvicelestes, prejudicado por uma contusão.

Na Tuna, Edson destacou-se ao longo da década de 1970, chegando a passar um mês em Campinas em 1975 para testes no Guarani - o problema físico que lhe atrapalhara no Paysandu, porém, foi novamente um entrave até o goleiro corrigi-lo em uma operação cirúrgica (em uma clavícula) realizada na volta a Belém. A Tuna voltou a conseguir um título de turno estadual (novamente no terceiro) no campeonato de 1977, com Edson protegendo um 0-0 com o Remo no campo oponente. O resultado fez o técnico azulino Juan Álvarez entregar o cargo. O Remo, porém, adiante conseguiu novo título.DA COSTA, Ferreira (2013). 1977 - Clube do Remo é campeão com somente uma derrota em 23 partidas. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 188-193

Empréstimo consagrador ao Remo

Como a Tuna não disputaria o Brasileirão de 1977, ficando assim ociosa, e o Remo sim, os cruzmaltinos acertaram o empréstimo de Edson ao rival, algo que já haviam feito anteriormente ao Paysandu. O Remo já tinha no goleiro Dico um ídolo, sendo deste inclusive a melhor nota dada aos goleiros na Bola de Prata de 1972, embora a falta de partidas suficientes exigidas pelo regulamento o fizesse perder o prêmio para Emerson Leão. A ideia inicial do treinador Joubert Meira era promover um rodízio entre Dico e Edson, mas Edson, indicado ao Remo pelo ex-goleiro e ídolo azulino François Thijm, ganhou a posição após dois jogos seguidos em Belo Horizonte: com Dico, o Leão foi derrotado por 4-1 pelo Atlético Mineiro. Já Edson fez uma boa exibição na partida seguinte, em que os paraenses venceram fora de casa o América Mineiro.

Edson acabaria eleito o melhor goleiro do campeonato nacional, rendendo-lhe uma Bola de Prata da revista Placar. Edson foi o segundo jogador atuando na Região Norte do Brasil a receber a premiação; o primeiro, também um emprestado remista, havia sido o lateral-direito Aranha, em 1972.A história da nossa Bola (19 mar. 1982). Placar n. 617. São Paulo: Editora Abril, p. 45 À altura de 2024, ambos seguem sendo os únicos do futebol nortista que ganharam a premiação, com Edson sendo o único paraense a vencê-la por um clube também paraense. O Remo ficou na 14ª colocação geral, chegando até a terceira fase da competição, não passando para as semifinais por conta de dois pontos.

Sobre a premiação, declarou em 2012, quando voltou ao Remo para ser treinador de goleiros, o seguinte:

O Brasileirão de 1978 começou em seguida e Edson seguiu emprestado ao Remo. O time fez uma boa primeira fase, em terceiro atrás de Flamengo e Portuguesa e à frente do Fluminense. Caiu dessa vez na segunda fase de grupos, perdendo a classificação à terceira por um ponto a menos que o Coritiba.DA COSTA, Ferreira (2018). 1978 - Brasileiro: Remo é o 35º Clube entre 74 equipes. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 139Deu verde; o outro (agosto de 2002). Placar n. 1234. São Paulo: Editora Abril, p. 12 Pertencendo à Tuna, foi pelo torneio nacional que ele disputou o clássico Re-Pa, tanto no campeonato de 1977, um 0-0 em novembro no Baenão,DA COSTA, Ferreira (2015). 1977. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 133-136 como no de 1978, um novo 0-0, em março, na ocasião em que o clássico ocorreu pela primeira vez no Mangueirão, recém-inaugurado.DA COSTA, Ferreira (2015). 1978. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 137-138 O clássico ocorreu uma vez no Brasileirão de 1974, quando Edson esteve emprestado ao Paysandu, mas o goleiro alviceleste foi Renato. Naquele mesmo ano de 1978, um goleiro Edson jogou Re-Pas pelo Papão, mas tratava-se de Edson Borracha.DA COSTA, Ferreira (2015). 1978. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 124-128

Ainda no primeiro semestre de 1978, Edson Cimento estreou pela seleção paraense, em um 4-0 sobre seleção juvenil do Uruguai, ainda que os celestes houvessem prometido enviar o time principal.DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331 Embora o Mangueirão já fosse utilizado desde 1977, foi esse o jogo que oficialmente inaugurou o estádio. Edson ainda jogaria mais duas partidas pelo Pará, ambos ainda em março de 1978, em amistosos contra a seleção do Amazonas (3-2) e contra o Botafogo (0-0), todos no Mangueirão.

Ídolo na Tuna

O Estadual de 1978 iniciou-se em setembro e Edson voltou à Tuna. Com ela, foi finalista do segundo turno, onde eliminou o Paysandu após batê-lo por 1-0, mas pelo mesmo resultado foi derrotada pelo Remo no Mangueirão. Os azulinos terminaram adiante campeões.DA COSTA, Ferreira (2013). 1978 - Remo festeja o bicampeonato já no gramado do "Mangueirão". Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 194-197 Já no Estadual de 1979, que retomou o campeonato para o primeiro semestre, Remo e Paysandu centralizaram a disputa e as finais;DA COSTA, Ferreira (2013). 1979 - Remo alcança mais um tricampeonato. Bira atinge a marca recorde de 32 gols. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 198-203 ainda assim, o astro bicolor Dadá Maravilha, conhecido pelo bom humor, evitava tecer declarações públicas que soassem desrespeitosas a Edson. O goleiro e a Tuna puderam participar do 1979, o mais inchado da história da competição, contando com 96 times.Qual foi a competição com maior número de participantes? E com o menor? (out. 2002). Placar n. 1248. São Paulo: Editora Abril, p. 28

Foi a estreia da Tuna no Brasileirão desde a reformulação de 1971.DA COSTA, Ferreira (2013). 1979 - Primeira Divisão Campeonato Brasileiro. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 135-137 Até então, a única participação nacional do clube havia sido justamente na primeira Taça Brasil, em 1959, como campeã estadual de 1958, sendo a primeira representante paraense;DA COSTA, Ferreira (2013). Taça Brasil - Tuna foi a primeira representante do Pará. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 71-77 seus dirigentes desde então deliberadamente a ausentavam dos Brasileirões por entenderem a disputa como deficitária à realidade tunante. Desde 1978, porém, o clube manifestava interesse em voltar ao certame, inviabilizando a extensão do empréstimo de Edson ao Remo. A campanha cruzmaltina no Brasileiro de 1979 durou nove jogos, com cinco derrotas e três vitórias. O goleiro tunante titular foi Reginaldo, presente, porém, em somente uma das vitórias e em três das derrotas, além de um empate em Belém com o Botafogo da Paraíba. Edson foi o titular nos demais resultados.