Em termos gerais, perífrase designa qualquer sintagma ou expressão idiomática mais desenvolvida (e mais ou menos óbvia ou direta) que substitui outra. Pode-se entender que perífrase consiste, portanto em especificar determinadas características, mais ou menos objetivas, do objeto que se quer nomear indiretamente.

O termo é mais utilizado para identificar uma figura de linguagem ou figura retórica que também substitui uma expressão curta e direta por outra mais extensa e carregada de maior ou menor simbolismo, estando, neste caso, intimamente relacionada com a antonomásia.

Seu uso pode justificar-se por diversas razões: Para evitar a repetição da mesma palavra na mesma frase o em frases próximas; Engrandecer um atributo (neste caso, ligada à hipérbole); Minimizar um atributo ("uma pessoa menos favorecida pela beleza" em vez de "pessoa feia" e, neste caso, ligada a eufemismo).

Exemplos

Alguns exemplos do uso retórico: A última flor do Lácio, recurso estilístico usado por Olavo Bilac para referir-se à língua portuguesa; O cavaleiro da esperança, usado para Luís Carlos Prestes; O país do futebol, usado com referência ao Brasil ; A dama do teatro brasileiro, referente a Fernanda Montenegro ; O autor de Quincas Borba, representando Machado de Assis; Portadores do mal de Lázaro, em substituição a leprosos.

Um exemplo do processo perifrástico na língua portuguesa é a troca das formas verbais da segunda pessoa do singular na versão brasileira e das formas da segunda pessoa do plural em quase todas as variedades do português pelas formas da terceira pessoa que requerem o uso do pronome você no singular e vocês no plural.

2a pessoa do singularA forma perifrástica(tu) falasvocê falaO verbo está na segunda pessoa do singular, o que indica claramente que esta forma verbal refere-se ao interlocutor e que, portanto, o uso do pronome não é obrigatório.O verbo está na terceira pessoa do singular, o que requer o uso do pronome para indicar que esta expressão refere-se ao interlocutor e não a uma pessoa que não está presente.

Portanto, a forma "você + 3a pessoa do singular" é uma perífrase que se emprega comumente na versão brasileira do português para substituir as formas verbais da segunda pessoa do singular.

2a pessoa do pluralA forma perifrástica(vós) falaisvocês falamO verbo está na segunda pessoa do plural, o que indica claramente que esta forma verbal refere-se a um grupo de interlocutores e que, portanto, o uso do pronome não é obrigatório.O verbo está na terceira pessoa do plural, o que requer o uso do pronome para indicar que esta expressão refere-se a um grupo de interlocutores e não às pessoas que não estão presentes.

Portanto, a forma "vocês + 3a pessoa do plural" é uma perífrase que se emprega para substituir as formas verbais da segunda pessoa do plural.

Categoria:Figuras de linguagem