O calendário copta, também conhecido como calendário alexandrino, é o calendário litúrgico do rito alexandrino, utilizado principalmente pela Igreja Ortodoxa Copta, mas também por egípcios modernos em menor extensão. O calendário foi introduzido pelo faraó Ptolomeu III Evérgeta através do Decreto de Canopo em 238 a.C., baseado nos calendários egípcio e juliano.. Esta reforma, contudo, foi rejeitada pelos sacerdotes egípcios, sendo adotado apenas em 25 a.C., por decreto de Augusto. Para distingui-lo do antigo calendário egípcio, utilizado por alguns astrônomos até a Idade Média, é conhecido como calendário copta. Seus anos e meses coincidem com o calendário etíope, mas têm diferentes nomes e números.

Ano copta Calendário egípcio no Templo de Com Ombo, ainda sem menção aos cinco dias epagomenais|253x253px|thumbO ano copta é uma extensão do antigo ano egípcio, retendo sua divisão entre três estações, cada uma com quatro meses, cada mês com 30 dias, assomando-se um mês adicional com cinco ou seis dias. Este mês adicional, chamado Pi Kogi Enavot, dura cinco dias em anos comuns e seis em anos bissextos, sendo tecnicamente conhecido como mês intercalar ou dias epagomenais. O ano bissexto copta funciona como o ano juliano, com a adição de um dia a cada quatro anos, sem exceções, o que crescentemente cria distância com o ano gregoriano. As três estações são comemoradas por orações especiais no rito alexandrino.

A festa de Neyrouz () marca o primeiro dia do calendário árabe. O nome da festa é uma confusão histórica, resultada da confusão por parte dos árabes originada na expressão copta Ni-Yarouou ("festa dos rios"), que foi traduzida para o grego e posteriormente confundida com a expressão persa Nowruz (), denotando o ano novo no calendário persa. A data cai sempre no primeiro dia do mês Thout, e é celebrada com hinos pela Igreja Ortodoxa Copta. Entre 1901 e 2098, a data cai em 11 de setembro, exceto em anos bissextos gregorianos, quando se situai em 12 de setembro.

Anos coptas são contados a partir de 284, ano em que Diocleciano se tornou imperador romano, iniciando uma era marcada pela Grande Perseguição, com torturas e execuções em massa de cristãos, especialmente no Egito. Por isto, o ano copta é identificado pela expressão Anno Martyrum (em latim, "do ano dos mártires"), sendo abreviado por A. M. assim como o Anno Mundi de outros calendários, mas tendo outro significado.

Meses e estações Abaixo, uma lista com os meses e estações do ano copta. Há uma variedade de pronúncias em uso por cristãos coptas na diáspora, a qual não será explorada aqui, limitando-se, pois, às transliterações diretas dos nomes dos meses nos dois principais dialetos da língua copta (saídico e boáirico) e no árabe moderno. + Meses coptasNúmeroNomeEquivalentes gregorianos em anos comuns (1901 - 2099)TemporadaSignificado do nomeBoáiricoSaídicoÁrabe1 11 de setembro – 10 de outubro Akhet (inundação) Tot, deus da sabedoria e da ciência2 11 de outubro – 9 de novembro Hapi, deusa do Nilo3 10 de novembro – 9 de dezembro Hator, deusa da beleza e do amor4 10 de dezembro – 8 de janeiro "Bem do bem", Ápis5 9 de janeiro – 7 de fevereiro Proyet, Peret ou Poret (crescimento, da natureza e da chuva) Amso Khem, formam de Ámon6 8 de fevereiro – 9 de março "Incensador", gênio do vento7 10 de março – 8 de abril Montu, deus da guerra8 9 de abril – 8 de maio Renno, severe wind and death (vegetation ends; earth is dry)9 9 de maio – 7 de junho Shomu ou Shemu (colheita) Khenti-Amentiu, forma de Hórus e deus dos metais10 8 de junho – 7 de julho "Festa do vale"11 8 de julho – 6 de agosto Apep, serpente morta por Hórus12 7 de agosto – 5 de setembro Nascer do sol 13 6 a 10 de setembro "O pequeno mês"

Bibliografia

Copta Categoria:Ano litúrgico Categoria:Igreja Ortodoxa Copta Categoria:Cultura do Antigo Egito