A História de Telêmaco Borba teve início quando os primitivos autóctones, indígenas da nação Tupi-Guarani, ocuparam os campos nativos do Segundo Planalto Paranaense. As terras de Telêmaco Borba além de indígenas, tiveram a presença de jesuítas, bandeirantes, tropeiros, imigrantes e diversos exploradores, que contribuíram para o contexto histórico local e regional.

O território, ocupado originalmente pelos índios caingangues, foi desbravado primeiramente no século XVII, entre os anos de 1622 e 1628, pelos jesuítas espanhóis quando fundaram por volta de 1625 a redução Nuestra Señora de la Encarnación, no vale do rio Tibagi, na região de Telêmaco Borba. Já no século XVIII, a região começou a ser povoada por latifundiários e os campos de Telêmaco Borba foram inicialmente utilizados para invernadas, onde animais da atividade pecuária descansavam e engordavam, consequência da passagem de tropeiros que levavam tropas de animais do Rio Grande do Sul à feira de Sorocaba, através do Caminho das Tropas. Alguns viajantes e outros forasteiros se apossaram de terras na região, às margens de rios, que serviam como pontos de parada. Em 1890 a Fazenda do Alegre foi herdada por Ana Luísa Novais do Canto e Silva, que era casada com o Barão de Monte Carmelo. Em 1934, a Fazenda Monte Alegre foi adquirida em leilão pelos irmãos Klabin. Com a instalação das Indústrias Klabin na Fazenda Monte Alegre em 1940, surgiu o primeiro núcleo habitacional, Lagoa, que passou a ser a sede da fazenda, ainda no município de Tibagi.

O centro urbano da sede do município de Telêmaco Borba foi idealizado pelo engenheiro Horácio Klabin e inicialmente projetada pelo projetista alemão Max Staudacher em meados da década de 1950. A cidade está localizada no estado do Paraná, a 235 km da capital paranaense, Curitiba. Em 5 de julho de 1963, através da Lei Estadual n° 4.738, foi criado o município, sendo emancipado de Tibagi e instalado em 21 de março de 1964. Segundo o IBGE, o município possui uma área territorial de 1382.86 km², sendo que aproximadamente 93% do território é de propriedade da Klabin S.A.. Possui uma população estimada em habitantes (IBGE/2018) e em 2010 possuía 97,95% da população vivendo na área urbana.

Origens e antecedentes No passado, o atual território municipal de Telêmaco Borba pertenceu ao extinto território da República do Guairá. Entre 1622 e 1628 os jesuítas espanhóis fundaram mais de onze reduções no Guayrá, entre elas Nuestra Señora de la Encarnación, fundada por volta de 1625 no vale do rio Tibagi, na região de Telêmaco Borba. Esta redução estava localizada cerca de 50 km a norte da atual cidade de Telêmco Borba, na atual localidade de Natingui, no município vizinho de Ortigueira.

A partir de 1627 começaram os ataques bandeirantes em busca de indígenas fora das reduções e a partir de 1629 começaram a atacar também as reduções do Guairá. Em 1628, os bandeirantes Antônio Raposo Tavares e Manuel Preto construíram um forte na margem esquerda do rio Tibagi. Os indígenas sobreviventes concentrados nas duas únicas reduções restantes intactas (Loreto e San Ignacio Mini), no final de 1631, conduzidos pelo padre Antonio Ruiz de Montoya protagonizaram o Êxodo Guairenho, afastando muitos nativos da região.

Somente em 1750, o Tratado de Madri estabeleceu os limites entre Espanha e Portugal, abolindo a linha do Tratado de Tordesilhas, reconhecendo o território de Guayrá, e consequentemente toda essa região de terras, como domínio português. Considera-se que a ocupação brasileira da região do Guayrá se afirmou definitivamente por volta de 1870 com o final da Guerra da Tríplice Aliança. Durante a ocupação portuguesa e durante grande parte da história brasileira do século XIX, o Guayrá fazia parte da província de São Paulo, depois de 1853 se tornou o estado (então província) do Paraná.

Os primórdios da Fazenda Monte Alegre As terras da região foram mencionadas pela primeira vez em uma carta de concessão de sesmarias, que data meados de 1727. Mesmo antes desse período até a compra da Fazenda Monte Alegre pelos irmãos Klabin em 1941, as terras tiveram a presença de indígenas, jesuítas, tropeiros, bandeirantes, imigrantes e diversos exploradores que contribuíram para o contexto histórico local e regional.

Em 27 de maio 1724 foi certificado junto ao Livro do Tombo da Vila de Santos a justificativa da posse sobre "uns campos na paragem chamada o Alegre", o requerente era João Pereira Braga. Em 1727, a paragem chamada Alegre, foi requerida por Manuel Gonçalves Aguiar. No entanto, ambos não chegaram a explorar as terras. Assim, a região entre os atuais territórios municipais de Telêmaco Borba e Tibagi, ficou conhecida como 'Campos do Alegre'.

Ainda no século XVIII, os Campos do Alegre, recebeu os escravos e os camaradas de Frei Bento Rodrigues, de Santo Ângelo, e sem sucesso, arriscaram-se em explorar a região, sendo expulsos pelos indígenas. Esse mesmo Frei tinha se estabelecido no Pouso do Iapó, atual cidade de Castro, e em 1751 havia liderado a construção de uma pequena capela de pau a pique, uma das primeiras capela católicas que atendia a região. Em 5 de março de 1775 foi criada a freguesia de Santa Ana do Iapó. Já em 24 de setembro de 1788, a freguesia de Santa Ana do Iapó, foi elevada à categoria de vila, com território desmembrado de Curitiba e denominação alterada para Vila Nova de Castro. Era a Vila de Castro que era responsável por atender toda a região, em diferentes serviços, como administrativos, jurídicos e religiosos.

Em janeiro de 1786 na vila de Curitiba, despacharam e noticiaram na Câmara dos Vereadores a petição de Inácio da Mota e Oliveira e seus três irmãos, que solicitavam sesmarias de campos e três léguas na paragem chamada Alegre e que estas já tinham sido descobertas e estavam desabitadas por receio dos conflitos com os índios.

Alguns anos mais tarde, José Felix da Silva Passos e Antônio Machado Ribeiro firmaram a posse de extensa área de terras na região do rio Tibagi. Dividiram as terras conquistadas, cabendo ao primeiro as sesmarias do Tibagi e as do Iapó, onde estavam localizadas as fazendas Boa Vista, Piraí Mirim, Taquara e Monte Alegre e, ao segundo, as terras para além do rio Tibagi. José Felix, casado com Onistarda Maria do Rosário, foi fiscal das minas de ouro e diamante na região do rio Tibagi, o primeiro juiz ordinário da vila de Castro (1789), Juiz de Conselho em 1793, além de Ajudante de Milícias em (1796), e Capitão de Ordenanças em Piraí e Furnas. José Felix da Silva Passos tornou-se um dos maiores latifundiários dos Campos Gerais, constituindo a Fazenda Fortaleza, pertencente a jurisdição da Vila de Castro.

Nesta mesma época foi incentivado a prática de alugar os campos para servir como pastagens, caracterizando assim o que foi denominado de invernadas. Alguns campos, considerados sem dono e inativos, eram destinados ao descanso das tropas e o aluguel das terras era uma oportunidade aos fazendeiros como fonte de renda. A invernada engordada os animais, principalmente durante o inverno, diminuindo assim os esforços aplicados para a prática da pecuária.

Já em 1808 a Câmara de Castro recebeu a responsabilidade, por meio de uma Carta Régia, de garantir a segurança na região. As tarefas couberam a liderança do fazendeiro José Felix da Silva Passos que comandou as batalhas contra os índios caingangues, sendo que um desses conflitos ocorreu cerca de 50 km da Fazenda Fortaleza, na atual localidade de Harmonia, que antes fora denominada Mortandade, por causa do massacre ocorrido contra os nativos. O episódio ficou conhecido como a Chacina do Tibagi, onde foi vingada a morte de Brígido de Castro. José Felix da Silva Passos era filho do casal português João José da Silva e de dona Mécia Catarina dos Passos e tornou-se um dos maiores latifundiários do Paraná naquela época.

Em 1820 quando o francês Auguste de Saint-Hilaire visitou a região, ele percorreu as fazendas dos Campos Gerais e destacou a Fazenda Fortaleza como a maior da Província, em uma extensão de 31 léguas quadradas e contava em média com cem escravos. O senhor da Fortaleza, José Felix, era tido como o latifundiário mais rico da Província de São Paulo, falecendo em 1822 e deixando sua fortuna para sua filha Ana Luíza da Silva e para seu neto Manoel Ignácio do Canto e Silva.

A Fazenda Velha

A Fazenda Velha, como ficou conhecida, tem sua origem na Fazenda Fortaleza, de propriedade de José Felix da Silva Passos. As terras dos Campos do Alegre passaram então a ser propriedade do comendador Manoel Ignácio do Canto e Silva, que foi também brigadeiro diretor geral dos índios e deputado provincial, neto de José Félix da Silva. Quando se apossou das terras, constituiu a Fazenda do Alegre e ordenou construir a ‘Casa Grande’, um casarão que passou a abrigar a sede da fazenda. O casarão foi construído pelos escravos e se tornou a principal edificação da fazenda. Em estilo colonial, foi considerada a primeira ocupação branca de fato nos Campos do Alegre.

A fazenda, agora denominada Fazenda Monte Alegre, fazia parte dos chamados “Sertões do Tibagi” e foi herdada em 1864, já no período do Brasil Imperial, pela esposa do militar federalista Bonifácio José Batista, conhecido como Barão de Monte Carmelo. O barão, que foi fazendeiro, vereador do município de Castro, deputado provincial, comandante da Guarda Nacional e colaborador financeiro da Revolução Federalista, foi casado com Ana Luísa Novais do Canto e Silva, filha do comendador Manoel Ignácio. O barão faleceu em 1897 e toda suas propriedades no Paraná passou para seus respectivos herdeiros.

Já em 1926 o francês Edouard Fontaine de Laveleye faz uma sociedade com os descendentes do barão formando um empreendimento que daria a origem a Companhia Agrícola e Florestal e Estrada de Ferro Monte Alegre, que tinham como objetivo na região explorar minérios, madeira, incentivos a agricultura, colonização e construção de estrada de ferro. A empresa obteve empréstimo junto ao Banco do Estado do Paraná, para garantir suporte financeiro nos investimentos, passando a fazenda com carácter de garantia. A companhia veio a falência e em 1932, a Fazenda Monte Alegre passou como propriedade ao Banco, devido a arrematação.

Em 1934, o interventor do Estado do Paraná, Manuel Ribas, ficou responsável pela Fazenda e designou seu assistente, o Sr. Alcebíades Marques, para atender pessoalmente as terras de Monte Alegre. Nos 60.000 alqueires, moravam cerca de 200 pessoas, espalhadas pelo imensa fazenda.

A chegada das Indústrias Klabin

Por volta de 1890, chegavam ao Brasil, vindos da Lituânia, as famílias Klabin, Lafer e Valmonnts de origem judaica, tendo a frente Salomão, Hessel Klabin, Miguel Lafer e Husterbe Valmonnt. Radicando-se em São Paulo e, iniciando as atividades no comércio e importação de papel, viram as possibilidades industriais do Brasil, e firmaram o propósito de implantar uma indústria de papéis e derivados.

Assim, em 1906, com o dinamismo de Maurício Klabin, instalaram a primeira fábrica de papel em Salto do Itu, município do Estado de São Paulo. Na década de 1930, a empresa passa a ser administrada pelos primos Wolff Kadischevitz, Horácio Lafer e Samuel Klabin. Por intermédio de Assis Chateaubriand e com os incentivos do presidente Getúlio Vargas, o governo apoiou o grupo para a produção de papel e para a expansão dos negócios. Sendo assim, com o propósito de expandir as suas atividades no fabrico de papel, em 1933, os Klabins, com o apoio do Interventor federal no Paraná, Manuel Ribas, adquiriram em leilão junto ao Banco do Estado do Paraná, em 1934, a Fazenda Monte Alegre no município de Tibagi, numa região florestal do Paraná, junto às margens do rio Tibagi, onde se aliavam a matéria-prima e a água, como elementos indispensáveis para o seu empreendimento.