thumb|300px|Carta topográfica do Brasil, representando a altimetria ou hipsometria. Relevo do Brasil tem formação muito antiga, resultando principalmente de atividades internas do planeta Terra e de vários ciclos climáticos. Apresenta diversos planaltos, planícies e depressões, decorrentes das formações da litosfera no Brasil.

O Brasil é um país de altitudes modestas: cerca de 40% do seu território encontra-se abaixo de 200 m de altitude, 45% entre 200 e 600 m, e 12%, entre 600 e 900 m. O território não apresenta grandes formações montanhosas, pois não existe nenhum dobramento moderno em seu território.

Os pontos mais altos do relevo brasileiro (que, no geral, é marcado por baixas altitudes) são: o Pico da Neblina (com 2995,3 metros de altitude)http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/02/montanha-mais-alta-do-brasil-cresce-152-metro-apos-revisao-de-medida.html e o Pico 31 de Março (com 2974,18 m. de altitude).IBGE (2004).

Classificações

A seguir, são apresentadas de maneira geral algumas classificações antigas do relevo brasileiro, seguidas das classificações mais recentes de Ab'Saber e Ross, descritas em maiores detalhes.

Aires de Casal (1817) Embora o esquema do padre Aires de Casal (1817), um dos primeiros a tratar do assunto do relevo do Brasil, não tenha tido boa aceitação no país, nele são distinguidas, de modo sintético, quatro "serranias":Casal (1817), p. 28-29Azevedo (1949), p. 44. a serrania da Borborema (ou dos Cariris) a serrania da Mantiqueira; a serrania dos Órgãos (ou dos Aimorés) a serrania da Mangabeira (ou do Paraná)

Humboldt (1825) A classificação de Alexander von Humboldt (1825), baseada em parte nos trabalhos de Eschwege, teve boa aceitação ao longo do século XIX, e definiu as seguintes unidades para o território brasileiro:Humboldt (1825), p. 164-177, 221.Azevedo (1949), p. 49-45. o grupo das montanhas do Brasil, composto por três grandes cadeias paralelas, dispostas no sentido norte-sul: a cadeia oriental: Serra do Mar a cadeia central: Serra do Espinhaço e Serra da Mantiqueira a cadeia ocidental: a imaginária Serra das Vertentes as planícies do Amazonas as planícies dos pampas

Derby (1884) De acordo com Orville Derby (1884), foram estabelecidas as seguintes unidades físicas para o Brasil:Derby (1884). Regiões montanhosas Cadeia oriental ou marítima Cadeia central ou goiana Chapadões Chapadão do Paraná Chapadão do Amazonas Chapadão do São Francisco Chapadão do Parnaíba Planalto da Guiana Depressões Depressão do Amazonas Depressão do Paraguai Região atlântica

Engeln (1942) A classificação de O. D. Von Engeln (1942) foi a primeira realizada para a América do Sul como um todo.Engeln (1942).Ross (2016), p. 46. Nela, o território do Brasil abrange as seguintes unidades geomorfológicas, no original em inglês: A-1, Coastal Plains A-2, Piemont Plains A-4, Fluvial, Lacustrine and Deltaic Plains B-8, Interior Plateaus B-9, Open Basins with Centripetal Dips B-10, Lava Flow Plains and Plateaus E-17, Ancient Igneous Masses

Azevedo (1949) Aroldo de Azevedo (1949) reconheceu as seguintes unidades principais no conjunto do relevo brasileiro:Azevedo (1949), p. 43-44, 51-53. 1. Planalto Brasileiro a. Planalto Atlântico Serras Cristalinas: Serra do Mar (com suas diversas denominações locais), Paranapiacaba, Mantiqueira e Espinhaço Planalto Cristalinos: Planalto Nordestino (incluindo Borborema), Chapada Diamantina (Planalto Baiano), Planalto do Sul de Minas (ou do Alto Rio Grande) e Planalto do Pampa b. Planalto Central Escudo Sul-Antagónico (ou Bóreo-Brasília) Escudo Araguaio-Tocantino c. Planalto Meridional Depressão Periférica: Depressão Paulista, Planalto dos Campos-Gerais (ou Segundo Planalto paranaense), Depressão do Jacuí (no Rio Grande do Sul) Planalto Arenito-Basáltico: “cuestas” (serras de Maracaju, Caiapó, Itaquerí, São Pedro, Botucatu, Fartura, Esperança, Geral, Botucaraí, São Xavier, etc.), Planalto do Alto Paraná, Triângulo Mineiro, Planalto Ocidental de São Paulo, sudeste de Mato-Grosso, Planalto de Guarapuava (ou Terceiro Planalto paranaense), Planalto do Alto Uruguai (ou das Missões) 2. Planalto das Guianas 3. Planície Amazônica 4. Planície do Alto Paraguai ou do Pantanal 5. Planícies Costeiras

Ab'Saber (1964) Segundo com a classificação do geógrafo paulista Ab'Saber (de 1964, aprimorada em trabalhos subsequentes), pioneiro na identificação dos grandes domínios morfoclimáticos nacionais, podem ser identificados dois grandes tipos de unidades de relevo no território brasileiro: planaltos e planícies.Ab'Saber (1964), p. 155, 199-200.Ab'Saber (1970b), p. 10.

De acordo com o geógrafo, as unidades de relevo do Brasil são as seguintes, apresentando alguns termos variantes: Planaltos Planalto das Guianas Planalto Brasileiro, com cinco unidades: Planalto Central (ou Goiano Mato-grossense) Planalto Meridional (ou Gonduânico sul-brasileiro), Planalto do Maranhão-Piauí (ou do Meio-Norte) Planalto Nordestino (ou da Borborema) Serras e Planaltos do Leste e do Sudeste (ou Planalto Oriental e Sul-oriental, ou ainda, Planalto Atlântico do Brasil) Planalto Uruguaio-sul-rio-grandense (ou Planalto Uruguaio-rio-grandense) Planícies Planícies e Terras Baixas Amazônicas (ou Baixos Platôs [Tabuleiros] e Planícies da Amazônia) Planícies e Terras Baixas Costeiras (ou Baixos Platôs [Tabuleiros] e Planícies Costeiras) Planície do Paraguai (ou Planície do Pantanal Mato-grossense, Baixada Mato-grossense)Ab'Saber (1964), p. 163, 199.

Mais adiante, tal esquema é descrito em maiores detalhes.

Em 1967, o geógrafo desenvolveu outro importante esquema de classificação do território brasileiro, o de domínios morfoclimáticos e fitogeográficos, o qual, no entanto, leva em conta como critérios não apenas o relevo, mas também características climáticas e botânicas.Ab'Saber (1967).

Projeto Radambrasil (1973-1987) Entre 1973 e 1987, foram publicados os vários volumes do Levantamento de recursos naturais do Projeto Radambrasil,Projeto Radambrasil (1973-1987). cujas informações sobre relevo seriam sintetizadas em 1993 num mapa elaborado pelo IBGE. Neste mapa, foram identificadas 65 Unidades de Relevo, agrupadas em 15 Sub-Domínios e 3 Domínios Morfoestruturais.IBGE (1993).

Em 2006, uma segunda edição deste mapa ampliou o número de Unidades de Relevo para 167, em decorrência do detalhamento da Amazônia Legal (com subsídios do Projeto Sivam) e outras regiões.IBGE (2006).

Jurandyr Ross (1985)

Com levantamentos detalhados sobre as características geológicas, geomorfólogicas, de solo, de hidrografia e vegetação do país, foi possível conhecer mais profundamente o relevo brasileiro e chegar a uma classificação mais detalhada, proposta nos anos 1980 (com melhoras em trabalhos subsequentes) pelo geógrafo Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Na classificação de Ross, são consideradas três principais formas de relevo: planaltos, planícies e depressões.Ross (1985).Ross (1996).

Tendo participado do Projeto Radam e levado em consideração a classificação de Ab'Saber, Ross propôs uma divisão do relevo do Brasil tão detalhada quanto os novos conhecimentos adquiridos sobre o território brasileiro nos dois primeiros projetos. Por isso, ela é mais complexa que as anteriores. Sua proposta é importante porque resulta de um trabalho realizado com o uso de técnicas modernas, que permitem saber com mais conhecimento como é formado o relevo brasileiro. Esse conhecimento é fundamental para vários projetos (exploração de recursos minerais, agricultura) desenvolvidos no país.

Ross aprofundou o critério morfoclimático da classificação de Ab'Saber, que passou a fazer parte de um conjunto de outros fatores, como a estrutura geológica e a ação dos agentes externos do relevo, passados e presentes. Esta terceira classificação considera também o nível altimétrico, já utilizado pelo professor Aroldo de Azevedo, embora as cotas de altitude sejam diferentes das anteriores.

Desse modo, a classificação de Jurandyr Ross está baseada em três maneiras de explicar as formas de relevo:

Morfoestrutural: leva em conta a estrutura geológica;

Morfoclimática: considera o clima e o relevo;

Morfoescultural: considera a ação de agentes externos.

Cada um desses critérios criou um "grupo" diferente de formas de relevo, ou três níveis, que foram chamados de táxons e obedecem a uma hierarquia.

1º táxon: Considera a forma de relevo que se destaca em determinada área — planalto, planície e depressão.

2º táxon: Leva em consideração a estrutura geológica onde os planaltos foram modelados — bacias sedimentares, núcleos cristalinos arqueados, cinturões orogênicos e coberturas sedimentares sobre o embasamento cristalino.

3º táxon: Considera as unidades morfoesculturais, formada tanto por planícies como por planaltos e depressões, usando nomes locais e regionais.

O relevo de determinada região depende de sua estrutura morfológica. Tendo sido feita uma nova classificação do relevo, e corresponde uma nova análise da estrutura geológica brasileira.

As novas 28 unidades do relevo brasileiro foram divididas em onze planaltos, seis planícies e onze depressões.

Planaltos Compreendem a maior parte do território brasileiro, sendo a grande maioria considerada vestígios de antigas formações erodidas. Os planaltos são chamados de "formas residuais" (de resíduo, ou seja, do que ficou do relevo atacado pela erosão). Podemos considerar alguns tipos gerais:

Planaltos em bacias sedimentares, como o Planalto da Amazônia Oriental, os Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba e os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná. Podem ser limitados por depressões periféricas, como a Paulista, ou marginais, como a Norte-Amazônica.

Planaltos em intrusões e coberturas residuais da plataforma (escudos): São formações antigas da era Pré-Cambriana, possuem grande parte de sua extensão recoberta por terrenos sedimentares. Temos como exemplos os Planaltos Residuais Norte-Amazônicos, chamados de Planalto das Guianas nas classificações anteriores.

Planaltos em núcleos cristalinos arqueados. São planaltos que, embora isolados e distantes um dos outros, possuem a mesma forma, ligeiramente arredondada. Podemos citar como exemplo o Planalto da Borborema.

Planaltos dos cinturões orogênicos: são os planaltos que ocorrem nas faixas de orogenia antiga correspondem a relevos residuais por litologias diversas, quase sempre metamórficas associadas a intrusivas. Estas unidades estão em áreas de estruturas dobradas correspondentes aos cinturões Paraguai-Araguaia, Brasília e Atlântico. Nesses planaltos encontram se inúmeras serras, associadas a resíduos de estrutura dobradas intensamente, atacados por processos erosivos. Tem-se como exemplo; os planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste, os planaltos e serras de Goiás-Minas e As Serras residuais do alto Paraguai.

Depressões Nos limites das bacias com os maciços antigos, processos erosivos formaram áreas rebaixadas, principalmente na Era Cenozoica. São as depressões, onze no total, que recebem nomes diferentes, conforme suas características e localização.

Depressões periféricas: Nas regiões de contato entre estruturas sedimentares e cristalinas, como, por exemplo, a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense.

Depressões marginais: Margeiam as bordas de bacias sedimentares, esculpidas em estruturas cristalinas, como a Depressão Marginal Sul-Amazônica.

Depressões interplanálticas: São áreas mais baixas em relação aos planaltos que as circundam, como a Depressão Sertaneja e do São Francisco.