BDSM (Bondage, Disciplina, Sadismo, Masoquismo) é a sigla que denomina um conjunto de práticas de estimulação sexual consensuais, envolvendo bondage, disciplina, dominação, submissão, sadomasoquismo e outros tipos de comportamento sexual humano relacionados a essa subcultura. Dada a ampla gama de práticas, muitas delas acabam sendo realizadas por pessoas que não se consideram praticantes assumidos de BDSM ou fetiches; são pessoas que não se identificam com essas práticas onde em geral são conhecidas como baunilha ou vanilla (sexo convencional).
As práticas BDSM são todas consentidas e podem ou não envolver atos sexuais. Nas atividades BDSM, os termos "submisso" e "dominante/dominador(a)" são frequentemente usados para distinguir dois papéis: a pessoa dominante que assume o controle psicológico e/ou físico sobre o parceiro submisso.
Fundamentos BDSM é um termo guarda-chuva para certos tipos de comportamento erótico entre adultos conscienciantes que engloba diversas subculturas. BDSM é um acrônimo para os subgrupos bondage e disciplina (B&D ou B/D), dominação e submissão (D&s ou D/s) e sadomasoquismo (S&M ou S/M).
O princípio fundamental do BDSM é o consentimento entre todos os participantes. Desde os anos 80, muitos praticantes e organizações adotaram o lema seguro, são e consensual (SSC, originalmente, foi cunhado pelo grupo ativista gay sadomasoquista GMSMA). Ele significa que todas as atividades precisam ser seguras e todos os envolvidos precisam estar aptos a consentir. O consentimento é o que torna claro a distinção ética e legal entre BDSM e crimes como abuso emocional e violência doméstica. Alguns praticantes de BDSM preferem o termo risk-aware consensual kink (RACK), que sai do pressuposto que nenhuma atividade é 100% segura. Ainda, existem outros princípios, como o personal responsibility, informed consensual kink (PRICK), que enfatiza a responsabilidade individual na cena, e o cuidado, comunicação, consenso e cautela (4Cs), que foca no cuidado e comunicação durante a cena.
O critério mais importante é o consentimento. Mas, para consentir, os indivíduos precisam estar cientes das possíveis consequências. Para isso, é preciso haver as informações relevantes (o que será feito na cena, riscos, a palavra de segurança, e assim por diante) e a necessidade e capacidade mental para tomar a decisão. Este consentimento pode ser escrito na forma de um "contrato", com o que foi combinado que pode ou não ser feito. A pessoa pode retirar seu consentimento durante a cena. Por exemplo, isto pode ser feito com a palavra de segurança. Caso o parceiro não cesse suas atividades, pode haver consequências legais.
Subgrupos thumb|190px|Homem vendado, amarrado e amordaçado
Bondage e disciplina
O termo bondage descreve a prática de restrição física, como a utilização de algemas, cordas ou acorrentar alguém a algum objeto. O bondage é geralmente, mas nem sempre, uma prática sexual.
O termo disciplina descreve restrições psicológicas, com o uso de regras e punições para controlar o comportamento do submisso. Castigos são aplicados quando as regras são violadas pelo submisso. Esses castigos podem vir como físicos (como chicotadas), psicológicos (como humilhação pública) ou uma combinação de ambos (como acorrentar alguém ao pé da cama).
Dominação e submissão
O termo dominação e submissão explora o aspecto mais mental do BDSM. É um conjunto de comportamentos, costumes e rituais que envolvem a submissão de uma pessoa a outra em um contexto ou estilo de vida erótico. O contato físico não é necessário em atividades de dominação e submissão, mas em muitos casos ele pode ser intensamente físico e estar envolvido com outros subgrupos como o sadomasoquismo. É comum na abreviação desse subgrupo o "D" de dominação ser escrito em letra maiúscula, mas o "s" de submissão ser escrito em letra minúscula.
Sadomasoquismo
O termo sadomasoquismo vem da junção de duas tendências opostas, o sadismo e o masoquismo. Ele serve para descrever práticas consensuais que envolvam a troca de dor física ou emocional. O sadismo descreve o prazer sexual derivado da aplicação de dor, degradação, humilhação e sofrimento em geral a outra pessoa. Em contrapartida, o masoquista é aquele que recebe prazer ao ser ferido ou humilhado dentro desse cenário consensual.
Terminologia
Cena Uma cena é uma encenação feita entre os praticantes de BDSM. Ela envolve uma negocicação prévia e certo nível de planejamento, apesar de existirem pessoas com um nível de conexão onde a negociação não é necessária. Também é comum que exista o cuidado pós-cena, onde os participantes cuidam um dos outros após a prática. Algumas das práticas podem ser consideradas desagradáveis em outros contextos,como a humilação ou ser acorrentado. A cena pode ou não envolver práticas de sexo explícito. Por razões legais, práticas explícitas são raramente vistas em ambientes públicos, ou são banidas em determinado local. As regulações do evento podem variar, com alguns locais exigindo, por exemplo, que os membros utilizem roupa íntima e as mulheres usem Pasties.
Top, bottom, switch Os termos top, bottom e switch são comumente utilizados para descrever os papéis durante determinada atividade BDSM.
Top é a pessoa que está aplicando a ação durante a prática BDSM, como bater ou amarrar. Bottom é a pessoa que está recebendo a ação durante a prática BDSM, como apanhar ou ser amarrado. Switch é um termo utilizado para descrever pessoas que gostam de exercer tanto o papel top quanto o papel bottom e/ou tanto o papel dominante quanto o papel submisso nas práticas BDSM.
Há diversas maneiras de ser um switch. A pessoa pode alternar de top para bottom durante alguma prática sexual ou pode mudar de papel dependendo da prática que está sendo executada ou dependendo do parceiro. Alguns switches podem sempre serem dominantes com determinado parceiro e podem sempre serem submissos com outro parceiro. Pode acontecer também de um switch sempre preferir estar como top em determinada prática, mas sempre preferir estar como bottom em outra prática. Há pessoas que preferem variar de top para bottom conforme está o seu humor no dia, conforme seu parceiro está agindo, entre diversos outros motivos.
Top e bottom não devem ser confundidos com dominante e submisso. O que define o dominante e o submisso é o jogo de poder, enquanto o que define top e bottom é apenas a execução de determinada ação. Pessoas dominantes têm autoridade sobre os submissos, elas comandam no relacionamento e possuem o poder da situação, pessoas que estão como top não necessariamente têm autoridade sobre as pessoas que estão como bottom. Apesar de não ser muito comum, é possível a pessoa ser dominante e bottom ao mesmo tempo ou submissa e top ao mesmo tempo. Um bom exemplo disso é se a pessoa dominante ordenar que o submisso aplique algum tipo de dor nela, portanto, nesse caso a pessoa dominante estará sendo dominante e bottom simultaneamente e o submisso dela estará como top ao aplicar a dor.
thumb|left|Submisso limpando a bota de sua dominadora em público
Power exchange Power exchange é um termo designado para referir-se a um relacionamento ou atividade em que o submisso concede ao parceiro dominante poder e autoridade sobre ele. Power exchange está especificamente atrelado a troca de poder, portanto, pessoas podem praticar qualquer atividade BDSM sem o submisso necessariamente conceder poder ao dominador.
Os detalhes de um acordo de troca de poder são negociados e podem até serem estabelecidos em um contrato formal. Esse jogo de poder pode ter qualquer duração, de acordo com a vontade das pessoas envolvidas, podendo variar de uma única atividade por algumas horas ou dias, até um contrato de dominação 24 horas por dia sem data para terminar. Além da duração, as práticas realizadas, os acessórios que podem ser utilizados, as medidas de segurança e os limites de cada um são alguns dos outros assuntos que são conversados antes de se iniciar uma relação de troca de poder.
thumb|190px|Casal master/slave durante um evento BDSM
Há relacionamentos BDSM onde a dominação ocorre somente durante as práticas sexuais, há relacionamentos em que uma pessoa exerce o poder de dominação tanto dentro como fora das práticas BDSM. O submisso pode ter total liberdade sobre sua vida pessoal, mas também há relacionamentos onde o submisso entrega parcialmente ou totalmente sua liberdade ao dominador. Escolher qual roupa o submisso deve vestir, para onde ele pode ir, o que ele pode comer, se ele deve ou não dar satisfação em tudo o que faz, entre outras coisas, tudo isso pode ou não acontecer dependendo da vontade das pessoas envolvidas e do que foi combinado entre elas.
O total power exchange, também conhecido como TPE, é a forma mais extrema de troca de poder. É uma relação onde a pessoa dominante tem total autoridade e influência sobre todos os aspectos da vida do submisso. Esse tipo de relação também é comummente chamado de Master/slave, Mistress/slave ou M/s. A servidão e a obediência geralmente são os valores centrais de um relacionamento M/s. Quando o dominador não tem total autoridade sobre todos os aspectos da vida do submisso, esse relacionamento é referido como partial power exchange ou PPE. Qualquer relação TPE ou PPE pode ou não ser uma relação 24/7, ou seja, uma relação de dominação 24 horas por dia.
Segurança Palavra de segurança Dentro da prática BDSM, existe a palavra de segurança (também popularmente conhecida pela tradução literal em inglês, safe word). Ela é um código designado para comunicar o estado físico ou emocional do praticante durante a realização do fetiche. As palavras de segurança são usadas para parar determinado ato, indicando que a pessoa envolvida já atingiu seu limite físico ou emocional. As palavras de segurança também podem ser usadas para comunicar a vontade de continuar com a prática, mas num menor nível de intensidade.
thumb|left|Uma dominadora batendo num submisso. A prática deve parar se a palavra de segurança for utilizada
As palavras de segurança são decididas antes de se iniciar a atividade sexual. É comum expressões como "não" e "pare" fazerem parte da encenação durante as atividades BDSM, portanto, palavras de segurança são geralmente palavras fora desse contexto BDSM, como o nome de uma cor ou fruta, por exemplo.
São, seguro e consensual
As práticas BDSM seguem a linha do "são, seguro e consensual", comumente abreviado como SSC. Isso significa que toda atividade deve ser segura, tanto fisicamente quanto psicologicamente, e no caso de riscos físicos ou mentais serem tomados, as pessoas devem estar bem informadas sobre os possíveis riscos, implicações e repercussões que determinada prática pode causar. Todos os participantes devem estar com a mente sã o suficiente para aceitarem qualquer tipo de ato decidido. E todos os participantes envolvidos devem consentir com tudo que será realizado ou está sendo realizado. São essas regras de consentimento mútuo que fazem uma clara distinção legal e ética do BDSM de crimes como assédio e violência.
Confiar no parceiro ou parceira. Estabelecer, compreender e respeitar o limite de cada um. Boa comunicação através de palavras de segurança. Tudo isso está associado à filosofia do são, seguro e consensual. Porém, apesar do SSC ser adotado por quase toda a comunidade BDSM, ele não é unanimidade. Alguns adeptos consideram esse termo muito vago, portanto, ao longo do tempo foram criados outros termos (como o RACK) que visam enxergar de outra forma os princípios éticos por trás das práticas BDSM.
thumb|Uma mulher sendo empurrada com o pé de forma consensual