Marco Lólio (Hazel, Who's Who in the Roman World, p.171; –), de cognome possivelmente Paulino (), foi um político e oficial militar dos primeiros anos do Império Romano e a aliado do imperador Augusto. Lólio foi governador de diversas províncias romanas e cônsul em 21 a.C. com Quinto Emílio Lépido. Ele se matou em 2 d.C. depois de um conflito com o herdeiro aparente de Augusto na época, Caio César.

Contexto familiar Lólio era membro da gente plebeia Lólia. Seu pai também se chamava Marco Lólio e sua mão possivelmente era chamada Paulina, mas pouco se sabe sobre sua família ou seus primeiros anos. É provável que Lólio tenha sido um homem novo, ou seja, o primeiro de sua família a chegar ao senado.

Início da carreira política Geralmente se assume que Lólio seja o "Marcos" citado em "Guerras Civis" de ApianoBroughton, The Magistrates of the Roman Republic, Vol II, p.365. Apiano reconta que Lólio era um legado de Marco Júnio Bruto que foi proscrito depois da Batalha de Filipos em 42 a.C.. O próprio Lólio se disfarçou de escravo, foi comprado por um "Bárbula" (que se assume ser Quinto Emílio Lépido) e só foi descoberto em Roma por um amigo de Lépido. Lépido então foi até Marco Vipsânio Agripa, que, por sua vez, intercedeu em nome de Lépido junto a Otaviano e conseguiu que o nome de Lólio fosse removido da lista de proscritos.

Lólio lutou na Batalha de Ácio, em 31 a.C., e pode retribuir o favor intercedendo em nome de Lépido, que havia sido capturado depois de lutar por Marco Antônio, junto a OtavianoApiano, Guerras Civis 4:49.

Governador romano da Galácia O primeiro cargo conhecido de Lólio foi o de governador da Galácia, na Anatólia, em 25 a.C.. Para Augusto tê-lo nomeado para uma posição tão importante, Lólio certamente teve que se mostrar um político competente antes disto. Ele foi o primeiro governador da provínciaFurneaux, Cornelii Taciti Annalium, Libri V, VI, XI, XII: With Introduction and Notes Abridged from the Larger Work, p.68 e teve a missão de incorporar a nova província ao governo imperial.

Apesar da dificuldade da tarefa e da resistência da população local, Lólio se provou um bom governador. Ele conseguiu treinar o exército de Amintas e incorporou-o ao exército romano como parte da Legio XXII Deiotariana. Ele também fundou a colônia de Ancara como um exemplo da civilização romana para a população local e o fez sem provocar revoltas entre os gálatas.

Consulado Quando o mandato de Lólio como governador terminou, ele retornou a Roma. Em 21 a.C., uma segunda posição consular ficou disponível depois que Augusto decidiu não se auto-nomear para o cargo. Depois de uma amarga e rancorosa eleição e de longas discussões — o povo de Roma chegou a pedir que Augusto acabasse com a eleição — entre os dois únicos candidatos para a posição de Augusto, Lúcio Júnio Silano e Quinto Emílio Lépido, Lépido foi eleito cônsul e serviu juntamente com seu amigo Marco Lólio, eleito sem sobressaltos. Seu consulado é mencionado numa inscrição que ele próprio dedicou a si e ao companheiro em 21 a.C. no arco oriental da face sul da Ponte Fabrício, em RomaLansford, The Latin Inscriptions of Rome: A Walking Guide, p.p.456-457 por conta de uma reforma na ponte patrocinada por elesLansford, The Latin Inscriptions of Rome: A Walking Guide, p.457.

Seu consulado só é conhecido por causa desta inscrição e nada mais se sabe sobre seu mandato.

Comandante militar No biênio 19-18 a.C., Augusto nomeou Lólio governador novamente, desta vez da província da Macedônia. Neste período, Lólio derrotou a tribo trácia dos bessos segundo uma inscrição encontrada em Filipos, na Grécia.

Entre 17 e 16 a.C., Lólio governou a Gália e comandou as legiões do Reno. Ali, Lólio foi derrotado pelas tribos germânicas dos sicambros, tencteros e usípetes, que conseguiram atravessar o rio<ref>Tácito, Anais 1.10</ref>. Esta derrota, conhecida como Desastre Loliano (), foi equiparada por Suetônio ao desastre de Públio Quintílio Varo na Batalha da Floresta de Teutoburgo (em 9 d.C.). Augusto enviou seu enteado Tibério para acertar a situação e reconquistar os estandartes da Legio V Macedonica. Assim que Tibério chegou os germânicos recuaram para além do Reno novamente. Apesar do desgaste político e militar — Lólio jamais comandaria um exército novamente — ele e Augusto permaneceram amigos.

Tutor de Caio César Os Hórreos Lolianos (hórreo é uma espécie de armazém romano) foram construídos por Lólio ou por seu filho, Marco Lólio e são conhecidos através de inscrições e também pela planta presente no Plano de Mármore de Roma. Aparentemente a família de Lólio tinha relações comercias com lugares distantes e seu nome foi encontrado entre os comerciantes romanos na ilha grega de Delos durante o período helenísticoRickman, Roman Granaries and Store Buildings, p. 164.

Entre 2 e 1 a.C., Lólio foi nomeado por Augusto como tutor de seu neto e filho adotivo Caio César em sua missão no oriente para aprender mais sobre o governo imperial. Entre os oficiais que escoltaram os dois estavam Marco Veleio Patérculo, o senador romano Públio Sulpício Quirino e o futuro prefeito pretoriano Lúcio Élio Sejano. Quando a comitiva chegou ao oriente, várias embaixadas foram enviadas para encontrar Lólio e nenhuma para Caio César, que foi ignorado. A relação entre os dois começou a se deteriorar durante uma visita a Tibério, que estava vivendo em um auto-exílio voluntário na ilha grega de Rodes. Lólio havia envenenado a opinião de Caio César contra Tibério, que ele detestava desde o desastre no Reno em 16 a.C.. Aparentemente Caio César ofendeu Tibério, que era seu tio, e Lólio foi considerado responsável pelo incidente.

A partir daí, no decorrer da viagem pelo oriente, Lólio e Caio César passaram a discutir com frequência. Lólio finalmente caiu em desgraça com o companheiroFurneaux, Cornelii Taciti Annalium, Libri V, VI, XI, XII: With Introduction and Notes Abridged from the Larger Work, p.69 quando foi acusado de receber suborno do xá Fraates V. César denunciou Lólio ao imperador Augusto e ele, para evitar uma punição certa, preferiu se matar tomando veneno. Outras fontes indicam que ele teria morrido de causas naturais.

Reputação Lólio amealhou uma imensa fortuna durante seus mandatos como governador das diversas províncias romanas pelas quais passou. O historiador Plínio, o Velho, descreveu-o desfavoravelemnte, chamando-o de um hipócrita que não pensava em nada além de enriquecer. Marco Veleio Patérculo o descreve como ganancioso e corrupto, mas é preciso ter em mente que Patérculo era partidário de Tibério. Já Horácio, que era amigo pessoal de Lólio, o descreveu como um homem confiável e elogiou o fato de ele estar acima da avareza, o pecado mais usual dos governadores romanos. Horácio dedicou algumas de suas Odes a ele (4.9, 34-44) a Lólio, endereçando-o com um elogio ambíguo. Alguns anos depois da morte de Lólio, Tibério o criticou no Senado Romano.

A fortuna de Lólio foi herdada por sua neta Lólia Paulina, que foi a terceira esposa do imperador Calígula.

Família e filhos Lólio se casou com uma nobre romana chamada Valéria, uma irmã do senador Marco Aurélio Cota Máximo MessalinoRonald Syme, The Augustan Aristocracy (Oxford: Clarendon Press, 1986), p. 178. Os dois tiveram os seguintes filhos: Marco Lólio; Possivelmente Públio Lólio MáximoHorácio, Horace Epistles Book I, p.79, que era conhecido como Lólio MáximoFerry, The Epistles of Horace, Book I, p.xxi.

Evidências arqueológicas Entre 2005 e 2006, professores e arqueólogos da Universidade de Colônia, na Alemanha, e da Katholieke Universiteit Leuven, Bélgica, participaram de estudos arqueológicos e restaurações de antiguidades romanas em Sagalassos, na TurquiaArchaeology's Interactive Dig – Interactive Dig Sagalassos – Sculptural Studies Report 1: 2006, by Marc WaelkensArchaeology's Interactive Dig – Interactive Dig Sagalassos – Recording Report 3: Epigraphical Studies, 2006, by Marc Waelkens. Entre os vários achados está uma base cilíndrica para uma estátua colossal de Lólio. Na base está uma inscrição honorífica em grego: "Marco Lólio é homenageado pela demos [o povo] como seu patrono". Isto significa que a Lólio certamente conseguiu privilégios para a cidade, como uma intervenção para aumentar seu território, a resolução favorável de uma disputa com cidades vizinhas ou contatos especiais com o imperador.

Outro achado ligado com esta base encontrada em Sagalassos são dois fragmentos de pés da época de Augusto e que podem ter pertencido à esta estátua colossal. As antigas botas, identificadas como mulleus'', são bordadas, afiveladas pelo lado de fora e amarradas por dentro. Elas são feitas de couro, provavelmente pele de algum felino, e são consideradas uma luxuosa vestimenta real. Os fragmentos foram datados em cerca de 1 a.C., a época que Lólio viajou pela região com Caio César. A estátua tinha provavelmente cinco metros de altura e estava localizada no lugar mais importante da cidade. Estes fragmentos estão atualmente no museu de Burdur, na Turquia.

Ver também

Notas

Bibliografia

Ligações externas

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