miniaturadaimagem|250x250px|Um painel interpretativo típico sobre os eventos da Guerra Civil Americana. Esses recursos interativos auxiliam na atuação do mediador, relacionando o painel explicativo com seu contexto e ambiente Interpretação do patrimônio refere-se a todas as maneiras de interligação entre um objeto, espaço ou ambiente dotado de significado ao seu usuário. Esse processo configura-se em um papel ativo e transformador na construção do conhecimento, no qual a instância mediadora possui a responsabilidade de tornar possível a compreensão dos recursos informacionais em questão.
A interpretação do patrimônio pode ser realizada em todo contexto de produção e disseminação de informação, como museus, lugares históricos, parques, galerias de arte, zoológicos, aquários, jardins botânicos, reservas naturais e uma série de outros patrimônios culturais. As estratégias de interpretação podem ser extremamente variadas podendo incluir caminhadas guiadas, palestras, teatro, mostras, placas, etiquetas, obras de arte, folhetos, montagens interativas, audioguias e meios audiovisuais, todos estes contando com a figura de um mediador
Importante salientar o ponto comum entre as diversas estratégias de mediação cultural, que é a promoção do senso crítico e da assimilação da informação como meio de construção do conhecimento.
Finalidade miniaturadaimagem|Guarda-florestal do Parque National de Biscayne mostra um caranguejo eremita para crianças O objetivo da interpretação é a de melhorar e enriquecer a experiência do indivíduo ajudando-o a compreender e apropriar-se dos significados da informação transmitida e de conectar tais significados com suas próprias vidas.What Is Interpretation?, National Register Bulletin, National Park Service Através de um discurso atraente, histórias temáticas sobre fenômenos ambientais e eventos históricos, mediadores visam provocar a reflexão ativa no processo de aprender e pensar sobre as suas experiências. A mediação eficaz permite que os mesmos façam associações entre as informações apresentadas e as suas percepções anteriores.Moscardo, G.(1996) Mindful Visitors: Heritage and Tourism , Elsevier De acordo com Moscardo, a interpretação pode produzir "visitantes conscientes" que estão cuidadosamente processando informações e revendo os significados dos objetos observados ou de elementos intangíveis.
Definições de Interpretação do patrimônio
Princípios de Tilden da Interpretação do patrimônio Em seu livro de 1957, "Interpreting Our Heritage", Freeman Tilden definiu os seis princípios da interpretação do patrimônio:
Durante os últimos 50 anos, os princípios de Tilden permaneceram altamente relevantes para interpretadores de todo o mundo. Em 2002, Larry Beck e Ted Cabo publicaram "Interpretation for the 21st Century - Fifteen Guiding Principles for Interpreting Nature and Culture", reelaborando os princípios originais de Tilden. Em 2011, Beck e Cabo lançaram uma nova versão de seus princípios: "The Gift of Interpretation".Beck, L, Cable,T. (2011) The Gifts of Interpretation: Fifteen guiding principles for interpreting nature and culture. Sagamore Publishing, http://sagamorepub.com/files/lookinside/26/pages-gift-interpretation.pdf
Mediação cultural e Infoeducação
O conceito de Infoeducação, cunhado por Edmir Perrotti para nomear o 1º Colóquio Brasil-França de Infoeducação, relaciona-se diretamente com o processo de interpretação do patrimônio à medida que os processos de apropriação do conhecimento são compreendidos como um movimento que torna-se possível somente a partir da ação cognitiva do indivíduo sobre as informações. Sem reflexão não há conhecimento, e tampouco sem informação. Nesse sentido, a Infoeducação atua no sentido de criar ferramentas que incentivem a autonomia e a emancipação intelectual do sujeito.
"De fato, sem estruturas socioculturais que lhes dê apoio, sem instrumentos necessários à atribuição de sentidos às informações, os sujeitos sociais perdem-se nas tramas do conhecimento, sem condições de apropriar-se nem da memória, nem dos saberes de seu tempo, permanecendo incapacitados, portanto, para inventar e projetar o futuro."
"[...] pois é pela vivência efetiva que as aprendizagens vão se dando, até chegar à conceituação."
Bibliografia Beck, L, Cable,T. (1998) Interpretation for the 21st Century: Fifteen guiding principles for interpreting nature and culture. Sagamore Publishing, ISBN 1-57167-133-1Hadden, Robert Lee. "Reliving the Civil War: A reenactor's handbook". Mechanicsburg, PA: Stackpole Books, 1999.Ham, S. (1992). Environmental Interpretation: A Practical Guide for People with Big Ideas and Small Budgets. Fulcrum Publishing, ISBN 1-55591-902-2Ham, S. (2009). From Interpretation to protection—Is there a theoretical basis? Journal of Interpretation Research, 14(2), 49-57. Salazar, N. (2007). Towards a global culture of heritage interpretation? Evidence from Indonesia and Tanzania. Tourism Recreation Research, 32(3), 23-30.Salazar, N. (2012). Envisioning Eden: Mobilizing imaginaries in tourism and beyond. Oxford: Berghahn, ISBN 978-0-85745-903-9.Silberman, N. (2006). "The ICOMOS Ename Charter Initiative: Rethinking the Role of Heritage Interpretation in the 21st Century." George Wright ForumTilden, F. (1957) Interpreting our Heritage. University of North Carolina Press, North Carolina ISBN 0-8078-4016-5
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