A Congregação das Servas de Maria do Brasil (sigla S.M.B.), é uma congregação religiosa servita feminina, fundada com ajuda de um sacerdote italiano, naturalizado brasileiro, o Padre Nino Minelli, juntamente com uma moça paulista, que vivia no Rio de Janeiro, e que assumiria o nome religioso de Maria Cecília Juliana de São José e de sua amiga Carlinda Rocha, que mais tarde teria o nome religioso de Maria Agostinha da Imaculada.

Tornou-se um instituto de Vida Consagrada, de Direito Diocesano, conforme Decreto de 19/10/1921, assinado pelo bispo da Diocese de Caratinga, Minas Gerais, Dom Carlos Fernandes da Silva Távora. Tão somente através do Decreto em 02/05/1922, foi agregada a Ordem do Servos de Maria, resguardando assim sua autonomia jurídica.

Declara canonicamente ereta e instituída, a Congregação teve sua sede Geral na cidade de Carangola, Minas Gerais, sendo posteriormente transferida para a diocese do Rio de Janeiro, aonde se encontra até hoje, no bairro de Jacarepaguá.

Missão A atuação apostólica das Servas de Maria do Brasil é a educação da infância e da juventude, obras sociais, no atendimento a infância e aos jovens empobrecidos, anciãos, pensionatos, enfermos, comunidades inseridas e pastorais.

História

Antecedentes históricos a fundação da Congregação A história das Servas de Maria do Brasil é perpassada, ao longo das primeiras décadas, por diversas vicissitudes decorrentes, em grande parte, do próprio contexto da vida eclesiástica nesse período, como as dificuldades encontradas pela instituição católica para realizar a sua inserção no mundo moderno; em segundo, e como consequência da anterior, o esforço por manter as mulheres dentro da subordinação à hierarquia eclesiástica.

A resistência à formação do estado moderno, e da própria sociedade urbana e burguesa, é bastante expressiva nos últimos anos do pontificado de Pio IX, inclusive mediante a proclamação do Syllabus, um documento autoritário em que se condenam diversas expressões do mundo moderno, regido pelos avanços da ciência e da técnica. Essa reação tornou-se ainda mais forte quando o Pontífice se negou a aceitar a Unificação Italiana, passando a considerar-se, a partir de 1870, como prisioneiro do Vaticano.

Após o esforço de Leão XIII de abertura da Igreja para as questões políticas e sociais, volta-se à reação conservadora com Pio X, cujo pontificado se inicia em 1903. Nesse período impõe-se ao clero o juramento antimodernista.

Dentro desde contexto histórico, o sacerdote italiano de Nápoles, Nino Minelli, foi transferido para o Rio de Janeiro em 1897, a fim de exercer, em nosso país, o ministério pastoral, auxiliando a suprir a escassez de clero, e conheceu Maria Cândida de Castro, cujo nome de batismo era Maria Brito Pinto de Azevedo e posteriormente assumiu o nome religioso de Maria Cecília Juliana de São José, considerada fundadora da Congregação das Servas de Maria do Brasil.

Maria Cândida, nascida na localidade de Bananal, na então Província de São Paulo, viera com a mãe viúva para a capital do país, o Rio de Janeiro, quando ainda adolescente, e estudou piano no Instituto Nacional de Música, sendo que esta inclinação artística constituiu um primeiro elo de aproximação com Padre Nino Minelli, que se destacava, ainda jovem, pela tendência à poesia clássica e à língua latina.

Um aspecto que merece atenção especial é o apreço que os dois nutriam pela vida consagrada. Ainda jovem, Nino apreciava a leitura da vida de santos eremitas, que se afastaram do mundo para a solidão dos desertos, onde passavam seus dias na penitência e na oração, e também a literatura da Teologia da época. Já Maria Brito alimentava, desde jovem, o desejo de ingressar num instituto religioso.

Como nasceu a missão junto às crianças pobres esquerda|semmoldura|562x562px Em 22 de agosto de 1907, Padre Nino Minelli fundou Associação das Damas de Santa Cecília, a primeira associação de mulheres, destinada a dar assistência e instrução a juventude pobre, inspirado numa obra que estava sendo iniciada junto ao morro de Santa Teresa, por Camila da Conceição, que era professora do Instituto Nacional de Música, e tinha sua atenção voltada a dar instrução religiosa e instrução elementar a estas crianças pobres e desamparadas que viviam no Morro de Santa Teresa.

Este testemunho concreto de caridade serviu para dinamizar a Associação das Damas de Santa Cecília, que foi fundada numa casa vizinha de número 47 da Ladeira Cassiano, mesmo bairro, com objetivo de servir de escola e de sede da nova agremiação; podendo assim, ajudar a outras crianças e jovens necessitadas.

Maria Cândida morava com sua amiga Carlinda Rocha, considerada co-fundadora da Congregação, que mais tarde assumiria o nome religioso de Maria Agostinha da Imaculada.

Atuavam como Filhas de Maria na Paróquia Nossa Senhora da Glória, e ambas também foram convidadas pelo Padre Nino Minelli a fazer parte desta associação de mulheres.

Com a finalidade de obter recursos para a manutenção da obra educacional iniciada na Ladeira de Santa Teresa, foi projetada a realização de diversos concertos com a presença de Sua Eminência o Cardeal Arcoverde.

Em 17 de março de 1909 foi fundada outra escola da Associação das Damas de Santa Cecília na Rua Dona Maria, 97, sendo a cerimônia inaugural feita pelo Padre Nino Minelli, fundador da associação e seu diretor.

Tudo indicava que se estavam criando algumas condições para que, anos depois, surgisse a ideia de uma Congregação brasileira, da qual Maria Cândida seria a primeira superiora e Carlinda Rocha ocuparia lugar de destaque no grupo da fundação. Essa era a ideia de Padre Nino Minelli, mas não das duas jovens.

Escola de Pacau - Projeto educacional em Minas Gerais Neste mesmo tempo, desde 1908, um fazendeiro do Sul de Minas, Pedro Gordilho Paes Leme, atendendo a uma solicitação da esposa Maria José, oferecera à Associação Santa Cecília um terreno para a construção de um colégio.

Padre Nino, um homem sonhador, se entusiasmara pela ideia, conforme ata da terceira reunião da Associação, ocorrida a 19 de fevereiro de 1908, sob a presidência de Camila da Conceição:"À uma hora da tarde, o diretor declarou aberta a sessão. Comunicou que a Associação acabava de receber dez hectares de terreno que o Sr. Dr. Pedro Gordilho Paes Leme cortou de sua fazenda, na localidade chamada Pacau, Estrada de Ferro Sapucaí. O doador cede este terreno com o fim de edificar um colégio e uma capela que, a pedido de sua senhora, Exma. Dona Maria José Paes Leme, receberá o título de Nossa Senhora da Vitória."Como se pode observar, o Padre Nino, na prática, não levou em conta a necessidade de autorização do Conselho da Associação e a escola passou a funcionar, não obstante o parecer negativo da Associação.

A Escola de Pacau, portanto, vinha funcionando como se constituísse uma atividade da Associação, mas dependendo exclusivamente dos entendimentos entre Padre Nino e o fazendeiro Paes Leme.

A Associação se sentiu insatisfeita com essas medidas tomadas a respeito da obra de Pacau, situada num lugar distante, cujas atividades elas não podiam orientar e nem sequer acompanhar devidamente.

Criou-se um grave desentendimento entre Padre Nino e o Conselho da Associação, desfazendo-se, assim, a Associação das Damas de Santa Cecília.

Abandonado pela maioria dos membros da Associação, encontrou fidelidade apenas em Maria Cândida de Castro e Carlinda Rocha, conforme ficou registrado na nova ata extraordinária, redigida nos seguintes termos:"Aos quatro dias de fevereiro de mil novecentos e catorze, às três horas, na casa n. 64 da rua da América, em virtude da convocação nos jornais do Comércio, Brasil e Correio da Manhã, durante os dias vinte e sete, vinte e oito e vinte nove de janeiro próximo passado, realizou-se em segunda convocação da segunda reunião, tendo comparecido as seguintes sócias: Maria Cândida de Castro e Carlinda Rocha."De acordo com o Estatuto, Padre Nino convidou as damas presentes, Maria Cândida de Castro e Carlinda Rocha, a prestarem fidelidade à continuidade da obra por ele presidida, passando a presidência do novo projeto à D. Maria Cândida de Castro. Por conseguinte, de 1907 a 1915, por todo o tempo em que sobreviveu a Associação Damas de Santa Cecília, essas duas moças permaneceram ao lado do Padre Nino, apoiando-o em suas iniciativas culturais e assistenciais.

Fundação da Associação das Servas de Maria e do Orfanato São José (São Gonçalo - RJ) O ingresso de Maria Cândida como postulante das Pequenas Irmãs da Divina Providência, no bairro de Barreto em Niterói, nos primeiros meses de 1917, marcou não só o início de uma nova etapa de sua vida, como também criou as condições preliminares para que pudesse ocorrer, em seguida, a fundação de um novo instituto religioso feminino.

Na realidade, as origens da Congregação das Servas de Maria estão vinculadas, diretamente, à ação do pároco de S. Gonçalo, Monsenhor José Silveira da Rocha, que desejoso de fundar uma escola em sua paróquia, convidou Maria Cândida de Castro para que deixasse as Pequenas Irmãs da Divina Providência a fim de assumir a direção dessa nova obra.

Monsenhor José Silveira da Rocha, um padre zeloso e conceituado na diocese de Niterói, tinha o projeto de fundar uma obra assistencial, que pudesse oferecer amparo as meninas pobres, em número bastante expressivo naquela vila, a relativa distância da cidade de Niterói. Em 17 de junho de 1917 foi fundado o Orfanato São José, sob a administração de Maria Cândida.

Em agosto de 1917, no mesmo ano, portanto, Carlinda Rocha, embora ainda não tivesse feito os votos religiosos, já se considerava uma mulher que tinha consagrado sua vida totalmente a Deus. De fato, ela viera juntar-se a Maria Cândida, que estava então à frente do Orfanato São José, na vila de São Gonçalo, próxima a Niterói.

Apesar dos sérios desentendimentos entre as Filhas de Maria e Monsenhor Rocha, as moças fundaram uma nova Associação sob o nome simplificado de Servas de Maria, sendo então escolhido como diretor o Padre Nino Minelli.

Com a vinda de outras moças para a associação, foi possível pensar também em abrir um Colégio para as meninas que pudessem pagar, e foi designado como Colégio da Imaculada Conceição, mas que ao final do ano 1919, ocorreu a cisão da associação com o Monsenhor. Em razão das dificuldades de convivência pacífica com Monsenhor Rocha em São Gonçalo, essas associadas decidiram transferir-se para o Bairro de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro:"Aos 20 do mês de janeiro de 1920, nesta Vila de São Gonçalo, à Rua Coronel Tamarindo, n. 2, às 12 horas, reuniu-se o Conselho da Associação das Servas de Maria, a cujo cargo está o Orfanato de São José, tendo comparecido as conselheiras Maria Cândida de Castro, Carlinda Rocha, Decymira Teixeira Leite e Elvira Gambarelli. A presidente Maria Cândida de Castro declarou aberta a sessão, e explicou que o fim da reunião era deliberar a transferência do referido Orfanato para a Estrada da Freguesia, n. 1012, em Jacarepaguá."A partir dos anos 1920, com os pontificados de Pio XI e Pio XII ocorre, de novo, uma gradual e significativa abertura da Igreja para os problemas da sociedade contemporânea. Em razão dessas diferentes tomadas de posição, também a Igreja do Brasil ficou dividida entre aqueles que apregoavam uma volta à tradição sacra medieval e os que propugnavam um diálogo mais expressivo com o mundo. Padre Nino Minelli permaneceu mais vinculado à cultura clássica e à mentalidade religiosa medieval, que havia produzido um número significativo de santos. Sob essa mesma influência, desejou moldar a Congregação das Servas de Maria, com forte tônica contemplativa, inspirada na tradição das religiosas de clausura. Entretanto, a Congregação tinha também uma dimensão assistencial e educativa, conduzida desde o início por Irmã Maria Cecília. direita|semmoldura|344x344px