Abigail Suzanne Martin (Oakland, 6 de setembro de 1984) é uma jornalista, apresentadora de televisão e ativista norte-americana.
Vida pregressa Criada em Pleasanton, Califórnia concluiu os estudos na Amador Valley High School em 2002. O interesse pelo jornalismo surgiu a partir do momento em que seu então namorado do ensino médio se alistou nas Forças Armadas após os atentados de 11 de setembro de 2001. À época, passou a se opor à guerra e a questionar criticamente a forma como os acontecimentos eram apresentados, especialmente no contexto da Guerra do Iraque, durante o período em que cursava a Universidade Estadual de San Diego.
Carreira Em 2008, envolveu-se ativamente no movimento pela verdade sobre o 11 de setembro, o qual contesta a versão oficial dos atentados de 2001. Fundou, em San Diego, um grupo de ativismo dedicado ao tema, tendo afirmado, naquele período, que os ataques teriam sido um "trabalho interno". Posteriormente, em 2014, declarou à Associated Press não mais sustentar teorias da conspiração relacionadas ao caso.
No ano seguinte, criou a plataforma Media Roots, voltada ao jornalismo cidadão.Priesnitz, Wendy. (Sept/Oct 2011). Media Roots. The Media Beat. Natural Life, 141: 26. A partir dessa iniciativa, cobriu as atividades do movimento Occupy Oakland em 2011,Reitman, Janet (27 de março de 2014). The Young Renegade of TV News. Rolling Stone. 1205: 20. e suas gravações foram posteriormente utilizadas em processo judicial movido pela família de Scott Olsen contra o Departamento de Polícia de Oakland, com o objetivo de demonstrar a natureza não violenta dos protestos no momento em que o veterano foi ferido.Martin, Abby. (25 de outubro de 2011). Occupy Oakland: Police Standoff & Brutal Assault, Tear Gas. Media Roots. YouTube. Consultado em 21 de janeiro de 2014.
Seu trabalho passou a ser reconhecido pela rede RT, que a contratou como correspondente. Em 2010, estabeleceu residência em Washington, D.C. Entre 2012 e 2015, apresentou o programa Breaking the Set na RT América, no qual se propunha a romper com a dicotomia política tradicional e abordar fatos de forma direta.Breaking the Set: About. YouTube. Consultado em 16 de janeiro de 2014. O programa incluía uma estética crítica à mídia convencional e, ao longo desse período, posicionou-se publicamente sobre controvérsias envolvendo a cobertura da própria emissora, especialmente em relação à anexação da Crimeia. Em fevereiro de 2015, desligou-se da RT.
Em setembro de 2015, lançou The Empire Files, série de entrevistas e documentários com participação de intelectuais e figuras públicas como Chris Hedges, Noam Chomsky, Richard D. Wolff, Ralph Nader e Jill Stein. Inicialmente veiculado pela Telesur, o projeto enfrentou dificuldades após a redução de apoio da emissora em 2018, passando a ser mantido por meio de financiamento coletivo.
Em 2020, teve cancelada sua participação como palestrante em conferência na Universidade Estadual do Sul da Geórgia, após recusa em assinar compromisso relacionado ao boicote a Israel, conforme exigência legal do estado da Geórgia. Em decorrência do caso, ingressou com ação judicial por liberdade de expressão. Posteriormente, a conferência foi cancelada. Em 2021, decisão da justiça federal reconheceu a inconstitucionalidade da legislação estadual, sob o entendimento de que a norma restringia condutas protegidas pela Primeira Emenda.
Repercussão Parte da crítica acadêmica e jornalística descreveu a atuação de Martin como representativa de uma abordagem midiática direta e sem filtros, associada à geração Y. Em contrapartida, outros analistas apontaram incoerências em suas posições políticas, bem como críticas à sua leitura de conflitos internacionais e à sua atuação em veículos financiados por governos estrangeiros.
Também foram registrados questionamentos quanto ao seu envolvimento anterior com o movimento pela verdade sobre o 11 de setembro, sendo frequentemente contrastadas suas críticas a determinados governos com declarações passadas sobre teorias conspiratórias.
Por outro lado, há avaliações positivas que a descrevem como jornalista independente de destaque, reconhecendo sua atuação em contextos de cobertura alternativa de conflitos e questões internacionais.
Vida pessoal Além da atividade jornalística, dedica-se às artes visuais, com produção em pintura, fotografia e colagem, abordando temas políticos, naturais e psicodélicos. Suas obras já foram exibidas na Califórnia, sendo compreendidas como forma de expressão crítica e reflexiva sobre a realidade contemporânea. É casada com Mike Prysner, também envolvido no The Empire Files e veterano da Guerra do Iraque. O casal teve o primeiro filho em 31 de maio de 2020 e o segundo em 29 de janeiro de 2023.
Ligações externas
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