|} A Transversal de Beja foi um caminho de ferro planeado mas nunca construído, que iria unir Beja, na Linha do Alentejo, a Ermidas Sado, nas linhas do Sul e Sines, em Portugal. Desta forma, iria criar uma grande rede ferroviária ao longo do Alentejo, de Moura a Sines, facilitando desta forma o transporte de mercadorias desde o interior da região até ao Porto de Sines. A ideia de ligar Beja a Sines por via férrea foi lançada nas décadas de 1870 e 1880, mas foi abandonada devido ao início do planeamento da Linha do Sado e do seu ramal para Sines, na transição para o século XX. Ressurgiu na década de 1920, quando o ramal para Sines já estava em construção, tendo a proposta para uma linha de Ermidas a Beja sido inserida no Plano Geral da Rede Ferroviária, em 1930.
História Antecedentes Até meados do século XIX, a região Sul de Portugal lutava contra grandes problemas nas suas comunicações, especialmente no interior, onde as povoações dependiam de uma rede de estradas em mau estado.SANTOS, 1995:47 Um dos principais eixos de transportes na região era a chamada Rota do Trigo, desde a zona de Évora até ao porto de Alcácer do Sal, que utilizava veículos a tracção animal.SERRÃO, 1985:447-449 Esta situação começou a modificar-se com a política de obras públicas do governo, que procurou desenvolver as comunicações em Portugal através da introdução dos caminhos de ferro.REIS et al, 2006:15
No Alentejo, a rede ferroviária iniciou-se com a construção de uma linha desde o Barreiro, na Margem Sul do Tejo, até Vendas Novas, que entrou ao serviço em 1861, e que foi prolongada até Beja em 1864,SARAIVA e GUERRA, 1998:77 e até Faro em 1889.MARTINS et al, 1996:12 No entanto, as comunicações entre Lisboa e o Algarve ficaram prejudicadas pela configuração do caminho de ferro, que dava uma grande volta para chegar a Beja.
Primeiros projectos Depois do caminho de ferro chegar a Beja, surgiu a ideia de construir uma outra linha férrea que unisse Beja a Sines, passando por Ferreira do Alentejo e por Santiago do Cacém. Nessa altura, Sines já era um destino balnear para parte das populações do Alentejo, e um importante centro para o transporte de cortiça. Uma portaria de 25 de Novembro de 1887 abriu o concurso para a construção do caminho de ferro de Beja a Sines.SILVA, 1992:152
Em 1898, foi formada uma comissão técnica para estudar a rede ferroviária na região Sul de Portugal, onde se decidiu que a melhor forma de facilitar as ligações entre a capital e o Algarve era através da construção de uma nova linha férrea, que uniria o Pinhal Novo a Garvão, aproveitando um ramal já construído até Setúbal, criando assim uma ligação directa entre a margem Sul do Tejo e o Algarve. Assim, a Linha do Sado (futura Linha do Sul) foi incluída no Plano Geral da Rede Ferroviária, em conjunto com um ramal até Sines. O projecto que já existia de Beja a Sines foi abandonado, por o seu traçado ficar demasiado próximo da nova linha. Porém, a construção da Linha do Sado decorreu muito lentamente, devido à instabilidade governamental e ao deflagrar da Primeira Guerra Mundial, tendo sido só concluída em 1925, enquanto que a construção da Linha de Sines terminou em 1936.
Ainda na década de 1920, foi pedida a instalação de uma linha férrea de Barrancos a Sines, passando por Moura, Serpa, Beja, Ferreira do Alentejo e Santiago do Cacém, que se previa que seria de fácil construção. A cidade de Beja, como capital do distrito, era um importante centro económico e social, embora a região em si nunca tenha desempenhado um papel de relevo no desenvolvimento nacional, em grande parte devido à falta de uma rede ferroviária mais densa, que teria permitido melhores acessos a outras regiões e ao porto de Sines.PIÇARRA e MATEUS, 2010:49 Em 1 de Novembro de 1926, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que uma comissão de Beja, liderada pelo governador civil, tinha-se reunido com o Ministro do Comércio para pedir que fosse incluída uma cláusula no contracto de arrendamento dos Caminhos de Ferro do Estado, de forma a que a empresa arrendatária fosse obrigada a construir a linha de Ermidas a Beja, cujos estudos já tinham sido concluídos.
Transversal de Sines O Plano Geral da Rede Ferroviária, publicado pelo Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930, reintroduziu a ideia de ligar Beja a Sines através da Transversal de Sines; esta linha devia aproveitar a totalidade do ramal para Sines, então ainda em obras, e deveria ser construído um novo lanço de via férrea até Beja, por Ferreira do Alentejo. O Ramal de Aljustrel deveria ser prolongado, a forma a ligar-se à Transversal de Sines.PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
Após o final da Segunda Guerra Mundial, os governos distritais em Portugal reiniciaram os seus pedidos para a construção dos caminhos de ferro, tendo a cidade de Beja requisitado que fosse instalada a linha de Ermidas a Beja. Na sessão de 17 de Abril de 1948 da Assembleia Nacional, o engenheiro Mira Galvão discursou sobre as vias férreas no Distrito de Beja, tendo defendido a construção da linha de Ermidas a Beja, que deveria servir Beringel e Ferreira do Alentejo. Alegou que esta linha seria de grande benefício para o transporte dos produtos agrícolas da região, especialmente na zona entre Ferreira e Sines, que tinha problemas de comunicações, e também facilitaria o acesso das populações às praias de Sines.
Na obra Plano de Valorização do Alentejo: Rega de 170 000 hectares, publicada em 1965 pela Direcção-Geral dos Serviços Hidraúlicos, ainda se avançou a hipótese de construir várias linhas no Alentejo, incluindo a de Beja a Ermidas, devido à grande necessidade de meios de transporte que se iria verificar durante as obras do Plano de Rega.Plano de Valorização do Alentejo: Rega de 170 000 hectares, 1965:140
Ver também Caminhos de Ferro Portugueses Infraestruturas de Portugal Transporte ferroviário em Portugal História do transporte ferroviário em Portugal
Bibliografia
Categoria:Linhas ferroviárias de Portugal Categoria:Linhas ferroviárias extintas