é um filme japonês de 1997 de terror psicológico com elementos de terror e noir escrito e dirigido por Kiyoshi Kurosawa. Estrelado por Koji Yakusho e Masato Hagiwara, o filme acompanha um detetive que investiga uma série de assassinatos cujos autores confessam em circunstâncias estranhas, aparentemente sendo levados a matar por uma força desconhecida. Conforme a história se desenvolve, a polícia percebe que todos os assassinos estão em contato com um jovem misterioso, que parece ter perda extrema de memória. O filme recebeu críticas positivas e foi descrito em comentários posteriores como influente na onda do cinema de terror japonês do final da década de 1990.
Originalmente intitulado Evangelista (伝道師, Dendoushi), o nome do filme foi alterado devido ao ataque com gás sarin ao Metrô de Tóquio perpetrado pela Aum Shinrikyo, que ocorreu durante a produção do filme. Para evitar sugerir uma ligação com um culto religioso aos crimes da história, o título foi alterado para Cura, por sugestão de um produtor da Daiei Film.
O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Tóquio em 6 de novembro de 1997 e foi lançado no Japão pela Shochiku-Fuji Company em 27 de dezembro. Recebeu críticas amplamente positivas da crítica e é considerado um precursor da explosão da mídia de terror japonesa no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, precedendo outros lançamentos como Ringu de Hideo Nakata e Ju-on de Takashi Shimizu.
Enredo Kenichi Takabe (Koji Yakusho) é um detetive policial emocionalmente reprimido com uma esposa mentalmente instável. Takabe investiga uma série de assassinatos bizarros. Por mais que cada vítima seja sempre morta do mesmo jeito, com um grande "X" marcado no peito, o acusado sempre muda. Em todos os casos, os assassinos foram pegos próximos à cena do crime, e por mais que eles confessem ter cometido os crimes, eles nunca têm um motivo substancial nem conseguem explicar o que os levou a cometer o assassinato.
Takabe, junto de um psicólogo chamado Sakuma (Tsuyoshi Ujiki), eventualmente chegam à determinação de que um homem é a chave, já que, cada pessoa que entra em contato com ele, comete um assassinato logo depois. O homem, chamado Mamiya (Masato Hagiwara), aparenta ter perda de memória recente severa; ele sempre está confuso em relação a que dia é, aonde está e qual seu nome. Ele diz não lembrar de nada do seu passado. A investigação trava quando Mamiya não consegue mais produzir memórias do seu passado e atrapalha constantemente o interrogatório de Takabe com questões evasivas sobre a vida de Takabe. À medida que Takabe vai perdendo a calma, sua sanidade quase se esgota. A futilidade do caso começa afetar a psique de Takabe enquanto ele se torna mais e mais volátil, explodindo em acessos de raiva e ira de tempos em tempos.
Após Takabe pegar Mamiya, ele procura o apartamento de Mamiya e descobre que ele costumava ser um estudante de psicologia que estudava mesmerismo e hipnose. Takabe percebe que Mamiya não tem problemas de memória, e que ele na verdade, é um mestre da hipnose, capaz de plantar sugestões homicidas na mente de estranhos quando os expondo à sons repetitivos, ou o movimento da água, da chama ou de um esqueiro. Enquanto isso, Sakuma descobre uma fita cassete de um homem misterioso, especula-se ser o criador do mesmerismo, hipnotizando uma mulher fazendo um "X" com os dedos, no ar. Ele amostra a fita à Takabe em sua casa. Após exibir a fita, Sakuma demonstra ter desenhado inconscientemente um X em sua parede e começar a ter alucinações de Takabe o encurralando de forma ameaçadora. Vários dias mais tarde, a polícia encontra o corpo de Sakuma em sua casa, e conclui que ele cometeu suicídio. Enquanto isso, Mamiya está preso e acusado de incitar assassinato.
Mamiya demonstra grande interesse em Takabe, possivelmente porque ele não consegue forçar Takabe a matar. Takabe tem visões de sua esposa (Anna Nakagawa) morta. Mesmo assim, ele continua a estudar Mamiya. Quanto mais ele o estuda, mais ele crê que está perdendo sua sanidade. Ele se torna mais e mais frustrado com o desamparo de sua esposa e até demonstra intenções homicidas em relação a ela. O estranho comportamento de sua esposa e suas dúvidas em relação a própria sanidade fazem com que ele a deixe em um hospital psiquiátrico.
Quando Mamiya foge, matando um policial e um médico no processo, Takabe o segue até um prédio vazio no meio da floresta e o mata. A cena final do filme, na qual amostra uma empregada puxando uma faca, pronta para mata sua supervisora logo após falar com Takabe, sugere que Takabe se tornou o mestre hipnotista, e que agora ele está carregando o bizarro trabalho de Mamiya em si.
Elenco
Lançamento
Cure estreou em 6 de novembro de 1997 no Festival Internacional de Cinema de Tóquio. Mais tarde, foi lançado nos cinemas do Japão em 27 de dezembro de 1997 pela Shochiku-Fuji Company. Foi exibido no Festival Internacional de Cinema de São Francisco em 25 de abril de 1998 e no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 1999 como parte de uma retrospectiva de Kurosawa, antes de receber um lançamento nos cinemas dos EUA em 2001.
O filme foi lançado em vídeo doméstico pela primeira vez no Reino Unido como parte da série The Masters of Cinema em 23 de abril de 2018. A Criterion Collection lançou o filme em Blu-ray nos Estados Unidos em 18 de outubro de 2022.
Recepção Tom Mes do Midnight Eye descreveu o filme como "um filme de terror no sentido mais puro da palavra". Enquanto, A. O. Scott do The New York Times notou que Kiyoshi Kurosawa "transforma o suspense em um veículo para uma crítica social sombria." Scott Tobias do The A.V. Club disse: "Kurosawa, um prolífico estilista do gênero cujo é especialista na área de suspenses discreto e filmes de terror, esquiva-se do material mantendo uma distância sombria, quase clínica dos eventos; desenvolvendo a história em pedaços elípticos."
Legado e influência
Na pesquisa de diretores da Sight & Sound de 2012, o cineasta Bong Joon-ho listou Cure entre seus dez melhores filmes de todos os tempos. O filme é frequentemente citado em relatos sobre o surgimento do “J-horror” no final da década de 1990, com o próprio Kurosawa discutindo como Cure se encaixa nesse ciclo em entrevistas para o documentário The J-Horror Virus (2024).
Ao discutir filmes na Criterion Collection, o cineasta Ari Aster elogiou o filme, dizendo: “Há bons argumentos para dizer que Cure, de Kiyoshi Kurosawa, é o melhor filme já feito”.
Referências
Ligações externas
Japanese Movie Database no Japanese Movie Database
Categoria:Filmes em língua japonesa Categoria:Filmes do Japão de 1997 Categoria:Filmes de terror do Japão Categoria:Filmes de suspense do Japão