Lourival Inácio de Carvalho, conhecido como Lourival de Carvalho ou popularmente chamado pelo seu nome artístico Louro (Niterói, – Rio de Janeiro, ), foi um compositor, arranjador, clarinetista, saxofonista e baixista brasileiro.

Conhecido Chorão no cenário musical do Rio de Janeiro desde a Belle Époque carioca até meados dos anos 1950, foi um compositor brasileiro de grande qualidade musical sem o devido reconhecimento por uma obra esquecida.

Biografia Nascido e criado no bairro do Barreto, em Niterói, de origem pobre, aos oitop anos de idade, despertou um grande interesse pela música, chegando a criar a ideia de brincar com caixas de fósforos para improvisar a sonoridade de instrumentos de sopro, tocando algumas músicas da época.

Ainda quando menino ingressou na fabrica de tecidos "Companhia Manufatora Fluminense" da qual era vizinho. Lá, devido ao seu nome e ao seu cabelo alourado foi apelidado "Louro". Em função de sua vocação, logo foi encaminhado para os estudos musicais na banda da fábrica conhecida como "Centro Musical Fluminense".

Ele chamou a atenção e foi convidado a organizar a fanfarra de Rio Bonito (Rio de Janeiro), que começa a dirigir quando tem apenas 16 anos.

Carreira

Urubu Malandro Ele se torna maestro do grupo Vinte e Um de Abril na cidade de Capivari, onde ganha notoriedade ao criar uma adaptação e realizar a primeira gravação do tema popular "Urubu Malandro", em 1913.

O título não oficial de “Samba do urubu” lhe é atribuído, e ele é classificado como “dança característica”. No entanto, especialistas debatem sua autoria. O tema original, uma polca, teria sido composto por Francisco Antônio dos Santos em homenagem ao Grupo dos Urubus Malandros do Clube dos Fenianos e publicado em 1894 pela Buschmann e Guimarães. Ainda assim, Louro seria o autor das variações que o tornaram popular, sendo Urubu Malandro um tema folclórico antigo da região norte do estado do Rio de Janeiro. “Excelente para improvisação”, é um dos temas preferidos de Pixinguinha e de outros mestres do choro para interpretar variações.

Grupo do Louro Ele deixa a orquestra e cria o Grupo do Louro, composto por clarinete, cavaquinho e violão, passando a tocar em festas, bailes, teatros e cinemas no Rio de Janeiro e em Niterói. A partir de 1913, realiza dezenas de gravações com seu grupo para a Casa Edison ou Phoenix, interpretando choros, sambas ("Moleque Vagabundo"), polcas ("Olga no Choro"), mazurcas ("A Moça"), scottishs, valsas ("Bela"), maxixes, xotes ("As Mágoas do Louro") e também tangos ("Louro na Zona", "Catinga de Mulato" e "O Boi no Coqueiro") de sua autoria, além de composições de Anacleto de Medeiros (a polca "Sentida"), Ernesto Nazareth (a polca "Ameno Resedá"), Azevedo Lemos, José Belisário, Otávio Dutra (a polca "Bela Madrugada") e Donga (o samba "Se a Bomba Arrebenta"), entre outros.

As gravações de "Urubu Malandro" e "Moleque Vagabundo" são seus maiores sucessos.

Na década de 1920, o Grupo do Louro está presente na Festa da Penha ao lado dos grupos de Caninha, Pixinguinha, Donga e Sinhô. Frequentador assíduo do festival, conta-se que, para desafiar o flautista Alfredinho, ele subiu os degraus da igreja da Penha tocando sua composição "Choro do Galo".

Lourival Ignácio de Carvalho morreu em 17 de junho de 1956.

Bibliografia O Choro - Reminiscências dos chorões antigos, ISBN 978-85-88657-05-2

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