A Atomwaffen Division (em alemão "Atomwafen" significa armas nucleares) foi uma rede paramilitar neonazista internacional ativa de 2015 a 2020. Fundada em Tampa, Flórida, no sul dos Estados Unidos pelo neonazista americano Brandon Russell, a AWD expandiu-se pelos EUA e para vários outros países. Sendo considerado o mais radical e mais violento dos grupos da Direita alternativa, também conhecida como alt-right, agindo com elevado grau de extremismo e radicalismo.
O grupo advoga abertamente pelo uso de violência e terrorismo para alcançar seus objetivos e é creditado pelo assassinato de 5 pessoas, incluindo um jovem judeu e homossexual.
Inicialmente o grupo atuava exclusivamente na América do Norte, porém por volta de 2018, o grupo começou a se expandir e criar células em vários outros países, principalmente na Alemanha, no Reino Unido, no Canadá e nos Países Bálticos.https://www.spiegel.de/international/the-hate-network-an-inside-look-at-a-global-extremist-group-a-1226861.html
História O movimento foi fundado em 12 de outubro de 2015, e sua criação anunciada no fórum de discussão neonazista IronMarch.org. O grupo começou a ganhar notoriedade a partir de 2016, quando membros da organização colaram cartazes em várias universidades instigando pessoas a se juntarem ao grupo, o que chamou a atenção do FBI e de grupos antidiscriminação.
A organização começou a tomar um rumo violento a partir de 2017, quando vídeos no qual membros do grupo apareciam portando fuzis AR-15, realizando treinamentos de guerrilha e queimando bandeiras dos Estados Unidos e bandeiras LGBT emergiram na internet, principalmente no YouTube. Até março de 2018, o grupo possuía um canal no YouTube, que acabou sendo removido por pressão da organização de sociedade civil Southern Poverty Law Center
Assassinatos e planejamentos de atentados O primeiro assassinato ligado ao grupo aconteceu em maio de 2017, quando Devon Arthurs, um membro do grupo que havia se convertido ao Islamismo assassinou dois colegas de quarto, que também eram membros da organização, por estarem zombando do fato dele ter se convertido ao Islamismo. Dias depois, Brandon Russell, um dos sobreviventes do tiroteio, foi preso pelo FBI por estar planejando um atentado químico em nome do grupo. Durante seu depoimento, Brandon Russel afirmou que ele havia sido influenciado por Timothy McVeigh, um ex-soldado que ficou famoso por ter perpetrado o atentado em Oklahoma em 1995.
Em setembro de 2017, um membro não identificado do grupo matou um casal e tentou se matar logo depois por eles não terem aceitado que ele namorasse a filha do casal pelo fato dele ser um neonazista. Segundo o que foi descoberto pelo FBI, ele era um membro ativo da Atomwaffen Division e havia aparecido em vários vídeos de propaganda do grupo na internet.
O caso mais famoso envolvendo a organização aconteceria em janeiro de 2018, quando Blaze Bernstein, um estudante judeu homossexual, foi assassinado por Samuel Woodward, um membro ativo da Atomwaffen. O grupo assumiu a autoria pelo assassinato por meio de um fórum de discussão online, sendo assim o primeiro ataque no qual o grupo assumiu oficialmente a autoria.
Ideologias e inspirações Em seu site na internet, o grupo exalta fortemente os ideais de Adolf Hitler e o Nazismo e promove abertamente uma guerra de raças e o extermínio de minorias, como judeus, negros, islâmicos, mestiços, eslavos, ciganos, homossexuais e asiáticos, principalmente indianos.
O grupo se opõe tanto ao capitalismo quanto ao comunismo e o socialismo, advocando por um modelo econômico corporativista, semelhante ao que foi adotado pela Alemanha nazista e pela Itália Fascista.
O grupo cultua fortemente a Charles Manson, famoso assassino em série que ganhou fama por ter matado Sharon Tate, a então exposa do diretor Roman Polanski; Anders Breivik, o responsável pelos Atentados de 22 de julho de 2011 na Noruega e Dylann Roof, o responsável pelo ataque a tiros em uma igreja negra em Charleston em 2015.
Influência, declínio e dissolução (2017–2020) Após um tiroteio envolvendo Devon Arthurs em 2017, John Cameron Denton assumiu a liderança do AWD. Por meio de seus interesses compartilhados no nazismo e no ocultismo, o membro do AWD, John Cameron Denton, conheceu Joshua Caleb Sutter, o fundador do grupo satanista esotérico Tempel ov Blood (ToB), uma associação da Ordem dos Nove Ângulos (ONA ou O9A), uma organização que defende o estupro e o sacrifício humano. O ToB se infiltrou efetivamente e assumiu o controle do AWD, a partir de 2017. Denton era próximo de Sutter e influenciado pelo ToB e mudou a direção do grupo para ser mais semelhante ao Tempel ov Blood. Denton tornou os livros de Sutter obrigatórios para novos iniciados e os aprovou para leitura pelos membros. A influência de Sutter tornou-se controversa entre os membros do AWD que desprezavam a direção satânica e violenta que o AWD tomou, o que levou vários membros a sair.
Em 14 de março de 2020, o neonazista americano James Mason, conselheiro político do AWD, declarou que o AWD havia se dissolvido, no mesmo anúncio ele também denunciou um grupo dissidente da AWD, que lançou sua própria propaganda em 2019.
De acordo com a Liga Antidifamação (ADL), o AWD foi dissolvido em julho de 2020, foi sucedido pela curta National Socialist Order (NSO). Em setembro de 2020, um site neonazista e vários grupos neonazistas influentes, incluindo The Base, anunciaram que estavam rompendo laços com a NSO, alegando que ela havia sido assumida pela Ordem dos Nove Ângulos. O site afirmou que a promoção do Satanismo e do abuso sexual infantil pela ONA era incompatível com sua ideologia neonazista e alegava que o NSO havia deixado de existir. Poucos dias após a dissolução do NSO, vários ex-membros anunciaram posteriormente a formação de uma organização sucessora, a National Socialist Resistance Front (NSRF). No entanto, algumas fontes atribuem a fundação a Ryan Hitfiel (pseudônimo de "Ryan Arthur), um ex-líder de célula da AWD, que teria estabelecido o grupo em 2020. Ryan Hatfiel anunciou mais tarde no American Futurist que a NSRF se dissolveu em 8 de novembro de 2024.
No Brasil Em novembro de 2023, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) prendeu sete homens ligados à Atomwaffen em uma operação intitula a "Operação Acelera". Cerca de 100 policiais civis participaram da ação. Eles são acusados de participação em grupo criminoso e promoção do nazismo. Os homens seriam líderes das células neonazistas no Rio Grande do Sul e no Ceará. A polícia também realizou buscas em 23 endereços no Rio Grande do Sul, Curitiba, São Paulo, Araçoiaba da Serra, Ribeirão Pires e Fortaleza, onde apreenderam aparelhos eletrônicos, armas e objetos relacionados ao nazismo.
Ver também James Mason — ideólogo da Atomwaffen Division Brandon Russell — fundador da Atomwaffen Division Antissemitismo nos Estados Unidos
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