A distensão abdominal é uma manifestação clínica caracterizada pelo aumento visível, mensurável e objetivo do perímetro da cavidade abdominal, diferenciando-se do bloating (uma perceção puramente subjetiva de inchaço) embora ambos coexistam frequentemente. Etiologicamente multifatorial, esta condição decorre primariamente da acumulação excessiva de gases intestinais resultante da aerofagia crónica, da fermentação bacteriana de hidratos de carbono ou de desequilíbrios na microbiota local (disbiose), surgindo associada a distúrbios da motilidade gastrointestinal, como a síndrome do intestino irritável (SII), a obstipação crónica e a intolerância à lactose ou ao glúten. Adicionalmente, disfunções na coordenação reflexa da musculatura da parede abdominal e do diafragma — fenómeno conhecido como dissinergia abdominofrénica, onde o diafragma desce inapropriadamente e os músculos abdominais relaxam em resposta ao volume intraluminal — desempenham um papel central na sua patogénese. O diagnóstico diferencial exige uma triagem rigorosa para excluir patologias orgânicas graves, incluindo neoplasias gastrointestinais ou ginecológicas, ascite decorrente de cirrose hepática, e doença inflamatória intestinal (como a doença de Crohn ou colite ulcerosa), sobretudo na presença de «sinais de alerta» como perda de peso inexplicável, hemorragia digestiva, febre ou anemia. O manejo terapêutico é individualizado e abrangente, englobando modificações dietéticas estruturadas, como a restrição temporária de alimentos altamente fermentáveis (dieta baixa em FODMAPs), a administração de procinéticos, antiespasmódicos ou antibióticos não absorvíveis (como a rifaximina) para modulação bacteriana, e, em casos de base funcional complexa, abordagens de biofeedback e neuromodulação central para corrigir a resposta neuromuscular disfuncional.

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