A Ferrovia de Integração Centro Oeste - FICO (EF-354), é uma ferrovia transversal brasileira em construção, com aproximadamente 1.641 quilômetros de extensão, em bitola larga, que interligará a Ferrovia Norte-Sul em Mara Rosa (GO), até Vilhena (RO) para o escoamento da produção de grãos da região Centro Oeste. Esta ferrovia é parte do contexto do projeto da Ferrovia Transoceânica, que busca conectar o litoral atlântico brasileiro ao litoral peruano do Oceano Pacífico. O projeto e construção desta ferrovia está a cargo da Infra S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transporteshttp://www.valec.gov.br/ferrovias/ferrovia-transcontinental/a-ferrovia-transcontinental.

Características A FICO tem como objetivo inicial, propor uma opção logística ferroviária eficiente para o escoamento da produção de grãos da região Centro Oeste (maior produtor nacional), em direção aos portos brasileiros de grande capacidade, acessados a partir da Ferrovia Norte-Sul e consequentemente a malha nacional. Já no contexto da Ferrovia Transoceânica, a FICO terá como objetivo oferecer ligação da produção nacional aos portos peruanos do Oceano Pacífico, reduzindo drasticamente o custo do transporte marítimo de grãos e minérios exportados para a Ásia e o Oriente Médio.

O projeto da Ferrovia de Integração Centro Oeste é dividido em três trechos: Mara Rosa (GO) a Aguá Boa (MT) - Será o primeiro trecho a ser construído com 383 km, iniciando no entroncamento com a FNS em Goiás e atingindo a região produtora do Vale do Araguaia, no Leste de Mato Grosso. Este trecho teve o Projeto Básico finalizado em dezembro de 2010, contratado pela VALEC.

Aguá Boa (MT) a Lucas do Rio Verde (MT) - Esta extensão com cerca de 505 km, alcançará a produção de grãos (principalmente soja e milho) do centro norte do estado de Mato Grosso, maior região produtora de soja do Brasil (o correspondente a cerca de 10% da produção mundial desse grão). Este trecho teve o Projeto Básico finalizado em fevereiro de 2012http://www.valec.gov.br/ferrovias/ferrovia-transcontinental/trechos/campinorte-go-agua-boa-mt-lucas-do-rio-verde-mt.

Lucas do Rio Verde (MT) a Vilhena (RO) - Este último trecho com aproximadamente 646 km, alcançará a região produtora de grãos do sul do estado de Rondônia e possibilitará o transporte mais eficiente de combustíveis e industrializados vindos de outras regiões do país, em direção ao estadohttp://www.valec.gov.br/ferrovias/ferrovia-transcontinental/trechos/lucas-do-rio-verde-mt-vilhena-ro.

História A EF-354 tem origem no projeto de ferrovia denominada inicialmente Ferrovia Transulamericana, idealizada na década de 1950, com o objetivo de ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico. Entretanto, o projeto não avançou durante décadas até ser incluído no Plano Nacional de Viação por meio da Lei 11.772, de 17 de setembro de 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Ferrovia Transoceânica.

Esta mesma lei outorgou à VALEC a construção, uso e gozo do trecho da ferrovia entre Campinorte (GO) e Vilhena (RO), chamada Ferrovia de Integração Centro Oeste, que começou os estudos para a implantação ainda em 2008.

O EIA-RIMA e o Projeto Básico, contemplando o segmento de Campinorte (GO) a Água Boa (MT), foram contratados pela VALEC e finalizados em dezembro de 2010. Ainda em 2010, o projeto foi incluído na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, mas sem avanços no inicio da construção. Em fevereiro de 2012, o trecho Aguá Boa a Lucas do Rio Verde (MT) teve o Projeto Básico finalizadohttps://www.ppi.gov.br/concessao-da-ef-354-ferrovia-de-integracao-centro-oeste.

Em junho de 2015, foi assinado um acordo entre os governos da China, Brasil e Peru para viabilizar a realização de estudos sobre a construção da Ferrovia Transoceânica, considerando a ligação entre a Ferrovia Norte-Sul e o litoral peruano. A construção seria iniciada ainda em 2015, porém o prazo previsto não foi cumprido.http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/brasil-china-complementaridade-ou-dependencia

Em julho de 2018, o presidente Michel Temer anunciou a vinculação da construção do trecho Campinorte-Água Boa da Ferrovia de Integração Centro-Oeste a mineradora VALE, como contrapartida ao pagamento do Valor de Outorga pela prorrogação antecipada do contrato de concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas e da Estrada de Ferro Carajás, por mais 30 anos, baseado nos termos da Lei 13.448 de 2017. A Vale terá o prazo de até cinco anos para concluir a ferrovia, que depois de pronta será entregue ao governo para ser licitada.

Em 2019, o projeto passou por revisão pelos técnicos da VALEC, o que resultou na mudança do ponto inicial da ferrovia de Campinorte para Mara Rosa (GO), aproveitando as características da topografia da região e evitando a operação assistida por helper.

Início das Obras No dia 18 de dezembro de 2020, a Vale S/A, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Infra S.A., assinaram os termos aditivos dos contratos de prorrogação antecipada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), onde R$ 2,73 bilhões do valor da outorga foi destinado para a construção do trecho Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT), em forma de Investimento Cruzado. A Vale ficou responsável pelas obras e terá o prazo de cinco anos para finalizar o empreendimento|Ferrovia de Integração do Centro-Oeste - Infra S.A..

Em setembro de 2021, a Vale iniciou as obras a partir do entroncamento com a EF-151 em Mara Rosa (GO), executando ações de desmonte de rochas, terraplanagem e fabricação de aduelas. As primeiras 1.800 toneladas de trilhos chegaram ao canteiro de obras em março de 2023. O marco inicial de contagem das obras da FICO I (Trecho entre Mara Rosa e Água Boa) foi datado em 18/04/2023, após publicação no DOU da DECISÃO SUFER Nº 52, DE 14 DE ABRIL DE 2023, da ANTT.

No início de 2026, as obras avançaram para a fase de construção da superestrutura ferroviária em um trecho de 132 quilômetros a partir do município de Mara Rosa (GO). O assentamento de lastro, dormentes e trilhos foi executado por meio do método de produção em linha contínua semiautomático. Para isso, utilizou-se o equipamento de construção de novas vias conhecido como NTC (New Track Construction), ou trem de renovação de vias.

Traçado TrechoData de inauguraçãoComprimento (km)Comprimento desde Mara Rosa (km)Inicio das obrasObservações e ConexõesMara Rosa (GO) - Água Boa (MT)2028 (previsto)3833832021Conexão com a Ferrovia Norte-Sul (EF-151), em Mara Rosa. Ponte sobre o Rio Araguaia e integração com a Hidrovia Tocantins-Araguaia. Conexão com a BR-158 próximo a Água Boa (MT).Água Boa (MT) - Lucas do Rio Verde (MT)Indefinido505888IndefinidoEntroncamento ferroviário com a Ferronorte (EF-364) e com Ferrogrão (EF-170) em Lucas do Rio Verde (MT).Lucas do Rio Verde (MT) - Vilhena (RO)Indefinido6461534IndefinidoConexão com a BR-364 em Vilhena (RO).

Prolongamento Uma extensão de aproximadamente 770 quilômetros entre Vilhena e Porto Velho (RO) está em estudo pelo governo federal, possibilitando a integração com a Hidrovia do Madeirahttp://www.valec.gov.br/ferrovias/ferrovia-transcontinental/trechos/vilhena-ro-porto-velho-ro.

Ver também Ferrovia Transoceânica

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