Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP) foi uma empresa operadora de telefonia fixa criada pelo governo estadual no ano de 1964 para atender diversos municípios e regiões que não dispunham até aquela época de serviço telefônico, tanto local como interurbano.

Origem Antecessora A COTESP teve como antecessora a Companhia Telefônica Tupi, empresa fundada em julho de 1960 e com sede na cidade de Taubaté.

Essa empresa prestava os serviços telefônicos no Litoral Norte (São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba), no Vale do Paraíba (Santa Branca, Salesópolis, Paraibuna, Jambeiro, Natividade da Serra, São Luiz do Paraitinga e Cunha) e na cidade de Paraty (RJ), locais onde antes o serviço telefônico era prestado por pequenas empresas deficitárias.

Criação da Cotesp Criada no governo Ademar de Barros, a COTESP originou-se com a compra das ações da Tupi pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) em maio de 1964, tendo sua sede transferida de Taubaté para São Paulo.

Em setembro de 1964 iniciou as suas atividades operacionais, com a incumbência da construção e exploração de serviços telefônicos locais e intermunicipais em todo o território paulista.

Começou a atuar de forma emergencial nas áreas que eram atendidas pela Tupi (uma rede com cerca de 6 mil telefones), onde os serviços telefônicos achavam-se em situação de colapso total.

Também passou a administrar os serviços que já eram explorados pelo DAEE no Litoral Sul (Registro, Pedro de Toledo, Cananéia e outras cidades) e na Alta Araraquarense (compreendendo áreas desde Fernandópolis até Santa Fé do Sul).

Além disso assumiu os sistemas intermunicipais que estavam sendo construídos pelo DAEE no sul do estado (Serviço Rádio Telefone do Litoral Sul e Alto Ribeira) e oeste paulista (Serviço Telefônico da Alta Araraquarense e Média Noroeste).

Como o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) era seu acionista majoritário, a COTESP era um órgão vinculado à Secretaria de Serviços e Obras Públicas.

Expansão Incorporações

Pouco tempo após o início de suas atividades a COTESP assumiu a concessão em algumas cidades e também incorporou serviços telefônicos locais, como a Telefônica Isabelense.

Entre o final da década de 60 e o início da década de 70 incorporou o serviço telefônico da Estrada de Ferro Campos do Jordão, a Central Telefônica de Cachoeira Paulista, a Telefônica Salto de Pirapora, e diversos sistemas telefônicos municipais (entre eles o S.M.T.A. Aparecida e a Telefônica Municipal de Caraguatatuba).

A COTESP também assumiu a administração da Telefônica Sul Paulista (Capão Bonito) em 1969, e da Companhia Telefônica Registro em 1970. Além disso tinha como subsidiária a EMA - Empresa Melhoramentos de Andradina, da qual era acionista majoritária.

Em 1968 manifestou interesse em incorporar a CTLP - Companhia Telefônica do Litoral Paulista, e não conseguiu assumir a administração do SMTAG - Serviço Municipal de Telefones Automáticos do Guarujá, mesmo com o apoio do governador Abreu Sodré. Em 1970 tentou estender seus serviços à Porto Ferreira e outras cidades do vale do Rio Mogi Guaçu, o que também não ocorreu.

Só que no início de 1971 sua situação administrativa e operacional beirava o caos, não possuindo sequer uma estrutura que no mínimo possibilitasse a manutenção de seu sistema de telefonia, levando o governador Abreu Sodré, após ouvidos técnicos do Estado e da União, a optar pela incorporação da empresa pela Companhia Telefônica Brasileira como única solução.

No entanto, antes que se tornasse efetiva a sua incorporação, o estado passou a ser administrado por Laudo Natel, que rejeitou a proposta, justificando a condição de deficitária da COTESP devido a sua missão social de servir as zonas mais pobres do estado.

Enquanto isso teve sua situação agravada ainda mais, assumindo obsoletos serviços telefônicos municipais, ou propondo a prefeituras de diversas cidades a cessão de suas redes telefônicas, mesmo o Ministério das Comunicações baixando portarias proibindo transferência de concessões.

Mas as concessões para operar em grande número desses municípios não foram homologadas pelo Dentel, mesmo com a COTESP atuando de fato na quase totalidade deles. Diante dessa situação houve acusações de que a COTESP tinha se transformado num instrumento político do governo estadual.

Em março de 1972 o ministro das comunicações Hygino Corsetti tenta dissuadir o governador Laudo Natel da posição em que se colocara, para efetivar a incorporação da COTESP pela CTB, mas não obteve sucesso.

Após um ano, em março de 1973, houve uma nova reunião do ministro com o governador, pois o Ministério das Comunicações estava encontrando dificuldades em promover a absorção das pequenas empresas de telecomunicações municipais que eram vinculadas a COTESP, isto na urgência em definir a situação da CTB, já que o governo estava criando a TELESP para substituí-la.

Antes disso, em fevereiro de 1973 a COTESP tenta negociar a incorporação do acervo da Central Telefônica de Jales, com o apoio do governador do estado e da prefeitura municipal, visto já operar o IU da cidade. Mas em maio de 1973, desentendendo-se, manifestam os operadores de Jales o interesse de negociar diretamente com a TELESP.

Convênio Cotesp / Telesp

Como o Ministério das Comunicações estabeleceu como política básica para realização dos grandes planos de expansão a integração operacional nos estados, e ao mesmo tempo a COTESP, através do governo estadual, estava dificultando essa política, oferecendo resistência à sua integração à TELESP, empresa-pólo da Telebrás no estado e sucessora da CTB, deu entrada na Câmara Federal em junho de 1973 um projeto de lei para desapropriar as ações da COTESP e incorporá-la a Telebrás.

Em 25 de outubro de 1973, através de um convênio firmado entre a Telesp (representada pelo presidente Antonio Salles Leite) e a COTESP (representada pelo presidente Vicente Marques), com a interveniência do governo estadual (representado por Laudo Natel) e da Telebrás (representada pelo presidente Euclides Quandt de Oliveira), o processo de incorporação começou a se concretizar.

Pelo convênio foram transferidos imediatamente para a TELESP todo seu serviço interurbano e as concessões dos serviços urbanos de 89 localidades, não podendo mais assumir serviços telefônicos municipais no estado de São Paulo.

Também foi elaborado em conjunto o Plano Diretor Estadual de Telecomunicações, sob a coordenação da Telebrás, pelo qual até o ano de 1980 a média de telefones no estado deveria ser de 12 por 100 habitantes e que cidades com mais de 10 mil habitantes deveriam estar interligadas ao DDD.

Somente permaneceram com a COTESP os serviços urbanos das 86 localidades que faziam parte de seu plano de expansão e automatização aprovado pelo governo do estado em dezembro de 1972, e que após o término da execução desses serviços seria efetivada a unificação gradual da COTESP com a TELESP, mas no prazo máximo de 480 dias a contar da data de assinatura do convênio.

Nesse período continuaram as acusações de que a COTESP tinha se transformado em um instrumento político do governo estadual, nesse caso visando as eleições de 1974.

Ainda em 1974 a COTESP tentou encampar a CTI - Companhia Telefônica de Itanhaém, o que acabou sendo concretizado somente pela TELESP.

Estrutura operacional Sede administrativa

Sua primeira sede administrativa, inaugurada em setembro de 1964, ficava na Rua Álvaro de Carvalho, 48 - 2° andar - República, transferida em janeiro de 1968 para a Avenida Paulista, 1009 - 15º andar - Jardim Paulista.

Em novembro de 1971 foi adquirida a sede própria, o edifício da Rua Costa, 55 - Consolação.

Presidentes 1964-1965: José Ozias Calazans de Araújo, no governo Ademar de Barros 1965-1966: João Accioli, ainda no governo Ademar de Barros 1966-1967: Walter Machado Suppo, no governo provisório de Laudo Natel 1967-1971: Homero Silva, no governo Abreu Sodré 1971-1975: Vicente Marques, no governo Laudo Natel

Terminais telefônicos Eliminação de zonas mudas

Um dos principais objetivos da COTESP era eliminar as chamadas "zonas mudas" (cidades sem nenhuma comunicação telefônica) em sua área de atuação, com a instalação de Postos de Serviços (PS) nessas cidades, interligados a linhas interurbanas que os conectavam a outras cidades que já dispunham de serviços telefônicos.

Como parte integrante do seu plano de obras em 1968 foram inauguradas na região da Alta Araraquarense linhas telefônicas para os distritos de Nova Canaã, Vitória Brasil, Pontalinda, Fátima Paulista, Dirce Reis, Aparecida do Bonito, Esmeralda, Mesópolis, Dalas e Santa Isabel do Marinheiro.

Entre o final de 1971 e o início de 1972 eliminou as últimas zonas mudas da Região Sul, com a inauguração das linhas telefônicas de Barra do Turvo, Biguá, Juquitiba e São Lourenço da Serra, e eliminou as últimas zonas mudas do Vale do Paraíba, com a inauguração das linhas telefônicas de Jambeiro, Lagoinha, Natividade da Serra, Redenção da Serra e São Francisco Xavier.

E em agosto de 1972 a COTESP eliminou a última zona muda da Alta Araraquarense e Média Noroeste, com a inauguração da linha telefônica de Itapura.

Várias pequenas localidades também deixaram de ser zonas mudas através de linhas telefônicas do programa de expansão da rede de telefonia rural, entre elas Turiba do Sul e Raposo Tavares.

Plano de expansão

No final de 1972 a COTESP operava cerca de 16 mil telefones, quando funcionava em todo o estado de São Paulo uma rede de quase 1 milhão de telefones, ou seja, a empresa operava apenas 1,3% do total de telefones do estado.

Com o objetivo de quadruplicar esse número, a COTESP elaborou seu plano de expansão, que foi aprovado pelo governo do estado em dezembro de 1972, e iniciado em 1973, abrangendo serviços locais e interurbanos, dividindo a execução desse plano em duas etapas, em que se levou em conta um programa de prioridades ditado pelas necessidades sócio-econômicas das regiões atendidas.

O plano consistia, além da ampliação do número de terminais telefônicos, na implantação de centrais automáticas em diversas localidades e de centrais trânsito, e ampliação dos serviços interurbanos, interligando toda a área de concessão da COTESP com as demais do estado.

Primeira etapa

A primeira etapa consistia na instalação de 24.250 terminais telefônicos: Vale do Paraíba e Litoral Norte: implantação de 3 centrais MFC e substituição de 3 centrais decádicas já existentes por centrais MFC (8.800 T.) Vale do Ribeira e Região Sul: implantação de 10 centrais decádicas e ampliação de 3 já existentes (2.150 T.), e posterior substituição de 4 dessas centrais decádicas por centrais MFC, além da implantação de mais 1 central MFC (4.600 T.) Alta Araraquarense e Média Noroeste: implantação de 12 centrais decádicas e ampliação de 1 já existente (1.700 T.), substituição de 2 centrais decádicas por centrais MFC, além da implantação de mais 1 central MFC (7.000 T.)

Além disso deveriam ser implantadas 4 centrais trânsito. A primeira etapa não foi finalizada por completo, sendo o restante feito pela TELESP.

Segunda etapa A segunda etapa consistia na instalação de 11.950 terminais telefônicos: Vale do Paraíba e Litoral Norte: implantação de 6 centrais decádicas (750 T.), implantação de 1 central MFC e ampliação de 7 já existentes (4.100 T.) Vale do Ribeira e Região Sul: implantação de 10 centrais decádicas e ampliação de 1 já existente (1.250 T.), e posterior substituição dessa central decádica ampliada por central MFC, além da implantação de mais 2 centrais MFC (2.000 T.) Alta Araraquarense e Média Noroeste: implantação de 30 centrais decádicas (2.450 T.) e implantação de 3 centrais MFC (1.400 T.)

A segunda etapa praticamente ficou apenas no planejamento, com poucas obras feitas. A sua implantação de fato ficou a cargo da TELESP, que a fez com inúmeras modificações, de acordo com o seu próprio planejamento.

Telefonia rural