O Genocídio de Selk'nam foi o massacre ocorrido entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, contra os indígenas da etnia Selk’nam - também conhecidos como Onas - habitantes primitivos que juntamente com outras tribos povoavam a Ilha Grande da Terra do Fogo. O conflito gerado pelos colonizadores que vieram em busca de exploração comercial proporcionou um morticínio deplorável destes povos originários e os sobreviventes foram confinados em 1890, na Ilha Dawson, onde sacerdotes salesianos fundaram uma missão que sobreviveu por um período de 20 anos, quando então encerrou suas atividades deixando para trás um cemitério abandonado e suas cruzes como testemunhas. Em um curto período de tempo, entre dez a quinze anos, os selk’nam viram sua população estimada em três mil índios reduzir para aproximadamente 500.Anne Chapman, European Encounters with the Yamana People of Cape Horn, Before and After Darwin, p. 544, Cambridge University Press, 2010

Contexto Histórico esquerda|220px|thumb|Meninos Selknam; fotografia de 1898 do livro Genocidio Selknam. Os Selk'nam eram uma das três tribos indígenas que habitaram a parte nordeste da Grande Ilha, com uma população estimada entre 3000 e 4000. Edward Chacon, Latin American Indigenous Warfare and Ritual Violence, p. 213, University of Arizona Press, 2007. Eles eram conhecidos, pelos povos Yámana, como Onas (habitantes do norte). Anne Chapman, European Encounters with the Yamana People of Cape Horn, Before and After Darwin, p. XX, Cambridge University Press, 2010. Eram pessoas nômades que viviam da caça, principalmente do guanaco e também de coleta, assim como a maioria dos povos que habitavam as Ilha Grande da Terra do Fogo.Jérémie Gilbert, Nomadic Peoples and Human Rights, p. 23, Routledge, 2014

Considerada como a última genuína Selk’nam, Ángela Loij, morreu em 1974. Eles foram um dos últimos grupos ameríndios a serem alcançados pelos europeus. De acordo com o Atlas das línguas mundiais em perigo (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) de 2010, a língua ona, que se acredita ser parte da família Chonan, é considerada extinta, assim como as últimas pessoas que a conheciam e a falavam e que morreram na década de 1980.Willem Adelaar, Atlas of the World's Languages in Danger, p. 886-94, UNESCO, 2010

Os Selk’nam viveram durante milhares de anos uma vida seminômade na Ilha Grande da Terra do Fogo. Eles moravam a nordeste, com o povo de Haush a leste na Península de Mitre, e o povo Yaghan a oeste e ao sul, na parte central da ilha principal e em todas as ilhas do sul do arquipélago. Possivelmente, cerca de 4.000 Selk'nam estavam vivos em meados do século XIX; e em 1930 eles foram reduzidos para cerca de 100. Existem dificuldades de estimar corretamente a população dos Selk’nam e dos outros grupos étnicos, pois, não havia estudos demográficos antes do processo de colonização.

Genocídio Na esteira do processo de desenvolvimento, o Chile e a Argentina estimularam a ocupação e exploração das terras mais ao sul do continente, incentivando e promovendo a indústria da pecuária que procurou se estabelecer nestas terras. Fazendeiros, criadores de ovelhas, mineradores e garimpeiros de ouro da Argentina, do Chile, do Reino Unido e dos Estados Unidos entraram na região e foram acompanhados por aventureiros de toda sorte, como também de outros candidatos a fazerem fortunas. A chegada destes novos elementos proporcionou um conflito de dimensão bélica, porém desigual tendo de um lado estes novos colonizadores e do outro lado, os Selk’nam. A ocupação dos territórios desencadeou represálias pelos Selk’nam, que procuraram se defender e vingar de atos praticados contra eles, como mortes, estupros e maus-tratos. Um estado de permanente animosidade para com os estancieiros manifestava-se através do rompimento de cercas, de casas queimadas, do saque aos animais e de ataque a estes novos colonizadores. Apesar das reações dos Selk’nam, o ambiente de guerra era-lhe desfavorável devido principalmente à diferença de armamento de que estes dispunham em relação aos seus opositores. Basicamente os nativos dispunham quase que exclusivamente de arco e flechas enquanto seus adversários possuíam armas de fogo de repetição e este fator foi decisivo quando da fraca resistência apresentada por parte dos nativos. Esta disparidade bélica foi também elemento impeditivo para que os Selk’nam permanecessem em seus territórios, além de ser, ainda, uma das causas de seu desaparecimento como povo estabelecido. Os nativos foram embriagados, deportados e exterminados e até mesmo recompensas foram oferecidas aos caçadores mais implacáveis.Walter Gardini, Restaurando a honra de uma Tribo Indiana - Rescate de una tribu, p. 645-47, Anthropos. Bd. 79, H. 4./6, 1984 Os grandes fazendeiros e empreendedores começaram uma campanha de extermínio contra os Selk’nam sob os olhares desatentos, omissos e até mesmo participativo dos governos argentino e chileno.

Ramon Lista Contemporâneo de Popper, Ramon Lista também participou de expedições patrocinadas pelo governo argentino na Terra do Fogo. Ações implacáveis de seus soldados contra os nativos passariam para a história, como por exemplo, o assassinato cruel de quase três dezenas de índios em San Sebastian.

Ver também Febre do ouro Julio Popper Ramon Lista Massacres no Chile Massacres na Argentina

Bibliografia CHAPMAN, Anne. "European Encounters with the Yamana People of Cape Horn, Before and After Darwin" - Cambridge University Press, 2010 CHACON, Edward. "Latin American Indigenous Warfare and Ritual Violence" - University of Arizona Press, 2007 GILBERT, Jérémie. Nomadic Peoples and Human Rights - Routledge, 2014 CHRISTOPHER, Mosley. Atlas of the World's Languages in Danger- UNESCO, 2010 GARDINI, Walter. Restaurando a honra de uma Tribo Indiana - Rescate de una tribu - Anthropos. Bd. 79, H. 4./6, 1984 BADENES, Badenes. Crónica de uns restituición. La devolución de restos como parte del reconocimiento del genocidio Selkman- Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación (FaHCE), 2016

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