Jason Dracon Brochado Filho (Belém, 12 de fevereiro de 1940), mais conhecido como Vila, é um ex-futebolista brasileiro que jogava como ponta-direita. É o nono maior artilheiro do Paysandu, com exatos cem gols, onze deles no clássico Re-Pa. Foi oito vezes campeão pelo clube ao longo das décadas de 1960 e de 1970,DA COSTA, Ferreira (2013). Vila - Craque foi um padrão de disciplina. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 300-301 participando de algumas das maiores linhas de ataque do time, acompanhando dentre outros Carlos Alberto Urubu, Ércio e Bené, todos entre os dez maiores artilheiros alviazuis.
Vila, que chegou a ser o sétimo maior goleador do "Papão" (foi depois superado por Cabinho, o atual quinto, e por Zé Augusto, o atual sétimo), segue no Paysandu atualmente, como um dos "beneméritos atletas" do Conselho Deliberativo do clube. Como jogador, era bastante disciplinado, não havendo registros de expulsões, embora não pudesse receber o Prêmio Belfort Duarte (oferecido a quem completava dez anos sem ser expulso) por não existir arquivo de súmulas na Federação Paraense de Futebol na época.
Carreira Inícios e Júlio César
Seu apelido surgiu na família, por ele assiduamente frequentar partidas de futebol em uma vila no seu bairro da Pedreira. Sua primeira equipe chamou-se São Raimundo e era daquele bairro. Dali passou ao Estrela do Mar, onde foi descoberto por Arleto Guedes, destacado jogador do Paysandu na década de 1940,DA COSTA, Ferreira (2013). Arleto Guedes - Expulsão do craque resultou nos 7 x 0. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 41-42 e que em 1959 havia treinado a seleção paraense no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais.DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331 Arleto o convenceu a se profissionalizar no Júlio César.
Vila apareceu no time principal do "Julico" em 1960. Embora profissional, não havia salários fixos: a remuneração vinha de "bichos" em caso de vitória. O clube contava com Abimael e Macaco,DA COSTA, Ferreira (2013). 1960 - Remo teve de voltar ao campo para confirmar título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 122-127 antigos colegas de Vila no Estrela do Mar. Vila esteve no empate em 1–1 arrancado pelo Júlio César contra o Remo, pelo estadual daquele ano, conquistado pelo oponente. O Júlio César, por sua vez, faturou o Torneio Início.
O Júlio César continuou conseguindo bons resultados contra os grandes na época. O estadual de 1961 foi vencido pelo Paysandu, mas após uma campanha acidentada, com pontos perdidos contra times menores e uso de três treinadores diferentes. O primeiro deles foi justamente Arleto Guedes, que não resistiu a um primeiro turno com muitos pontos perdidos contra equipes menores. O Júlio César venceu-o por 1–0 em plena Curuzu naquela fase e ao fim do turno foi a equipe mais bem colocada abaixo do trio principal formado por Paysandu, Remo e Tuna Luso. No segundo turno, treinado por Gentil Cardoso, o Paysandu novamente não pôde derrotar em casa o Júlio César, que conseguiu empatar em 2–2.DA COSTA, Ferreira (2013). 1961 - "Montinho artilheiro" colaborou e Papão ficou com o Campeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 129-131
O "Julico", adiante, chegou à final do segundo turno, reencontrando o Paysandu. Mais embalado, o adversário dessa vez levou a melhor, em duas partidas no neutro estádio da Tuna: 2–1 e 4–0, arrancando para confirmar o título em finalíssimas contra o rival Remo, vencedor do primeiro turno. Vila, por sua vez, era o centroavante daquele surpreendente Júlio César, e terminou recomendado ao campeão pelo próprio Gentil Cardoso. O valor da transferência foi de 150 cruzeiros, com Vila recebendo dez cruzeiros de salário fixo inicial.
Primeiros anos de Paysandu
Vila marcou em seu primeiro clássico Re-Pa. Foi em vitória por 3-2 sobre o arquirrival, em amistoso na Curuzu agendado em 21 de junho exatamente para que o visitantes entregassem aos alviazuis as faixas de campeões do estadual de 1961, só finalizado já em abril de 1962.DA COSTA, Ferreira (2015). 1962. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 90-92 Para o estadual próprio de 1962, Gentil Cardoso foi mantido como técnico do Paysandu, assim como a equipe-base, que pouco se alterou. Uma das mudanças foi a chegada de Vila, alinhado como meia-direita na campanha de novo título, conquistado sem maiores dificuldades. Seus dois primeiro gols no campeonato, curiosamente, vieram contra os ex-colegas do Júlio César, sendo os dois da vitória por 2–1 na Curuzu. Vila também destacou com três gols em uma só partida, na goleada de 4–1 sobre o Avante, e outros dois sobre o Júlio César, em vitória por 3-0.DA COSTA, Ferreira (2013). 1962 - Paysandu mantém Gentil Cardoso e chega fácil ao bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 132-135
Aquela conquista serviu para que o Paysandu ultrapassasse o rival Remo em número de títulos estaduais.DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233 Ao fim do ano, Vila fez sua única exibição pela seleção paraense: treinada por Gentil Cardoso, ela terminou precocemente eliminada na ocasião pelo Maranhão no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, em empate em 1–1 no estádio do Remo. Foi o último jogo da seleção do Pará até 1971.
Em paralelo, um tricampeonato estadual com o Paysandu veio em 1963 com a única turbulência ocorrendo em uma goleada sofrida de 7–1 no clássico com a Tuna Luso, já na rodada inicial do terceiro turno. Vila marcou três gols já na estreia; foram os três da vitória por 3-1 sobre o União Esportiva. No clássico com a Tuna no segundo turno, ele marcou duas vezes em empate em 3-3 na casa adversária. Vila também voltou a marcar em reencontros com o Júlio César, marcando um cada em vitória por 3-1 no segundo turno e por 4–1 no terceiro.DA COSTA, Ferreira (2013). 1963 - Sob a direção de Caim, Paysandu alcança o tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 136-138 Vila fez ao todo nove gols, sendo o segundo na artilharia do elenco campeão, abaixo dos quatorze de Carlos Alberto Urubu.DA COSTA, Ferreira (2002). 1963 - Tricampeão Paraense de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 68-69 Naquele ano, Vila também marcou gol em um Re-Pa amistoso vencido por 2–1 dentro do estádio remista, em abril.DA COSTA, Ferreira (2015). 1963. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 92-94
O Remo voltou a ganhar o título em 1964, embora tenha perdido cinco Re-Pas naquele ano. Vila marcou em três dessas partidas: em amistoso vencido por 5–3, fazendo o último gol do clássico; em um dos Re-Pas do estadual, por 2–1, resultado que deu o título do primeiro turno à Tuna Luso; e em amistoso vencido por 2–0 já em dezembro.DA COSTA, Ferreira (2015). 1964. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 94-96 No segundo turno dele, Vila não jogou o Re-Pa e o rival venceu por 2–0, na penúltima rodada, realizada já em janeiro de 1965.DA COSTA, Ferreira (2013). 1964 - Remo perde para o Liberato, se recupera, e conquista o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 139-141 Mas o Paysandu reagiu com um novo tricampeonato entre 1965 e 1967.
Em 1965, Vila alternou-se como centroavante, meia-esquerda e ponta-esquerda, em um ataque em que revezavam-se os reforços Edson Piola, Robilotta, além de Ércio, Laércio, Milton Dias, Milton Marabá e Oliveira. O estadual daquele ano, veio facilmente, com dez vitórias em doze jogos garantido em uma data festiva em 22 de novembro, na qual o Paysandu conseguiu também títulos estaduais nas categorias juvenil e aspirante. Vila marcou três vezes, um deles em vitória por 2–1 no clássico com a Tuna Luso. Além da conquista, outros momentos destacados ocorreram: o clube contratou o renomado goleiro Castilho,DA COSTA, Ferreira (2013). 1965 - Paysandu traz Castilho e dá um passeio no certame: É Campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 142-145 participante de quatro Copas do Mundo e vencedor de duas.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 74-75 E, com Vila presente, ganhou o título invicto em torneio internacional que reuniu Fast, Fortaleza e Transvaal.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão Invicto do Torneio Internacional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 69
Mas mais marcante ainda foi a vitória por 3–0 sobre o Peñarol, equipe das mais poderosas mundialmente na época e que mantinha uma invencibilidade de treze partidas, com recentes vitórias contra brasileiros naquele ano sobre Santos (3–2, após derrota de 5–4, e 2–1, todos pela Taça Libertadores da América de 1965) e Fluminense (3–1 em amistoso no Maracanã).1965 - Copa Uruguaya, Vice Campeón Copa Libertadores (2011). Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 122-123 Vila participou da partida como um dos reservas usados, entrando no lugar de Edson Piola. A vitória sobre os uruguaios rendeu crônica de Nelson Rodrigues no jornal O Globo, na época.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Paysandu 3 x 0 Peñarol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 70-71
O título estadual de 1966 teve o sabor extra de ocorrer no ano em que se celebravam os 350 anos da cidade de Belém,DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Bicampeão dos 350 Anos de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 76-77 o que motivou também um torneio municipal, igualmente vencido por Vila e o Paysandu, de forma invicta.DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Campeão do Torneio Cidade de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 77 O Estadual também veio de forma invicta, com Vila deslocado à ponta-direita em um ataque consolidado no meio com Robilotta e o reforço Bené. Vila marcou duas vezes, uma delas em vitória por 2–0 no clássico com a Tuna dentro do estádio cruzmaltino.DA COSTA, Ferreira (2013). 1966 - Paysandu forma a dupla Bené-Robilota e conquista o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 146-148 Naquele ano, Vila também marcou o único gol de Re-Pa amistoso realizado em maio no estádio azulino, válido pelas comemorações do jubileu de prata da Federação Paraense de Desportos; no clássico, marcou ainda em outro amistoso, vencido por 3–1 em setembro.DA COSTA, Ferreira (2015). 1966. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 100-102
Anos finais de Paysandu
Vila foi novamente campeão estadual em 1967, mas só participou da estreia, marcando um gol no 6–1 sobre o Liberato de Castro; a ponta-direita foi revezada entre Zezinho e Okada.DA COSTA, Ferreira (2013). 1967 - Paysandu levanta o tricampeonato, após 5 clássicos Re-Pa emocionantes. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 149-152 Em 1968, Vila e o Paysandu destacaram-se sobretudo pela vitória de 1–0, no estádio da Curuzu, sobre a seleção romena, uma das mais fortes da Europa na época e que se classificaria à Copa do Mundo FIFA de 1970. Vila esteve na titularidade como ponta-direita.DA COSTA, Ferreira (2002). 1968 - Seleção da Romênia provou do veneno: 1 x 0. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 80 Vila também marcou em o único gol em Re-Pa amistoso realizado em dezembro, já após o rival ter sido o campeão estadual de 1968.DA COSTA, Ferreira (2015). 1968. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 107-109