O momo é um prato típico das culinárias nepalesa, tibetana, butanense, bangladense, paquistanesa, de Siquim e da Bengala Ocidental, principalmente, no distrito de Darjeeling. Tradicionalmente, o prato consiste em um recheio de legumes ou de carne moída envolto em massa. A maioria dos momos tibetanos tem formato de meia-lua, como os jiaozi, já os momos nepaleses costumam redondos como os baozi. Os momos são geralmente servidos com um molho apimentado e conserva de rabanete (Raphanus sativus var. longipinnatus), influenciado pelas especiarias e ervas usadas em muitas culinárias sul-asiáticas. Pode também ser usado em sopas, como no jhol momo e no mokthuk.
Origem A palavra "momo" é uma transcrição fonética da palavra tibetana མོག་མོག (, ). É possível que essa palavra tibetana tenha origem no termo chinês momo (馍馍), tradicionalmente usado em dialetos do noroeste da China para se referir a pães cozidos no vapor e pães de trigo. A palavra mo (馍) em si significa produtos alimentícios de farinha de trigo ou (馒头), pães cozidos no vapor. Historicamente, os nomes chineses para pães cozidos no vapor não faziam distinção entre aqueles com ou sem recheio, até o termo baozi (包子) surgir durante a dinastia Song entre os séculos X e XIII. No entanto, em regiões do leste da China, como Jiangsu e Xangai, mantou continua tendo ambos os significados. A história dos bolinhos na China mostra que eles eram populares durante as dinastias do Norte e do Sul (420–589 d.C.) e bolinhos datados entre 499 d.C. e 640 d.C. foram encontrados no no noroeste da China moderna.
A lenda diz que a princesa nepalesa do século VII, , que levou o budismo para o Tibete, também levou os momos. Apesar disso, acredita-se que o conceito de bolinhos foi levado da China pelos mongóis no século XIII. Quanto ao momo do Himalaia, assim como a história do mandu coreano, a história dos momos no Nepal remonta ao início do século XIV, mas não se sabe ao certo se ele se espalhou do Vale de Catmandu no Nepal para o Tibete ou o contrário. Como o prato era popular entre a comunidade neuaris do Vale de Catmandu, no Nepal, uma crença prevalente é que comerciantes nepaleses neuaris viajantes levaram a receita do Tibete, onde vendiam, e a trouxeram para casa, no Nepal. No Tibete, o recheio do prato era carne, como de iaque e, às vezes, batata e queijo. Os momos tibetanos tradicionais são bem diferentes dos nepaleses, pois os primeiros eram feitos com massa mais grossa e com poucas ou nenhuma especiaria, exceto sal.
Após chegar às planícies indo-gangéticas, a carne mais comum passou a ser a de frango e momos de legumes mistos foram introduzidos para atender a grande população de hindus vegetarianos. Muitos tibetanos imigraram para a Índia após a revolta tibetana de 1959, levando suas receitas de momos consigo. Embora não comprovado oficialmente, mas corroborado pelas datas e referências a momos em contextos coloquiais, a Guerra Civil Nepalesa levou a diáspora nepalesa a buscar sustento na Índia, o que aumentou ainda mais a prevalência do estilo himalaiano de momos na metade sul da Índia, especialmente nas cidades de Chenai e Bangalor.
Preparo thumb|Prato de momos nepaleses
Os primeiros bolinhos tibetanos eram feitos com farinha de cevada das terras altas para a massa externa e carne bovina e ovina como recheio. Atualmente, prefere-se uma massa simples de farinha e água para fazer a massa externa dos momos. Às vezes, um pouco de fermento ou bicarbonato de sódio é adicionado para dar uma textura mais macia ao produto final.
Tradicionalmente, os momos são preparados com carne moída, batata e alho-poró no recheio. Com o passar do tempo, os recheios se tornaram mais elaborados e os momos são preparados com praticamente qualquer combinação de carne moída, legumes, tofu, cogumelos, queijo paneer, chhurpi macio (queijo seco local) e combinações de legumes e carne:
Carne: Diferentes tipos de recheios de carne são populares em diferentes regiões. No Nepal, Tibete, Siquim e Butão, os recheios de carne mais comuns são porco, frango, cabra e búfalo-asiático. Na região do Himalaia do Nepal e da Índia, carne de cordeiro e iaque são mais comuns. A carne moída é combinada com qualquer um ou todos os seguintes temperos: cebolas/chalotas, alho, gengibre e coentro. Algumas pessoas também adicionam um purê de tomates e molho de soja. Legumes: Repolho picado fino, cenoura, grânulos de soja, batata, feijão-verde ou chuchu são usados como recheios no Nepal. Queijo: Geralmente queijo fresco (paneer) ou o tradicional chhurpi macio é usado. Essa variedade é comum no leste do Nepal. Khoa: Momos recheados com leite em pó misturados com açúcar são populares como sobremesa no Vale de Catmandu.
A massa é esticada em pequenos círculos achatados e o recheio é fechado no círculo de massa, seja em formato redondo ou de meia-lua. Para o recheio, é dado preferência para carnes gordurosas, para que os momos fiquem saborosos e suculentos. Também é possível adicionar um pouco de óleo à carne magra para manter o recheio úmido e suculento. Os bolinhos são cozidos no vapor sobre uma sopa (seja um caldo à base de ossos ou legumes) em um utensílio próprio para fazer momos, chamado mucktoo. Os momos também podem ser fritos em frigideira ou por imersão após serem cozidos no vapor.
Variações
Tradicionalmente, os momos são cozidos no , mas também podem ser , na frigideira ou cozidos em sopa. No Tibete, eles costumam ser servidos com molho de alho e pimenta e uma espécie de rabanete (Raphanus sativus var. longipinnatus) em conserva. No Nepal, os molhos mais comuns incluem chutneys à base de tomate ou molhos à base de gergelim, amendoim ou soja, chamados de achar. Estes podem ter consistência grossa ou fina, dependendo do estabelecimento.
thumb|Jhol momo Os momos podem ser usados em sopas, como o Jhol momo (), uma sopa nepalesa que consiste em momos em um caldo de legumes picante chamado jhol achar, com tomates, sementes de gergelim, pimentas, cominho e coentro. Costuma ser consumido em Catmandu durante o inverno. O mokthuk tibetano é uma variação da sopa usando momos pequenos.
Outras variações de momos incluem:
C-momo, cozido no vapor ou frito e depois servido em molho de pimenta. Dhapu momo, do chinês da bao (大包), ou "pão grande", também conhecido como "momo tibetano", um bolinho nepalês maior e mais achatado que outras versões de momos. Provavelmente, foi introduzido no Nepal por duas rotas: uma por Myanmar, ao longo do leste do Himalaia, e outra pelos chineses que imigraram para Calcutá, na Índia. Gonga momo (), um bolinho frito de massa de trigo e ovo recheado com pasta de carne. Momo verde, um bolinho vegetariano cozido no vapor recheado com legumes, repolho e feijão-verde. Hoentay, um bolinho butanês feito de massa de trigo-sarraceno misturada com espinafre e queijo. Kothey momo, do chinês guotie (锅贴), uma versão frita na frigideira. Primeiro, o bolinho é recheado com carne, legumes e especiarias, é cozido no vapor, depois frito e servido com molho. Momo aberto, outra versão nepalesa, tem um formato distinto com aberturas no topo que podem ser usadas para adicionar vários molhos e especiarias. Sadheko momo, uma salada de momo com cebolas e tomates, ervas e especiarias. Shoko momo (), uma variante tibetana preparada com batata amassada com massa, moldada em bolas, com recheio de carne moída, servida com farinha de rosca. Tingmo (), um tipo de pão cozido no vapor feito de farinha, fermento e água. O tingmo é um pão macio, servido com pratos salgados como ensopados ou caril. Diferente de outras versões de momos, o tingmo não contém nenhum tipo de recheio. Shamo (), um bolinho tibetano recheado com carne bovina ou de carneiro.
Galeria
Ver também Culinária do Nepal Culinária do Tibete Baozi Guioza Mandu Wonton Khinkali Diáspora tibetana
Categoria:Culinária do Nepal Categoria:Culinária do Tibete Categoria:Culinária da Índia Categoria:Dumplings Categoria:Fast-food