O reino de Cassange, também conhecido como reino de Jaga (1620-1910), foi um Estado pré-colonial localizado no alto rio Cuango, no centro-norte da atual Angola, numa faixa territorial coincidente nas províncias de Malanje, Lunda Norte e Lunda Sul. História Foi formado em 1620 por mercenários imbangalas que desertaram das tropas portuguesas. O nome do reino é uma referência ao líder desses mercenários, Cassange, que liderou o grupo na ocupação do alto rio Cuango. O outro nome pelo qual é conhecido o reino é uma referência ao título assumido pelo rei, jaga. O jaga era escolhido entre os três clãs formadores do reino.Fage, J. D.; Oliver, Roland (1975). The Cambridge History of Africa: From c. 1600 to c. 1790. Cambridge: Cambridge University Press. p. 355.

Em 1689, o português António de Oliveira de Cadornega estimou que o reino tinha 300 000 habitantes, dos quais 100 000 podiam portar armas. No entanto, acredita-se que tal número possa ser exagerado. O reino mantinha-se em constante estado de conflito com seus vizinhos, especialmente com o reino da Matamba, governado na época pela rainha Nzinga Mbandi (Rainha Ginga).

Na sua estratégia econômica e socio-política, Cassange ergueu, entre o final do século XVII e o início do século XVIII, a localidade Feira de Cassange (atual Xá-Muteba). Neste local estavam concentradas as rotas, mercadorias e comerciantes entre as regiões centro-africanas e o litoral. Após a queda do Reino do Dongo e indo até meados do século XIX, a Feira de Cassange foi o principal centro econômico-comercial e mesmo político e social da zona entre Luanda e as Lundas. Os estados tributários de Cassange recorriam à Feira de Cassange para pagar seus tributos. O primeiro sinal de declínio da autoridade de Cassange ocorreu na década de 1820, primeiramente com a efêmera influência da Confederação de Benguela (1822-1825), e princpalmente a partir da década de 1840, quando o controle português é reforçado nas zonas de Encoje, Pungo-Andongo e Calandula, passando a reduzir o comércio escravagista concentrado na Feira de Cassange.

As Guerras da Baixa de Cassange e o declínio do reino Cassange era um reino muito forte e temido em questões militares, até entrar em atrito, em 1838, com Portugal, quando este resolve construir o presídio de Calandula, transferindo, em 1843, um relevante contingente militar para a vila do Lombe, numa tentativa de manter o reino de Cassange sob vigilância e controle.Pélissier, René. História das Campanhas de Angola: resistência e revoltas (1845-1941). Lisboa: Estampa, 1986.

Em 1850 explode a primeira guerra da Baixa de Cassange, entre reino de Portugal e o reino de Cassange, onde os portugueses, sob comando de Francisco de Sales Ferreira, conseguem empreender a queda do rei Bumba (1850), sem contudo derrotar as forças nativas, havendo necessidade de uma segunda campanha (1851). Menos de um ano depois, em 1852, explode a segunda guerra da Baixa de Cassange, onde as forças nativas impõem severas derrotas aos contingentes coloniais, permitindo o regresso do rei Bumba. Para preservar seu trono, Bumba oferece vassalagem.

Após quase uma década de relativa tranquilidade, ocorre a terceira guerra da Baixa de Cassange (1861-1862), após a recusa do rei Bumba em continuar a prestar vassalagem aos portugueses, declarando a independência do reino de Cassange. A resposta lusitana foi esmagadora, derrotando o reino sublevado.

Extinção Ao final das Guerras da Baixa de Cassange, o Reino de Cassange passou a investir no comércio de cera, óleos vegetais e marfim na Feira de Cassange, porém não abandonando o mercado escravagista. A localidade de Feira de Cassange teve seu declínio total na década de 1880 após a política de espoliação e cercamento de terras promovidos pelos portugueses, além da criação de caravanas de comércio europeias com ligação direta com o Reino Lunda. Além disso, o papel de centro de comércio do reino passou a ser eclipsado pelas rotas comerciais ovimbundas (reinos Bailundo, Huambo e Bié), no centro de Angola.

O reino foi extinto e incorporado à África Ocidental Portuguesa em 1910-1911, durante as Campanhas de Pacificação e Ocupação.

Ver também

Guerras Angolanas Guerra de Cassange

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