Festival Novas Frequências é um festival internacional criado em 2011 no Rio de Janeiro que promove música experimental, vanguarda e arte sonora, buscando renovar a relação entre arte, cidade e ecossistema local, adotando formatos expansivos com shows, performances, instalações, caminhadas sonoras, oficinas, residências artísticas e ocupações de espaços inusitados (igrejas, praias, cachoeiras, galpões).A primeira edição do festival ocorreu em 2011, no Rio de Janeiro, e durou cinco dias, indo de 7 a 11 de dezembro, com o objetivo de reunir artistas que rompem fronteiras pré-estabelecidas em busca de novas linguagens sonoras. Integra a rede internacional ICAS (International Cities of Advanced Sound), que reúne eventos de música de vanguarda em cidades como Montreal, Cracóvia e Berlim.Programação (2011) Consultado em 13 de janeiro de 2018 O festival é uma realização idealizada pelo curador Chico Dub e Tathiana Lopes, produzida através da agência Outra Música

Entre 2011 e 2025, o festival realizou mais de 300 apresentações, com artistas de mais de 30 países.

Histórico das Edições

2011: Primeira edição A primeira edição do Novas Frequências, concebida inicialmente como evento exclusivo de ocupação do Teatro Oi Futuro Ipanema, recebeu 6 artistas em 5 dias de programação. O line-up — Sun Araw, Andy Stott, Murcof, Com Truise, Pazes e Psilosamples — causou impacto desproporcional ao seu porte, favorecido pela intimidade de uma sala para cerca de 100 pessoas, que lotava rapidamente. O festival foi recebido com entusiasmo pela imprensa especializada e consagrou-se como novidade relevante na cena carioca, numa época em que termos como "música experimental" e "arte sonora" eram ainda pouco familiares ao público não-especializado.Dub, Chico. "Introdução", in: Estudando o Som: os 10 Anos do Festival Novas Frequências. Organização: Chico Dub. Rio de Janeiro, 2021.

2012: Expansão e a primeira ida a São Paulo A segunda edição manteve a ocupação no Oi Futuro Ipanema, crescendo para 6 dias e 8 artistas. O festival venceu o Prêmio Noite Rio na categoria "Melhor Festival - até 5 mil pessoas". A principal novidade do ano foi uma passagem paralela por São Paulo: em parceria com a plataforma Queremos, as atrações Actress, Pole e Hype Williams (Dean Blunt & Inga Copeland) se apresentaram no Beco 203, na Rua Augusta.

2013: Descentralização e novos formatos A partir da terceira edição, o festival iniciou o formato descentralizado que adotaria até 2019, com shows espalhados por diferentes espaços da cidade. Com apoio do British Council, a edição recebeu nomes como Stephen O'Malley, Tim Hecker, David Toop, Heatsick, Lee Gamble, Miles e Demdike Stare. Além dos shows no Oi Futuro Ipanema, o festival realizou rodadas de discussão no Polo de Pensamento Contemporâneo e uma festa no La Paz, na Lapa — a primeira da história do NF, contribuindo para desconstruir a imagem de evento "difícil" ou "para poucos".

2014: Consolidação e residências artísticas A quarta edição, com 14 dias, 50 artistas e 8 espaços, consolidou definitivamente o formato diverso e descentralizado do festival. Destacaram-se as primeiras residências artísticas do NF: o japonês Aki Onda percorreu a Maré, a Floresta da Tijuca e o Saara para criar uma peça sonora inédita; o inglês Philip Jeck desenvolveu performance a partir de discos de vinil brasileiros encontrados em sebos e lojas. A artista Vivian Caccuri conduziu uma "Caminhada Silenciosa" de 8 horas por pontos de interesse acústico da cidade — a primeira incursão do festival para fora dos palcos, prática que se tornaria marca registrada. O festival também ampliou seu alcance internacional ao ingressar na rede ICAS (International Cities of Advanced Sound).

2015: A instalação de Tunga e Novas Frequências em alta O ponto central da quinta edição foi a ocupação do galpão-ateliê de Tunga, na Barra da Tijuca, com a instalação sonora-participativa Delivered in Voices — a primeira instalação de arte sonora no formato institucional apresentada pelo festival. A cada dia, um artista diferente (Ava Rocha, Lucas Santtana, Lilian Zaremba, Félicia Atkinson, entre outros) estabeleceu diálogo com a obra. Foi o último trabalho em vida de Tunga, que faleceu meses depois. No mesmo ano, o festival assinou uma compilação de música experimental brasileira para a revista britânica The Wire e figurou na lista de melhores festivais do mundo da Resident Advisor.

2016: Mais Brasil A sexta edição aprofundou o compromisso com a paridade de gênero e o aumento de artistas brasileiros na programação — tendências que se consolidariam nas edições seguintes. Os dois primeiros dias foram realizados no Galpão Gamboa, na Zona Portuária do Rio, com 25 atrações ocupando performances, lives, DJ sets, instalações e um pitching de negócios em parceria com a fundação suíça Pro Helvetia e a plataforma europeia SHAPE. A edição foi finalista do Prêmio Bravo! de Melhor Evento de Cultura do País.

2017: Crise e reinvenção Diante de severo corte orçamentário — equivalente ao da segunda edição —, o festival reinventou sua produção por meio de parcerias e coparticipações. Das 12 atrações internacionais recebidas, apenas uma teve custos de passagem e hospedagem integralmente bancados pelo NF: William Basinski, cuja apresentação na Igreja da Lapa — a mais antiga do Rio de Janeiro — é considerada uma das mais marcantes da história do festival.

2018: O Infinito A oitava edição, cujo tema foi "Infinito", reuniu grandes nomes internacionais como Keiji Haino, Fennesz e Moritz von Oswald, ao lado de uma programação expandida que incluiu as performances diárias de piano acústico da irlandesa Áine O'Dwyer em diálogo com os sons da cidade — da Pedra do Arpoador ao Aterro do Flamengo; do Paço Imperial à Praça Xavier de Brito, na Tijuca. A edição ocupou espaços como Oi Futuro Flamengo, Lab Oi Futuro, Teatro XP Investimentos, Museu de Arte do Rio, Teatro Ipanema, Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Aparelho, Teatro Odisséia e Manouche.

2019: Fora do Palco Sob o conceito "Fora do Palco", a nona edição foi a mais ousada estruturalmente até então, buscando sistematicamente desconstruir as relações entre espaço, plateia e artista. A programação incluiu jantares harmonizados com frequências dos chakras, música acusmática em encruzilhadas da cidade, shows na quadra poliesportiva de um CIEP e nos karaokês da Feira de São Cristóvão, trilha sonora para caminhadas a pé, concertos nos jardins do Museu da República e uma ocupação de dois dias no Museu de Arte Moderna. O conceito também motivou uma programação descentralizada pelo interior do Estado do Rio de Janeiro, passando por 10 municípios.

2020: O ano X, edição online A décima edição, marcada pela pandemia de COVID-19, foi realizada inteiramente online e adotou o tema "X". Recusando simulacros de shows ao vivo, o festival propôs a artistas de 13 estados brasileiros o desafio de criar obras intermídia originais: videoartes, curtas-metragens, vídeo-ensaios, experimentos com som imersivo, podcasts e peças de rádio. A edição incluiu homenagem à compositora Jocy de Oliveira.

2021: Pra onde agora? A décima primeira edição, realizada de forma híbrida, marcou o retorno do festival aos espaços físicos após a pandemia. Sob o tema "Pra onde agora?", a programação combinou uma galeria virtual imersiva no site do festival com eventos presenciais distribuídos por espaços como o Oi Futuro, a Biblioteca Parque Estadual e a Ilha de Paquetá, além de uma ocupação no Aterro do Flamengo com o coletivo Liga de Sistemas Sonoros. O festival lançou também o livro Estudando o Som: os 10 Anos do Festival Novas Frequências, publicado pela Cobogó.

2022: Euforia A décima segunda edição, de tema "Euforia", reuniu 22 atrações em quase 24 horas de festival, distribuídas entre 1 e 11 de dezembro em espaços como Rato BranKo, Mercado Central, Galeria Refresco e Fábrica Bhering. O line-up incluiu, além de destaques de cenas brasileiras, como a DJ de funk Bia Marques, artistas internacionais como GLOR1A (Reino Unido) e Ece Canli (Turquia).

2023: Riso Ritual A décima terceira edição, cujo tema foi "Riso Ritual", expandiu o festival para uma programação majoritariamente gratuita, articulada em torno das dimensões sonoras do carnaval e da cultura popular carioca. O festival ocupou bairros como Realengo, Gamboa, Flamengo e o Centro, com cerca de 45 artistas. Entre os destaques estiveram Badsista, Gangrena Gasosa, Índio da Cuíca, Spirito Santo, Lucrecia Dalt (Colômbia/Alemanha), Marina Herlop (Espanha) e Asna (Costa do Marfim/França). Uma série de rodas de conversa debateu as relações entre experimentação sonora, carnaval e políticas lúdicas de resistência.

2024: décima quarta edição A décima quarta edição, realizada entre 7 e 15 de dezembro, ocupou espaços como a Casa França-Brasil, o Solar dos Abacaxis, a Galeria Refresco, o Galpão Ladeira das Artes, o Galpão Dama e o Leão Etíope do Méier. A programação apostou em nomes da cena experimental carioca e internacional, com destaque para Lyzza (BR/NL), Ale Hop (PE/DE), Carmen Jaci e Caxtrinho. Uma instalação de Félix Blume ficou em cartaz por toda a duração do festival na Casa França-Brasil.

2025: décima quinta edição e estreia em São Paulo A décima quinta edição, realizada entre 3 e 13 de dezembro, marcou a primeira vez que o festival aconteceu oficialmente também em São Paulo, com programação no Teatro Cultura Artística, no SESC Avenida Paulista e no Centro Técnico Chico Giacchieri. No Rio de Janeiro, ocupou o Circo Voador, o Solar de Botafogo, o Parque Lage e outros espaços. Com 12 atrações estrangeiras — a edição mais internacional desde 2019 —, reuniu nomes como Wolf Eyes (Estados Unidos), Kara-Lis Coverdale (Canadá), Sarah Davachi (Canadá), Praed (Líbano/Suíça) e Birushanah (Japão). Entre os destaques brasileiros, Metá Metá se apresentou pela primeira vez no Circo Voador dentro da programação do festival, ao lado de Papangu e TEST & Deafkids.

Edição de 2011 Rio de JaneiroO Festival (2011) Consultado em 13 de janeiro de 2018 +DataArtistaLocal07/12Sun Araw Oi Futuro Ipanema08/12Murcof09/12Andy Stott10/12Com Truise11/12Pazes / Psilosamples

Edição de 2012

Rio de JaneiroFESTIVAL NOVAS FREQUÊNCIAS 2012 | FLOGA-SE Consultado em 13 de janeiro de 2018 +DataArtistaLocal04/12Prince Rama Oi Futuro Ipanema05/12Pole06/12Actress07/12Maria Minerva08/12Lenticular Clouds e Julianna Barwick09/12Cadu Tenório e Hype Williams

São PauloQUEREMOS! Novas Frequências Consultado em 13 de janeiro de 2018 +DataArtistaLocal08/12Actress / Pole / Hype Williams Beco

Edição de 2013 Rio de JaneiroProgramação (2013) Consultado em 13 de janeiro de 2018 +DataArtistaLocal30/11Paulo Dandrea Festa no La Paz30/11Fudisterik30/11 e 01/12Miles30/11 e 01/12Lee Gamble Festa no La Paz e painel de discussão no Polo de Pensamento Contemporâneo30/11 e 01/12Heatsick01/12 e 03/12Demdike Stare Show no Oi Futuro Ipanema e painel de discussão no Polo de Pensamento Contemporâneo01/12 e 03/12David Toop04/12Chelpa Ferro Show no Oi Futuro Ipanema05/12James Ferraro06/12São Paulo Underground07/12Stephen O'Malley08/12Gimu09/12Tim Hecker10/12Babe, Terror

Edição de 2014 Rio de JaneiroProgramação (2014) Consultado em 13 de janeiro de 2018

Apresentações +DataArtistaLocal01/12Ashley Paul Audio Rebel02/12Rashad Becker08/12Mark Fell / Keith Fullerton Whitman09/12Mark Fell & Keith Fullerton Whitman / The Astroboy04/12Aki Onda Oi Futuro Ipanema06/12Ben Frost07/12Frisk Frugt05/12John Butcher & Mark Sanders apresentam: Tarab Cuts11/12Laraaji12/12Bill Orcutt13/12Vladislav Delay14/12Philip Jeck03/12Lubomyr Melnyk / Vivian Caccuri Sérgio Porto10/12Joana Gama & Luís Fernandes apresentam: QUEST / Oco - Caron/Campello07/12Auto / Hojer Yama / Osvardo Casa Daros14/12Quintavant Ensemble

Palestras / Bate-papo +DataArtistaLocal06/12Festivais e a cena de música experimental britânica: Counterflows Festival e Huddersfield Contemporary Music Festival Artist Talk com Cut Hands Artist Talk com John Butcher