Mundo de A Song of Ice and Fire é o mundo fictício onde se passam as histórias dos livros da saga épica de fantasia medieval A Song of Ice and Fire (As Crônicas de Gelo e Fogo no Brasil; As Crónicas de Gelo e Fogo em Portugal), do escritor norte-americano George R. R. Martin, retratado também na franquia de Game of Thrones. Este mundo é dividido em vários continentes. A maioria das histórias acontece no continente de Westeros, numa grande entidade política conhecida como os Sete Reinos.

Os Sete Reinos na verdade consistem de nove regiões (o Norte, as Ilhas de Ferro, as Terras Fluviais, o Vale de Arryn, a Campina, as Terras Ocidentais, as Terras da Tempestade, as Terras da Coroa e Dorne) e uma grande área não-mapeada ao norte do continente, separada dos Sete Reinos por uma maciça muralha de gelo e mágica antiga. O vasto continente de Essos está à direita de Westeros, através do Mar Estreito. As mais próximas nações estrangeiras de Westeros são as Cidades Livres, uma coleção de cidades-estado independentes ao longo da costa ocidental deste continente a leste. As terras ao longo da costa meridional de Essos, coletivamente chamadas de Terras do Mar de Verão, incluem a Baía dos Escravos e as ruínas de Valíria, a antiga cidade dos reis de Westeros da dinastia Targaryen. Ao sul de Essos estão os continentes de Sothoryos e Ulthos, muito pouco explorados durante a saga.

George R. R. Martin criou a história de seus livros num mundo alternativo da Terra, um "universo fictício", assim como J. R. R. Tolkien, o autor de O Senhor dos Anéis, fez o mesmo de maneira pioneira com sua Terra Média. Martin chega a sugerir que seu mundo pode ser maior que o planeta Terra real. A narrativa de Ice and Fire pode ser localizada num mundo pós-mágico, onde as pessoas não mais acreditam em coisas sobrenaturais como Os Outros e, apesar dos personagens entenderem os aspectos naturais do seu mundo, eles não compreendem seus elementos mágicos. A religião, entretanto, tem um componente importante na vida das pessoas, com as personagens praticando muitas religiões diferentes.

Westeros

A história ocorre principalmente em um continente chamado Westeros, uma massa de terra do tamanho da América do Sul. Westeros está à mercê de estações erráticas de duração imprevisível que podem durar por muitos anos. No começo do livro A Game of Thrones, o continente tem desfrutado de um verão de uma década de duração e muitos temem que um inverno igualmente longo e duro o seguirá. No início da saga, Westeros está unida sob o governo de um rei, com cada uma das nove aéreas controladas por uma grande Casa. Martin aqui se inspirou na história da Europa medieval, particularmente na Guerra dos Cem Anos, nas Cruzadas e na Guerra das Rosas.

História de Westeros

Era da Aurora (Pré-história – 10.500 AC): A história registrada de Westeros começa com os Primeiros Homens vindo de Essos há cerca de 12.000 anos antes de A Game of Thrones. Eles passaram pela ponte natural de terra nomeada Braço de Dorne, porém, durante a invasão dos Primeiros Homens, os nativos Filhos da Floresta usaram magia para separar os continentes num grande terremoto, que resultou na formação do arquipélago Passopedra, também chamado de Degraus. Era dos Heróis (10.000 – 7.000 AC): Após séculos de guerra, ambos os lados assinaram o Pacto, permitindo que os Primeiros Homens se estabelecessem e governassem a maior parte do continente. Longa Noite (8.000 AC): Com a chegada da Longa Noite, uma era de inverno que durou uma geração, trazida pelos Outros (ou Caminhantes Brancos) do Extremo Norte, uma aliança entre os Primeiros Homens e os Filhos da Floresta foi forjada e eles derrotaram os monstros, levando à construção da Muralha e à fundação da Patrulha da Noite para guardar os reinos dos homens. A Invasão Ândala (5.700 – 4.000 AC): Cerca de 6.000 anos antes da saga, os Ândalos invadiram Westeros vindos de Essos, trazendo a Fé dos Sete e armas de aço. Eles conquistaram a maior parte do Sul, exterminando ou exilando os Primeiros Homens, exceto no Norte, onde os Reis do Inverno da Casa Stark mantiveram seu domínio. Westeros então se estabilizou como uma miríade de reinos independentes ao longo de vários séculos: o Reino do Norte, o Reino das Ilhas e dos Rios, o Reino do Vale e das Montanhas, o Reino do Rochedo, o Reino da Campina, o Reino da Tempestade e o Principado de Dorne. Guerra da Conquista (1 AC – 2 DC): Aegon, o Conquistador, da Casa Targaryen, desembarcou em Westeros 300 anos antes de A Game of Thrones. Após desavenças com reis locais, Aegon e suas irmãs, montandos em dragões, conquistaram seis dos sete reinos do continente na Guerra da Conquista. Aegon forjou o Trono de Ferro com as espadas de seus inimigos derrotados e estabeleceu Porto Real como sua capital. Dinastia Targaryen (1 AC – 281 DC): Durante seu reinado, os Targaryen foram responsáveis por períodos de estabilidade e prosperidade, mas também seu reinado foi marcado por conflitos internos, tais como: A Dança dos Dragões (129 – 131 DC): A primeira grande crise dos Targaryen após a Conquista, que resultou na extinção dos dragões e no enfraquecimento permanente da dinastia. As Rebeliões Blackfyre (195 – 257 DC): Uma série de cinco guerras civis que começaram quando Aegon, o Indigno, legitimou seus filhos bastardos em seu leito de morte. Um deles, Daemon Blackfyre, se rebelou, reivindicando o Trono de Ferro. Essas rebeliões, ocorridas ao longo de um século, dividiram o continente entre os legalistas Targaryen e os apoiadores dos Blackfyre, criando um legado duradouro de traição e amargura, especialmente entre as casas nobres. Rebelião de Robert (282 DC): Conflito ocorrido 15 anos antes de A Game of Thrones. A rebelião foi uma consequência das atitudes tanto do Príncipe Rhaegar Targaryen, que "sequestrou" Lyanna Stark, filha do Lorde Rickard Stark, quanto de Aerys II, o "Rei Louco", que executou brutalmente Rickard e seu herdeiro, Brandon, após eles exigirem do rei providências para o resgate de Lyanna. Isso fez com que os lordes Jon Arryn, Robert Baratheon e Eddard Stark se rebelassem. A guerra terminou com a morte de Rhaegar, o assassinato de Aerys por Jaime Lannister e a tomada do Trono de Ferro por Robert Baratheon, que se casou com Cersei Lannister para consolidar seu poder. A Rebelião Greyjoy (289 DC): Cinco anos após a ascensão de Robert Baratheon, Lorde Balon Greyjoy se rebelou, declarando as Ilhas de Ferro independentes. O conflito começou com a queima da Frota do Leão, realizada pelos irmãos de Balon, Euron e Victarion, seguida por ataques nas costas de Westeros. A luta se intensificou na Batalha de Fair Isle, onde a frota real, liderada por Stannis Baratheon, destruiu a Frota de Ferro. Robert e Eddard cercaram a ilha de Pyke, onde Balon se rendeu após a morte de seu filho Maron. Robert poupou Balon, mas exigiu que entregasse seu filho Theon como refém, que Eddard levou para Winterfell como pajem.{[citar web|url=https://gamerant.com/game-of-thrones-greyjoy-rebellion/|título=Game of Thrones: Greyjoy's Rebellion, Explained|autor=Kristian McCoy, Joshua|website=Game Rant|idioma=en|data=13 de junho de 2024|acessodata=13 de fevereiro de 2025}}

No início de A Game of Thrones, por volta do ano 298 DC, o reino está em paz superficial, mas as tensões das antigas rebeliões e lealdades divididas permanecem, ameaçando desestabilizar tudo.

Nota:

O Norte O Norte (The North) consiste na metade norte dos Sete Reinos e é governado pela Casa Stark desde Winterfell. Ele é quase tão grande quanto os outros seis reinos combinados, mas de povoamento esparso. R. R. Martin compara o Norte à Escócia. Ele é frio e neves moderadas são comuns independentemente de estações, enquanto o inverno é descrito como duro. A fronteira norte da região é o Novo Presente, um trecho de terra de 50 léguas de largura de posse da Patrulha da Noite. Um istmo de pântanos, conhecido como "O Gargalo" (ou "Pescoço"; The Neck), separa o norte do sul. Ele é a casa de pequenos homens de crannógs, governados pela Casa Reed de Atalaia da Água Cinzenta (Greywater Watch), vassalos dos Stark. A estreiteza do Pescoço e o terreno difícil junto com o quase impenetrável Moat Cailin fazem dele uma fronteira natural para o Norte, protegendo-o de uma invasão. A cidade de Porto Branco (White Harbor) é descrita como um porto próspero. As crianças ilegítimas nascidas de um parente nobre recebem o sobrenome "Snow".

Winterfell

Winterfell é o nome do ancestral castelo da Casa Stark. Ele é construído sobre uma fonte termal natural e a água escaldante corre sob as paredes, aposentos e muros do castelo, aquecendo-os. Existem várias piscinas abertas onde a água aquecida se acumula dentro dos bosques em volta. A fonte termal também impede que o chão congele seja no verão ou no inverno. O castelo tem catacumbas profundas onde os corpos dos Starks são sepultados atrás de estátuas à sua semelhança, com um lobo-gigante aos seus pés e suas espadas em suas mãos. As tumbas remontam aos tempos dos antigos Reis do Norte, chamados de Reis do Inverno, que governaram antes de Aegon o Conquistador e da chegada dos Ândalos antes dele. A série de televisão Game of Thrones já usou diversos cenários para retratar Winterfell e seus arredores: o Castelo Ward, a Floresta de Tollymore e a vila de Carncastle na Irlanda do Norte e o Castelo de Doune na Escócia, são algumas das locações usadas para cenas externas. Segundo a cenógrafa Gemma Jackson, "Winterfell é baseado num castelo escocês".

A Muralha thumb|As Muralhas de Adriano, na qual a Muralha do Norte foi inspirada. A Muralha (The Wall) é uma grande estrutura de pedra, gelo e mágica na fronteira norte dos Sete Reinos. Ela é a casa da Patrulha da Noite, uma irmandade jurada para proteger os reinos das ameaças além da Muralha. Ela foi inspirada pela visita de Martin às Muralhas de Adriano, no norte da Inglaterra próximo à fronteira da Escócia. Olhando sobre as colinas, Martin imaginou o que um centurião romano vindo do Mediterrâneo sentiria, sem saber que ameaças poderiam vir do norte. Esta experiência foi tão profunda que uma década depois, em 1991, ele quis "escrever uma história sobre pessoas guardando o fim do mundo". Ele ajustou o comprimento, a altura e a natureza mágica da Muralha para a exigências do gênero da ficção. Ela tem, de maneira geral, 210 m de altura e se estende por 480 km, chegando a uma altura de 280 m em determinados pontos construídos sobre rocha maciça. Seu topo é largo o suficiente para doze cavaleiros marcharem lado a lado sobre seus cavalos (cerca de 10 m) enquanto a base é tão espessa que os portões da Muralha se parecem mais como túneis através da neve.

Diz a lenda da ficção que os Primeiros Homens, mais especificamente Brandon o Construtor, com a possível ajuda das Crianças da Floresta e até de gigantes, construíram a Muralha cerca de oito mil anos antes dos eventos da série. Desde então, ela vem sido mantida pela Patrulha da Noite para proteger os reinos das ameaças além dela, no início Os Outros e, mais tarde, os Selvagens. Uma faixa de terra, chamada de "O Presente" (The Gift), com 50 léguas de largura a partir da Muralha, lhes foi dada perpetuamente há milhares de anos para fins de agricultura. No primeiro livro da saga, A Game of Thrones, dos dezenove castelos ao longo da extensão da Muralha apenas três estão habitados; Castle Black com 600 homens, Shadow Tower e Eastwatch-by-the-Sea com 200 cada; partes de Castle Black estão em ruínas.