As Argonáuticas () é um poema épico em grego antigo de Apolónio de Rodes criado no século III a.C.. A obra está dividida em quatro livros, num total de 5 835 hexâmetros.Entrada de Augusto Rostagni sobre Apolónio de Rodes, na Enciclopédia Italiana (1929), reproduzido na página web Treccani

As Argonáuticas tratam da história de Jasão e dos argonautas, narrando em quatro livros a viagem da nau Argo desde Iolcos, na Tessália, Grécia, passando pelo Mar de Mármara até à Cólquida, na costa caucasiana do Mar Negro (livros I–II), a captura, com a ajuda de Medeia, do velo de ouro (livro III), e o regresso à pátria através do Rio Danúbio, do Rio Pó, do Mar Mediterrâneo e do norte de África (livro IV).

É a única obra épica anterior à Eneida de Virgílio que poderia comparar-se com a de Homero em tamanho e extensão, e a primeira epopeia que concede um lugar importante ao amor de Medeia por Jasão.

Uma tradição tardia, e provavelmente falsa, fala do confronto entre Apolónio de Rodes e Calímaco, que representa a amarga controvérsia que havia entre os escritores de longas obras épicas e os autores de poemas curtos muito elaborados.

As Argonáuticas de Apolónio de Rodes são um dos paradigmas da literatura helenística. Considerada como uma epopeia, esta obra foi várias vezes analisada como uma pálida tentativa de imitação dos poemas homéricos. As características estilísticas e estruturais deste poema revelam a riqueza de conteúdos, doseada com uma versatilidade típica do autor, na recusa de repetições monótonas que encontramos em alguns dos poetas que o antecederam.Carreira, Paula Cristina Ferreira da Costa, As Argonáuticas de Apolónio de Rodes: a arquitectura de um poema helenístico, Tese de mestrado em Estudos Clássicos apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2008, thumb|Um hipotético itinerário dos Argonautas

Antecedente O antecedente remoto, que Apolónio não expõe, é o mito dos irmãos Frixo e Hele, os filhos de Atamante, que para fugirem aos maltratos da madrasta, fugiram no dorso de um carneiro com o velo dourado que os levou pelo ar sobre o mar, e que na viagem Hele caiu e morreu no estreito que ficou com o nome dela (Helesponto). Quando chegou à Cólquida, Frixo decidiu imolar o animal e confiar a pele a um dragão.

Resumo Livro Primeiro thumb|O Rei Pélias encontra Jasão, ilustração em livro de 1879, com base em desenho de John Flaxman.Ilustração no livro Stories from the Greek Tragedians de Alfred J. Church, disponível no Projecto Gutenberg em |right Invocação a Febo e às Musas - Motivo da expedição (1-22)

Ἀρχόμενος σέο Φοῖβε παλαιγενέων κλέα φωτῶν μνήσομαι οἳ Πόντοιο κατὰ στόμα καὶ διὰ πέτρας Κυανέας βασιλῆος ἐφημοσύνῃ Πελίαο χρύσειον μετὰ κῶας ἐύζυγον ἤλασαν Ἀργώ.

(De ti seja o início, ó Febo, a quem recordo a gesta dos heróis antigos que atravessando a boca do Helesponto e as Simplégades, executando as ordens do rei Pélias, guiaram a sólida nau Argo ao velo d’ouro.)Com base em, Vinicius Ferreira Barth, O Canto I De "AS ARGONÁUTICAS" de Apolônio de Rodes: Ensaios de Interpretação, Tradução Poética e Notas, 2013, Tese de Mestrado na Universidade Federal do Paraná, , e na tradução italiana de G. Paduano reproduzida no artigo correspondente da wiki em italiano

Na cidade de Iolcos, na Tessália, Pélias conquistou o poder derrubando o seu irmão Esão. Mas um oráculo avisou-o que ele deveria proteger-se de um rapaz que ia sem uma sandália, porque esse jovem irá usurpar-lhe a coroa. Jasão, o filho de Esão, que foi forçado a fugir para não ser morto por Pélias, retorna a Iolcos depois de atingir a idade de vinte anos. Chegando à margem do rio Anauro, encontra uma idosa que não consegue atravessá-lo e que lhe pede ajuda. Jasão toma-a nos braços e passa o rio, mas no meio do vau e na lama perde uma sandália. Quando Pélias vê Jasão, o rapaz sem uma sandália, decide livrar-se dele e encarrega-o de um empreendimento que considera impossível de atingir: ir à Cólquida e conquistar o Velo dourado.

Enumeração dos heróis (23-231) Jasão reúne um grupo alargado de jovens valentes (cerca de cinquenta heróis):o poeta e cantor Orfeu, Asterione, Polifemo filho de Elato, Admeto, rei de Feras, os riquíssimos filhos de Hermes, peritos em enganos, Eurito e Equion e Etalide, Corono, filho de Ceneu, Mopso, o advinho, Eurimadante, Menezio (argonauta), Eurizione, o possante Eribote, Oileu, Canto da Eubeia, destinado a morrer antes do regresso, Clizio e Ífito, Peleu, o pai de Aquiles e o seu irmão Télamo, pai de Ájax, o fortíssimo Bute (filho di Pandião I) e o valoroso Falero (arqueiro), os gémeos Castor e Pólux, Hércules com o seu escudeiro Ila, Tífis, o timoneiro, Argo, filho de Agestor, o costrutor da nau, Fliante, Taleo, Areo, Leodoco, Nauplio, Idmone, outro advinho, Augias, orgulhoso da sua riqueza, Meleagro, muito forte e com ele Lacoonte, Íficles, tio materno de Jasão e Íficles, filho de Téstio, especialista no dardo, Palemónio, Astério, Anfião,Eufemo, o mais rápido de todos, Anfidamante e Cefeu, Anceu, vestido com uma pele de ursa e armada com um machado duplo, o arrogante Ida e o seu irmão Lince, o da visão apuradíssima, Periclemo, com o poder de se transformar no que ele queria numa batalha, Zetes e Calais, os dois filhos de Bóreas, Acasto filho de Pélias e outros ainda. thumb|upright=1.3|A partida dos Argonautas (1520), Dosso Dossi, na Galeria Nacional de Arte de Washington Invocação (232-316) Preparativos no porto e sacrifício em honra de Febo (317-518) Início da viagem (519-608) A ilha de Lemnos (609-909) Tendo partido da Grécia, do porto de Pagasas, os Argonautas param na ilha de Lemnos para reabastecimento. As mulheres da ilha mataram todos os homens com excepção de Toante, o pai de Ipsipile, que agora é rainha.

Apesar das novas leis da ilha imporem que as mulheres matem os Argonautas assim que desembarquem, Ipsipile decide salvá-los, desde que os homens da expedição se juntem a elas para conceberem filhos: as habitantes de Lemnos temem de facto pela sobrevivência do seu povo, já que não há homens para se reproduzirem. Os Argonautas aceitam a proposta e permanecem na ilha até que Hércules chama à ordem os seus camaradas e convence-os a prosseguir a viagem.

Da Samotrácia ao país dos Dolionis (910-1077) O rei Cízico (rei dos doliões) acolhe hospitaleiramente os heróis, que conseguem também derrotar os Gigantes antes de partirem. O episódio termina, porém, de modo infeliz, porque uma tempestade traz de volta a nau à ilha e de noite, sem se reconhecerem, os Argonautas e os Dolionis lutam entre si e e o rei Cízico morre.

A Mísia (1078-1363) A Argo reinicia a viagem, mas após alguns dias de navegação, Hércules, que quebrou o remo, desembarca para encontrar a madeira adequada para fabricar outro, mas na floresta o seu jovem amigo [Ila (mitologia) |Ila], encarregado de trazer água, desaparece sequestrado pela ninfa da fonte. Enquanto isso, os Argonautos partem sem se aperceberem dos camaradas deixados no terra.Apolónio de Rodes, Le Argonautiche, versão poética de Teodoro Ciresola, Rivista di studi Classici, Turim 1975.Apolónio de Rodes, Le Argonautiche, traducão de Guido Paduano, Rizzoli, Milão 1986.

Livro Segundo thumb|Uma Harpia (1660), Matthius Merian A terra dos Bebrices (1-163) Amico, rei dos bebrices, desafia para o pugilato todos os que chegam ao seu país. Pólux aceita o desafio, vence o combate e mata o rei. Os bebrices, para vingá-lo, enfrentam os argonautas numa batalha, mas são derrotados.

A terra da Bitínia (164-530) Jasão e os Argonautas aportam à terra do adivinho Fineu. Os deuses lançaram uma maldição sobre o lugar: invejosos da capacidade extraordinária de Fineo em prever os acontecimentos futuros, puniram-no tornando-o gago e cego; além disso, derrubaram-lhe o palácio e enviaram para a sua mesa as monstruosas Harpias, que conspurcam os alimentos com os seus excrementos. Jasão e os seus companheiros em pouco tempo matam os monstros alados e obrigam o velho a prever as suas próximas etapas. thumb|Calais e Zetes salvam Fineu As Simplégades (531-647) A nau dos Argonautas atinge o estreito das Simplégades, enormes rochedos que continuamente batiam um no outro, destruindo inevitavelmente qualquer embarcação que tentasse passar no estreito. Infelizmente, não existia outra maneira de avançar. Jasão segue então o conselho de Fineu e solta uma pomba para passar entre os rochedos: estes tentam apanhar a pomba mas apenas atingem a cauda. E quando começam a retroceder os argonautas remam com toda a energia e conseguem passar entre eles sem grandes danos na nau.

Ponto Eusino (648-751) A navegação continua ao longo da costa do Ponto Eusino. Aparição de Apolo na ilha de Tinia.

O país dos Mariandini (752-929) Os Argonautas são recebidos e hospedados pelo rei Lico. O adivinho Idmon é morto por um javali e o timoneiro Tifi morre por doença. Tifi é substituído por Anceu e, no momento da partida, Dascylus, o filho de Lico, junta-se também aos Argonautas porque pode ajudar a serem bem recebidos pelos povos vizinhos.

A terra das Amazonas e a ilha de Ares (930-1285) Os Argonautas entram em contato com os Cálibes, os Tibarenos e os Mosinecos. A ilha de Ares está infestada de pássaros que são caçados pelos Argonautas. Encontro com os filhos de Frisso que tinham naufragado na travessia para a Cólquida e que, a partir daí, se juntam aos heróis. Passando pela ilha Filireide, chegam ao rio Fasi. </ref>

Livro Terceiro thumb|Medeia (1866-68), de Anthony Sandys, no Museu e Galeria de Arte de Birmingham Invocação da musa Erato (1-5) Os Argonautas, chegados finalmente à Cólquida, abrigam-se num caniçal. As deusas na ajuda a Jasão (6-166) As deusas Era e Atena convencem Afrodite a persuadir o seu filho Eros a que Medeia, a filha do rei Eetes, se apaixone por Jasão: as artes mágicas da moça poderão dar uma ajuda decisiva na conquista do velo de ouro.

No palácio de Eetes (167-441) Os Argonautas decidem tentar convencer Eetes a entregar o velo de ouro indo com os filhos de Frisso, Telamone e Augia ao palácio dele. Eetes, furioso com o desafio de Jasão, obriga-o a uma prova dificílima: ter de dominar touros enormes com cascos de bronze que sopram fogo das narinas e da boca e com eles lavrar um terreno onde semeará dentes de dragão e de onde nascerão de imediato guerreiros gigantes que terá de os dominar. Para depois ter de ultrapassar o dragão que não dorme e que guarda o velo de ouro. Mas Jasão aceita o desafio.

Medeia apaixonada (442-1162) Medeia, atingida por Eros e agora apaixonada perdidamente, passa atormentada toda a noite que antecede o dia do desafio. E usa as suas artes mágicas e prepara poções para proteger Jasão.

Superação da prova (1163-1407) Jasão protegido por um líquido que o torna invulnerável, domina os bois que cospem fogo e chamas, e então, quando chega a hora de matar os gigantes, atira um pedregulho para que eles, para se apossarem dela, lutem e se matem uns aos outros. </ref> thumb|direita|O Velo de Ouro (1904), de Herbert James Draper, no Bradford Museums, Galleries & Heritage

Livro Quarto Invocação à musa (1-5) Conquista do velo de ouro (6-182) Medeia com uma poção mágica poderosa adormece o dragão e jasão apodera-se do velo de ouro.

Fuga da Cólquida (183-618) A nau Argo zarpa com Medeia a bordo. Os Argonautas dirigem-se para Istro, mas os colcos liderados por Absirto, irmão de Medeia, conseguem chegar ao mar de Crono antes deles e cortam as rotas de fuga. Mas Jasão e Medeia enganam Absirto e atiram-no ao mar com presentes.

Na ilha de Circe (619-752) O assassinato de Absirto necessita de purificação: Medeia e Jasão vão suplicar a Circe e são purificados, mas não podem lá permanecer.

As Sereias, Cila e Caríbdis, e as Planctas (753-963) Quando retomam a navegação, os Argonautas vão defrontar numerosos perigos: as Sereias, Cila e Caríbdis, e as Planctas.

A Sicília e as pastagens das vacas do Sol (964-981) A ilha dos Feácios (982-1227)