thumb|upright=1.4|Gravura de Timișoara durante a ocupação otomana, publicada em 1685

Timișoara (, ; ou, antigamente Temeschburg ou Temeschwar; ; ; ; ) é a maior cidade da região histórica do Banato (parte da Transilvânia), Roménia. É o principal centro económico e cultural da Roménia ocidental, a terceira cidade mais populosa do país e a capital do distrito de Timiș.

O povoamento da área onde se encontra a cidade moderna remonta à Antiguidade. Há vários vestígios dácios e durante o período romano existiu um povoado na área, que persistiu durante as sucessivas ocupações que se seguiram à retirada dos romanos. A partir de 630, a região pertenceu ao Primeiro Império Búlgaro e a partir do início do passou a ser dominada por húngaras. Foi parte do Reino da Hungria, do qual foi brevemente capital na primeira metade do , até 1552, quando foi conquistada pelo Império Otomano. Durante pouco mais de um século foi capital do eialete (província otomana) de . Em 1716 foi conquistada pela Monarquia de Habsburgo. Na sequência do colapso da Áustria-Hungria após a Primeira Guerra Mundial, passou a fazer parte do Reino da Roménia em 1919. Em 1989, foi em Timișoara que estalou a revolução que poria fim ao regime comunista do ditador Nicolae Ceaușescu.

Antiguidade e Idade Média As descobertas arqueológicas atestam que a área onde atualmente se situa Timișoara foi habitada desde a Antiguidade. A primeira civilização identificável na região é a dos dácios, dos quais há diversos vestígios. Pelas moedas encontradas sabe-se que no período romano havia um povoado do qual não há registo históricos, mas que existiu ao longo da Idade Média. Após o domínio romano, a região foi governada por ostrogodos, hunos, gépidas, ávaros e finalmente pelo Primeiro Império Búlgaro, que dominou a região a partir de 630, até à conquista pelo Reino da Hungria no início do .

thumb|esquerda| fez de Temesvár a sua capital entre 1315 e 1323

Os achados arqueológicos num cemitério medieval mostram que na segunda metade do se instalou na área a oeste da cidade atual uma comunidade de guerreiros. Aproximadamente metade dos 41 túmulos continham objetos funerários, que incluíam pontas de seta, anéis de cabelo, brincos e braceletes, o que sugere que os sepultados mantinham os seus ritos pagãos. A colocação de pontas de seta em túmulos é documentada entre os guerreiros húngaros do na bacia Cárpata. A posição dos ossos dos braços em dez dos túmulos pode indicar que cristãos ou pessoas influenciadas pelo cristianismo também eram enterradas no cemitério. Vários tipos de anéis indicam que os habitantes locais tinha contactos comerciais com a península balcânica. O cemitério foi abandonado nas primeiras décadas do .

thumb|esquerda|A execução do líder rebelde sículo em Temesvár em 1514 numa gravura da primeira metade do

Em meados do , o geógrafo muçulmano Maomé Idrissi mencionou uma cidade chamada "T.n.y.s.b.r" que descreveu como próspera, situada a sul do rio "T.n.y.s.b.r" (Tisza). O historiador István Petrovics associa T.n.y.s.b.r com Temesvár, sugerindo que Idrissi se enganou na localização porque não tinha informação direta da cidade. O nome húngaro de Timișoara (Temesvár), significa castelo no rio Temes (Timiș). O castelo ou fortaleza é mencionado pela primeira vez no “Registo de Arad”, ., que menciona duas aldeias, Sep e Vrman, nas propriedades reais anexas à fortaleza "Demesiensis". Provavelmente era feita de barro e madeira, segundo o historiador Ferenc Sebők. A fortaleza, que se erguia em terrenos pantanosos junto ao rio Bega, um afluente do Temes, era a sede do ispano, ou líder do . Em 1241, a cidade foi destruída durante a invasão mongol da Hungria e da Polónia, mas as muralhas foram depois reconstruídas.

O rei fixou residência em Temesvár em 1315 devido a uma dúzia de poderosos (oligarcas feudais) se terem recusado a dar-lhe o controlo de vastos territórios noutras partes do reino. Nos anos seguintes foi construído um castelo real junto à velha fortaleza, a qual foi reconstruída em pedra. Segundo Petrovics, a existência duma igreja dedicada a Santo Elígio indica que nessa altura se fixaram na cidade artesãos italianos, pois esse santo era venerado principalmente em Nápoles. Os dominicanos instalaram-se na cidade antes de Csanád Telegdi ter sido consagrado bispo na sua igreja dominicana local no início de 1323. Após Carlos I ter restaurado a autoridade real, transferiu a sua corte de Temesvár para Visegrado, situada numa localização mais central, no verão de 1323. Os chamado "colonos convidados" (hospites de Themeswar) são mencionados pela primeira vez em 1341 e os "burgueses" (cives de Temeswar) em 1342. A etnicidade dos cidadãos raramente era mencionada mas os seus nomes ugerem que os "colonos convidados" e os burgueses eram húngaros. Há registos de cidadãos que se mudaram de Șemlacu Mare, Maráz e outras aldeias próximas para Temesvár, o que prova que a cidade se tinha tornado um centro regional importante. Em 1402 fixaram-se em Temesvár mercadores de Ragusa (atual Dubrovnik, na Croácia). Nos séculos XV e XVI também se instalaram na cidade búlgaros, romenos e sérvios. Por exemplo, o nome de Johannes Olaah ("João, o Valaco"), um burguês de Temesvár mencionado em 1539, sugere que ele era de origem romena.

Em meados do , Temesvár estava na linha da frente da guerra entre a Cristandade e os otomanos muçulmanos. Cruzados franceses e húngaros encontraram-se na cidade antes de irem para a Batalha de Nicópolis, em 1396. A partir de 1443, João Corvino (Ioan de Hunedoara), voivoda da Transilvânia, usou Temesvár como um reduto militar contra os otomanos, tendo construído uma poderosa fortaleza. A cidade foi repetidamente cercada pelos otomanos em 1462, 1476, 1491 e 1522. Em 1514, a maior revolta de camponeses na história da Hungria foi derrotada numa batalha perto de Temesvár e o seu líder sículo (Gheorghe Doja em romeno) foi torturado e executado, juntamente com 40 a 60 mil rebeldes. No local da execução ergue-se atualmente uma estátua de Santa Maria. Segundo a lenda, durante o suplício de Gheorghe Doja os monges jesuítas viram na sua orelha a imagem da Virgem Maria. A primeira estátua foi erigida no local em 1865, mas o monumento atual, da autoria do escultor György Kiss, data de 1906.

Domínio otomano thumb|upright| intitulada Após a captura de Temesvár

Devido à posição estratégica de Temesvár, os otomanos fizeram várias tentativas para tomar a cidade durantes as suas contra o Reino da Hungria. Apesar dos húngaros terem sofrido uma perda devastadora na Batalha de Mohács, em 1526, Temesvár só foi conquistada pelos otomanos em outubro de 1551.

Durante o período otomano, a cidade foi o centro administrativo do (província), rebatizado Eialete de Yanova em 1658. A fortaleza foi reconstruída e, a par de Belgrado, Temesvár foi uma das principais bases militares dos otomanos. Devido à sua natureza eminentemente militar, a cidade desenvolveu-se pouco durante a administração otomana. Temesvár tinha duas partes fortificadas: o castelo e a cidade propriamente dita, a qual estava rodeada por muralhas de madeira e de pedra, por sua vez rodeados de fossos inundados. Era defendida por 200 canhões. No interior das muralhas havia cerca de casas, escolas, estalagens e banhos públicos, enquanto que no exterior havia mais casas.

Período Habsburgo Os otomanos entregaram a cidade aos exércitos imperiais dos Habsburgos comandados pelo príncipe Eugénio de Saboia em 12 de outubro de 1716, durante a guerra austro-turca de 1716–1718. O príncipe Eugénio entrou na cidade em 18 de outubro e nomeou um dos seus oficiais, , como governador de Temesvár. A cidade ardeu durante o cerco, pelo que teve que ser completamente reconstruída sob a supervisão de Mercy. Temesvár foi oficialmente concedida pelos otomanos à Monarquia Austríaca dos Habsburgos pelo Tratado de Passarowitz (1718). A cidade tornou-se a capital do Banato de Temeswar, uma província separada dos Habsburgos, que foi abolida em 1778 para ser reincorporada no Reino da Hungria.

Sob a administração dos Habsburgos, em 1723 foi construída uma nova fortaleza de pedra e muralhas em redor da cidade. No interior das muralhas foram construídas casas, hospitais, escolas e igrejas, enquanto que no exterior foram construídas fábricas. Naquela década, a maior parte dos habitantes de Temesvár eram etnicamente sérvios, embora houvesse uma minoria de romenos. Mais tarde foram instalados na região colonos alemães, italianos e espanhóis. Os terrenos pantanosos em redor da cidade foram drenados e os rios Bega e Timiș foram regulados. A cidade continuou a ser um reduto militar com uma grande guarnição. Durante este período a cidade desenvolveu-se muito e a sua população cresceu. Em 1781 era uma das cidades mais importantes do império dos Habsburgos e por isso recebeu o estatuto de "", o que acelerou ainda mais o desenvolvimento. Devido à administração dos Habsburgo, a cidade passou a ser também conhecida pelos seus nomes alemães Temeschburg ("castelo no Temes") e Temeschwar. A cidade foi tomada e saqueada pelos otomanos em 1789, durante a .

thumb|esquerda|, travada em 9 de agosto de 1849, que marcou fim da revolução húngara de 1848

Durante a revolução húngara de 1848, os revolucionários apoderaram-se do governo húngaro. Devido ao comandante austríaco da guarnição de Temesvár ter decidido manter-se fiel aos Habsburgos, o exército húngaro levou a cabo um cerco fracassado que durou 114 dias. Numa fase mais tardia da revolução, a cidade foi tomada por tropas sérvias e durante um curto período foi a capital da Voivodina sérvia. O último grande confronto militar da revolução , a 9 de agosto de 1849.

O desenvolvimento da cidade prosseguiu depois da revolução. Em 1849 Temesvár tornou-se a capital da nova província dos Habsburgos chamada , a qual foi abolida em 1860. Na sequência do compromisso austro-húngaro de 1867, que unificou as administrações do Banato e da Transilvânia com as do Reino da Hungria, a cidade passou a ser a capital do .

Em 1853, a telegrafia chegou a Temesvár e em 1857 foi inaugurado a iluminação púbica a gás. No mesmo ano foi inaugurada uma linha ferroviária entre Temesvár e Szeged. Em 1867 foram introduzidos carros americanos (transporte público de tração animal sobre carris); os elétricos chegariam em 1899. Temesvár foi a primeira cidade europeia a ter iluminação pública elétrica, em 1884. A cidade foi também a primeira da Hungria a ter uma estação de ambulâncias.

A seguir à Primeira Guerra Mundial, após a efémera República do Banato pró-Hungria e a ocupação pelo exército sérvio, em 1919 a cidade foi incorporada no Reino da Roménia juntamente com a maior parte do Banato.

Revolução Romena de 1989

O movimento que derrubou o regime comunista e o ditador Ceaușescu começou em Timișoara em 16 de dezembro de 1989. O primeiro evento foi a reação popular à ordem de deportação do pastor húngaro calvinista László Tőkés emitida pela Securitate, a polícia política. A casa do pastor foi rodeada por membros da sua igreja e na praça central da cidade (Praça da Ópera) houve uma manifestação de apoio ao pastor na qual participaram cidadãos de etnia romena. A administração comunista ordenou ao exército que disparasse sobre os manifestantes, mas vários oficiais recusaram-se a abrir fogo e apoiaram os manifestantes. O regime caiu uma semana depois.

Cronologia da história de Timișoara 1019 — Em documentos datados do reinado do imperador bizantino é mencionada uma cidade chamada Dibiscos, Bisiskos, Tibiskos, Tibiskon ou Timbisko, o que alguns historiadores consideram a menção mais antiga a Timișoara. Esta identificação é constestada por vários historiadores.