O Homem Mais Inteligente da História é um romance do escritor brasileiro Augusto Cury, publicado originalmente pela Editora Sextante em 3 de outubro de 2016. Protagonizado pelo psiquiatra fictício Marco Polo, o livro acompanha uma investigação sobre a personalidade e o comportamento de Jesus de Nazaré, interpretados pelo personagem a partir de campos como psicologia, psiquiatria, sociologia e outras áreas das ciências humanas, em contraste com uma abordagem estritamente religiosa.
O livro integra o ciclo de romances protagonizados por Marco Polo e iniciou uma trilogia continuada por O Homem Mais Feliz da História (2017) e concluída por O Maior Líder da História (2020). O personagem já havia aparecido anteriormente em O Futuro da Humanidade (2005) e Armadilhas da Mente (2013), obras que também são reunidas pela Sextante em sua coleção dedicada a Marco Polo.
A obra alcançou destaque comercial no mercado editorial brasileiro. Mesmo publicada apenas no último trimestre de 2016, terminou aquele ano com 78 965 exemplares registrados pela lista de mais vendidos do PublishNews na categoria ficção. Em 2017, foram contabilizados 131 062 exemplares, resultado que levou a obra a liderar a categoria ficção do Prêmio Avena PublishNews.
Publicação O Homem Mais Inteligente da História foi lançado no Brasil pela Editora Sextante em 3 de outubro de 2016, em edição impressa de 272 páginas, formato de 16 × 23 cm e . A edição eletrônica, publicada no mesmo dia, recebeu o .
Segundo a apresentação editorial da Sextante, Cury afirmou ter dedicado cerca de quinze anos de estudos e pesquisas à concepção da obra e a descreveu, à época, como um trabalho particularmente importante de sua carreira.
Em Portugal, o livro foi publicado pela Editora Pergaminho em abril de 2017. A edição portuguesa possui 288 páginas e .
Uma edição em língua espanhola, intitulada El hombre más inteligente de la historia, foi lançada pela editora Océano em 2018, com 348 páginas. Uma edição posterior foi publicada para outros mercados de língua espanhola sob o selo Biblioteca Augusto Cury.
Em 2024, uma edição em inglês foi publicada pela Free Mind Publish LLC com o título The Smartest Man in History: Exploring the Mind of Humanity's Most Captivating Figure. A edição possui 302 páginas e .
Enredo Marco Polo é um cientista e psiquiatra especializado no funcionamento da mente humana e na gestão das emoções. Após enfrentar uma grave perda pessoal e conflitos em sua vida familiar, ele viaja a Jerusalém para participar de um encontro relacionado à Organização das Nações Unidas (ONU). Durante uma de suas exposições, na qual discute a capacidade dos grandes pensadores da história de administrar suas próprias emoções, é confrontado com uma pergunta: Jesus teria sido capaz de gerenciar a própria mente?
Ateu convicto, Marco Polo inicialmente rejeita a questão sob o argumento de que ciência e religião pertencem a campos distintos. Instigado pelo debate, porém, decide analisar a personalidade de Jesus evitando, tanto quanto possível dentro da narrativa, explicações de natureza sobrenatural. O objetivo passa a ser examinar seus comportamentos, reações e relações humanas a partir de conceitos psicológicos, psiquiátricos, sociológicos e psicopedagógicos.
A investigação tem como uma de suas principais referências narrativas o Evangelho segundo Lucas. Marco Polo participa de debates com especialistas de diferentes formações e convicções religiosas. Entre eles estão Thomas Hilton, teólogo protestante formado em Harvard; Alberto Mullen, psicólogo e teólogo ligado ao Vaticano; Michael Herman, médico e pesquisador em neurociências; e Sofia, psiquiatra que atua como moderadora das discussões.
Ao longo das mesas-redondas, os personagens analisam episódios da vida de Jesus procurando identificar características associadas a autocontrole, resistência à frustração, capacidade de reflexão, criatividade, empatia, liderança, humildade e gerenciamento das emoções. Ao mesmo tempo, os debates passam a provocar mudanças na maneira como os próprios participantes interpretam suas experiências pessoais.
A investigação afeta especialmente Marco Polo, cujas relações familiares são marcadas pela morte da esposa Anna e pelos conflitos envolvendo seu filho Lucas. A experiência leva o personagem a reconsiderar parte de suas próprias convicções e a confrontar questões ligadas ao luto, à culpa, ao perdão e à relação entre racionalidade e experiência emocional.
Personagens Entre os principais personagens estão:
Marco Polo — psiquiatra e pesquisador ateu que conduz a investigação sobre o comportamento e a personalidade de Jesus. Sofia — psiquiatra que participa das discussões e atua como moderadora das mesas-redondas. Thomas Hilton — teólogo protestante com formação acadêmica em Harvard. Alberto Mullen — psicólogo e teólogo relacionado ao Vaticano. Michael Herman — médico e pesquisador da área de neurociências que vive em Jerusalém. Anna — esposa de Marco Polo, cuja morte constitui um dos principais acontecimentos anteriores ao início da investigação. Lucas — filho de Marco Polo e Anna, cuja trajetória é marcada por conflitos familiares e problemas relacionados ao uso de drogas. Amadeus — pai de Anna, que responsabiliza Marco Polo por acontecimentos envolvendo sua filha.
Temas e abordagem Psicologia e gestão das emoções A gestão das emoções constitui um dos temas centrais do romance. A narrativa apresenta situações nas quais os personagens discutem o autocontrole, a ansiedade, a tolerância às frustrações, a empatia, a capacidade de lidar com perdas e a formação da personalidade.
Essas questões são desenvolvidas por meio do personagem Marco Polo, que procura avaliar a conduta de Jesus como objeto de uma investigação comportamental. A proposta narrativa não consiste em reconstruir historicamente a vida de Jesus, mas em interpretar passagens do Novo Testamento a partir dos conceitos psicológicos utilizados por Cury.
Ciência e religião Outro eixo recorrente é a relação entre ciência e religião. A condição inicial de Marco Polo como ateu funciona como contraponto às perspectivas religiosas de outros participantes das mesas-redondas. A investigação procura, dentro da lógica ficcional do romance, separar a análise da personalidade de Jesus das afirmações relacionadas à sua natureza divina.
A própria distinção, contudo, torna-se progressivamente menos definida à medida que os acontecimentos pessoais vivenciados pelos personagens permitem também interpretações de natureza religiosa ou espiritual. Na análise publicada pela revista acadêmica Paralellus, Sérgio da Cunha Falcão observou que a narrativa mantém aberta ao leitor a possibilidade de interpretar determinadas transformações dos personagens tanto por explicações psicológicas e sociais quanto por uma perspectiva espiritual.
Jesus como personagem de análise A obra utiliza episódios dos evangelhos para discutir diferentes características atribuídas a Jesus. Entre os tópicos examinados estão suas respostas ao estresse, a escolha dos discípulos, a relação com grupos socialmente marginalizados, sua reação diante de conflitos e sua capacidade de influenciar outras pessoas.
Em vez de concentrar a narrativa nos milagres ou na teologia cristã, Cury enfatiza comportamentos que interpreta como manifestações de inteligência emocional e capacidade de gerenciamento da própria mente.
Literatura e divulgação de conceitos psicológicos O romance combina elementos de ficção com conceitos recorrentes na produção de não ficção de Cury. A Editora Sextante classifica o livro dentro de desenvolvimento pessoal, enquanto bases bibliográficas também o relacionam à ficção psicológica, psicologia das emoções e autoajuda.
Recepção Recepção acadêmica Em 2017, o médico e pesquisador Sérgio da Cunha Falcão publicou uma resenha acadêmica sobre a obra na Paralellus Revista de Estudos de Religião, periódico da Universidade Católica de Pernambuco. Falcão identificou como tema central do livro o estudo da mente do homem Jesus e destacou a utilização de debates envolvendo participantes de diferentes formações científicas e religiosas.
O autor da resenha considerou relevante a ênfase do romance em valores como altruísmo, compaixão, empatia e alteridade, mas apontou limitações na fundamentação teórica de determinadas ideias apresentadas no livro. Em particular, afirmou sentir falta de comparações mais aprofundadas entre as teses utilizadas por Cury e autores clássicos da psicologia e da psiquiatria, mencionando Sigmund Freud, Carl Gustav Jung e, sobretudo, Viktor Frankl.
Falcão também relacionou a noção de um "Eu" capaz de gerir a própria mente, recorrente na obra de Cury, a conceitos discutidos por Frankl sobre liberdade, responsabilidade e busca de sentido, embora tenha ressaltado que essas relações não são desenvolvidas sistematicamente no romance.
Desempenho comercial O livro tornou-se um dos principais sucessos comerciais de Augusto Cury na segunda metade da década de 2010. Em novembro de 2016, poucas semanas após o lançamento, estreou no primeiro lugar da lista Nielsen-PublishNews de ficção entre autores nacionais.
Na semana anterior ao Natal de 2016, foram registrados 13 446 exemplares vendidos, colocando a obra em segundo lugar na lista geral do PublishNews, atrás de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.
O livro encerrou 2016 com 78 965 exemplares contabilizados pelo ranking anual de ficção do PublishNews, ficando na quinta posição da categoria apesar de ter sido lançado apenas em outubro.
Em janeiro de 2017, O Homem Mais Inteligente da História liderou a lista geral mensal do PublishNews, com 24 810 exemplares, quase 4 500 unidades a mais do que o segundo colocado.
Ao final de 2017, o título havia acumulado 131 062 exemplares contabilizados naquele ano pelo PublishNews, tornando-se o livro de ficção mais vendido no levantamento da publicação e recebendo o Prêmio Avena PublishNews da categoria.
Uma reportagem de janeiro de 2018, originalmente produzida pelo jornal O Estado de S. Paulo, informou que aproximadamente 350 mil exemplares do livro haviam sido vendidos desde novembro de 2016. A mesma reportagem mencionou o interesse de Cury em transformar a trilogia em uma série televisiva internacional.
A permanência comercial da obra estendeu-se pelos anos seguintes. Em junho de 2018, ainda ocupava o segundo lugar da lista Nielsen-PublishNews de ficção, enquanto uma edição econômica também aparecia entre os vinte primeiros títulos. Em outubro de 2019, três anos após o lançamento, voltou a aparecer na primeira posição do ranking Nielsen-PublishNews de ficção.
Série de livros Trilogia O Homem Mais Inteligente da História A narrativa iniciada neste livro foi posteriormente desenvolvida como uma trilogia:
O Homem Mais Inteligente da História — (Sextante, 2016); O Homem Mais Feliz da História — (Sextante, 2017); O Maior Líder da História — (Sextante, 2020).
O Maior Líder da História foi apresentado na imprensa como o terceiro volume da série iniciada por O Homem Mais Inteligente da História, substituindo o então anunciado e ainda sem título "Livro 3" que aparecia em divulgações anteriores.
Ciclo de Marco Polo Marco Polo aparece em uma série mais ampla de romances de Augusto Cury. A coleção atualmente reunida pela Sextante inclui:
O Futuro da Humanidade — 2005; Armadilhas da Mente — 2013; O Homem Mais Inteligente da História — 2016; O Homem Mais Feliz da História — 2017; O Maior Líder da História — 2020; O Médico da Emoção — 2022.
Prequela O Futuro da Humanidade, publicado originalmente em 2005, apresenta Marco Polo ainda como um jovem estudante de medicina e narra sua tentativa de humanizar a relação entre profissionais de saúde e pacientes psiquiátricos. A obra é apresentada pela Sextante como "a primeira aventura de Marco Polo" e marcou a estreia de Augusto Cury na ficção. Em Portugal, foi publicada como A Saga de um Pensador, pela Bertrand Editora, em 2008.