Lúcio Júlio Urso Serviano (; –) foi um político romano da gente Júlia do final do século I e início do século II. Serviano foi uma importante figura política durante os reinados dos imperadores Nerva, Trajano e Adriano. Ele é famoso por ter sido o último cidadão privado a receber um terceiro consulado, uma honraria que passou a ser exclusiva dos membros da família imperialCaillan Davenport, "Iterated Consulships and the Government of Severus Alexander", Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik, 177 (2011), p. 288.
Segundo uma inscrição seu nome completo seria Caio Júlio Servílio Urso Serviano (). Porém, a História Augusta registra apenas Lúcio Júlio Urso Serviano.
Carreira Pouco se sabe das origens de Serviano. Ronald Syme defende que ele se chamava originalmente Sérvio Júlio Serviano () e com este nome foi cônsul em 90. Segundo ele, Serviano foi adotado por Lúcio Júlio Urso, cônsul sufecto em 84, 98 e 100, depois de seu consulado, o que levou à mudança de nome. Esta tese não foi refutada por nenhum outro estudioso e é considerada consensualOlli Salomies, Adoptive and Polyonymous Nomenclature in the Roman Empire (Helsinki: Societas Scientiarum Fennica, 1992), p. 51. Antes de ascensão de Trajano, em 98, Serviano se casou com Domícia Paulina, a Jovem, a irmã mais velha de Adriano, trinta anos mais jovem do que ele. Durante o reinado de Trajano (r. 98-117), Paulina e Serviano tiveram uma filha chamada Júlia Serviana Paulina.
Quando Nerva morreu, em 27 de janeiro de 98, Adriano viajou para a Germânia para encontrar Trajano e anunciar a morte de Nerva. Serviano tentou, sem sucesso, impedir a viagem por ciúmes da relação entre os dois. Porém, Serviano e Adriano se reconciliaram logo depois e foram amigos por muitos anos.
Serviano serviu por duas vezes como cônsul no reinado de Trajano e uma terceira vez sob Adriano em 134. Nesse ínterim, foi governador da Germânia Inferior entre 97 e 99Werner Eck, "Jahres- und Provinzialfasten der senatorischen Statthalter von 69/70 bis 138/139", Chiron, 12 (1982), pp. 328-330 e da Panônia entre 99 e 100Eck, "Jahres- und Provinzialfasten", pp. 332-334. Além disto Serviano serviu durante as Campanha dácia de Trajano como um dos principais generais de Trajano. Depois disto, serviu como senador, posição na qual tinha grande poder e influência em Roma. Em algum momento antes de 111, Serviano e Paulina acertaram o casamento de sua filha Júlia com Cneu Pedânio Fusco Salinador, um aristocrata da Hispânia que havia servido como cônsul em 118 como colega do imperador AdrianoRonald Syme, "A Dozen Early Priesthoods", Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik, 77 (1989), pp. 248-250.
Quando Trajano morreu, em 8 de agosto de 117, Adriano se tornou imperador. Serviano foi tratado com particular honraria e foi considerado como um possível sucessor do imperador. Quando Paulina morreu, em 130, Adriano e Serviano compartilharam uma cerimônia religiosa privada em sua homenagem. Conforme o longo reinado de Adriano foi se aproximando do final, porém, o imperador mudou de ideia sobre Serviano. Apesar de considerá-lo capaz de governar como imperador, Serviano, já com mais de noventa anos de idade era claramente velho demais para a posição. A atenção de Adriano se voltou então para o neto de Serviano, Cneu Pedânio Fusco Salinador, que tinha o mesmo nome de seu pai. O jovem Salinador, que era também seu sobrinho-neto (através de Paulina), foi promovido e passou a ser tratado de modo diferenciado na corte imperial. Serviano, que sempre gostou da ideia de seu neto como sucessor de seu cunhado e amigo, aprovou a solução do imperador.
Porém, Adriano mudou de ideia novamente em 136 e decidiu adotar Lúcio Élio como seu filho e herdeiro. Serviano e jovem Salinador ficaram furiosos e decidiram desafiar o imperador. É possível que Salinador tenha inclusive tentado um golpe de estado contra Adriano e Serviano acabou implicado. Para evitar um conflito na sucessão, Adriano ordenou que os dois fossem executadosAnthony Birley, Hadrian the Restless Emperor, pp. 291-292.. Ironicamente Élio morreu antes de Adriano, em 138, e Adriano acabou adotando Antonino Pio.
Amizade com Plínio, o Jovem Serviano era amigo do senador e historiador Plínio, o Jovem. Duas das cartas sobreviventes de Plínio são endereçadas a ele e Plínio o menciona em outras duasPlínio, o Jovem, Epistulae 3.17 e VI.26 são endereçadas a Serviano; ele é mencionado em VII.6.9 e X.2.1.. Por influência de Serviano, Trajano concedeu a Plínio uma imunidade geralmente concedida apenas a um pai de três filhos, a jus trium liberorum. Antes de morrer, por volta de 111, Plínio enviou uma carta de congratulações a Serviano e Paulina pelo casamento da filha.
Árvore genealógica
Ver também
Bibliografia
História Augusta, Adriano
Categoria:Romanos antigos do século I Categoria:Romanos antigos do século II Categoria:Cônsules do Império Romano Categoria:Governadores romanos da Panônia Categoria:Governadores romanos da Germânia Inferior Categoria:Pessoas executadas pelo Império Romano Categoria:Romanos antigos executados Categoria:Iulii Categoria:Dinastia nerva-trajana Categoria:Guerras Dácias de Trajano