Museu Nacional Resistência e Liberdade é um museu situado em Peniche, na região Oeste e no extremo sul do distrito de Leiria em Portugal. Está instalado no Forte de Peniche, monumento nacional desde 1938 Fortaleza de Peniche – descrição e história, Património Cultural, na encosta sul da Península de Peniche, por sobre as escarpas, entre o porto de pesca, a leste, e a Gruta da Furninha a oeste. A Cidadela do Mar – roteiro do museu-fortaleza de Peniche de Jean-Yves Blot, edição da Câmara Municipal de Peniche, 1986 Molhe do Portinho do Revez – artigo histórico sobre a construção dos molhes do porto de Peniche entre 1935 e 1974 em Ceocahing

Inicialmente designado como Museu de Peniche aquando da sua criação, em abril de 1985, é também conhecido como Museu Municipal de Peniche, em sentido restrito : o museu reúne desde então um espólio recolhido por Nery Delgado na gruta da Furninha, objectos recuperados em trabalhos de arqueologia subaquática e terrestre da região de Peniche bem como objectos recolhidos em terrenos do ilhéu da Papoa PAPÔA – descrição em Portugal num mapa por Jean-Yves Blot, provenientes do naufrágio do galeão San Pedro de Alcântara Jean-Yves Blot (biografia em Babelio) além de uma colecção de malacologia (ramo da biologia que estuda os moluscos), de construção naval e de artesanato local (rendas de bilros). 320px|direita|thumb|Fosso da cidadela (a oeste)

Junta-se a isso mais recentemente um importante espólio de cerâmica romana (com íntima relação histórica com as cetárias das ruínas romanas de Tróia Uma perspectiva sobre Tróia a partir das ânforas. Contribuição para o estudo e circulação das ânforas romanas em território português - artigo de A. M. Dias e Laura Trindade, O Arqueólogo Português, Série IV, 16, 1998, p. 187-220 Ânforas de escavações no povoado industrial romano de Tróia, Setúbal – artigo de A.M. Dias Diogo e A. Cavaleiro Paixão, Revista portuguesa de Arqueologia, volume 4, número 1, 2001) Há idêntica relação entre este espólio da costa norte da Península de Peniche e a descoberta dos restos de um navio romano naufragado na costa sul, achado esse também coordenado por Jean-Yves Blot. Por um lado, destacam-se lugares próximos uns dos outros, onde se descobriu vestígios de idêntica cerâmica e de idênticas âncoras romanas, tanto no morraçal da Ajuda,Sítio arqueológico do morraçal da ajuda novamente em destaque em colóquio de arqueologia – notícia da CMP, 21-11-2012 como na ilha da Berlenga e como na costa dos Cortiçais, situado junto da fortaleza. Vestígios romanos na zona dos Cortiçais, artigo de Helena Simão no Jornal de Notícias, 1 de julho 2006 Por outro lado, destaca-se o facto de esses lugares serem portos de abrigo naturais para a navegação costeira, tornando-se vulneráveis a ataques de piratas, de corsários ou de países inimigos. Teriam futuramente esses lugares de ser defendidos por fortalezas ou castelos (por exemplo : o Castelo de Atouguia da Baleia, o Castelo de Lisboa, o Castelo de Sesimbra e o Castelo de Sines). No caso de Peniche, ficariam associados a fortificações defensivas de uma península que era ilha na época romana. Constata-se que achados com a mesma origem existem tanto a norte como a sul de Portugal : muito para além do território português, em território europeu para lá das Ilhas Britânicas e também para sul, estendendo-se ao Mediterrâneo. Desvela-se assim o périplo de uma intensa actividade comercial que traz consigo aquisições culturais decisivas, pontuando a evolução do Homem. Uma história resgatada ao mar: vestígios das rotas marítimas romanas nas costas portuguesas Vestígios arqueológicos mostram comércio atlântico na era romana, notícia da agência Lusa, 30 de dezembro 2013

Conta-nos a paleontologia uma história bem mais antiga. Antes de chegar aonde chegou, derivava a ilha de Peniche, implantada em continentes extintos, há mais de 540 milhões de anos, povoada por seres vivos primordiais. Por um inesperado acaso, poderemos hoje ver alguns deles na fortaleza. Fazem parte do espólio do Museu da Cidade. Revelam aspectos decisivos da evolução no planeta Terra. São únicos no mundo e encontram-se praticamente intactos. Certo é que, mais tarde ou mais cedo, muitos mais serão descobertos, ressuscitando do seu sepulcro de argila na encosta norte de Peniche, contando insuspeitas e surpreendentes histórias sobre a vida, o “misterioso fenómeno que anima a matéria”. A viagem pela vida de Charles Darwin, comemoração do centenário do nascimento de Charles Darwin, documentário de Inês Fonseca Santos, 2009, RTP The new physics needed to probe the origins of life – artigo de Sara Walker, Nature, 1 de maio 2019

A Criação do Museu de Peniche No museu do forte, então conhecido como Museu de Peniche, será integrado o Museu da República e da Resistência a 4 de outubro de 1976. Tal decisão tem como eminente o Conselho de Ministros e é promulgada pelo Decreto-lei 709-B/76. Decreto-lei 709-B/76, de 4 de Outubro Inicia o processo de cedência da fortaleza ao Município de Peniche, que antes estava sob a alçada do Ministério da Justiça por interesses do Estado Novo (« Não era uma prisão privativa da PIDE-DGS, mas o Forte de Peniche recebia os presos que o Estado Novo queria neutralizar.»). “Em Peniche não há tortura, porque não há interrogatórios” – artigo de Isabel Salema no suplemento Ipsilon do jornal Público a 28 de abril 2018 A fortaleza do regime de Salazar – referência do jornal Público incluindo relatos de “detidos, cujos testemunhos são um retrato do que era o dia-a-dia na fortaleza batida pelo mar” e “de como a vida prisional foi mudando ao longo dos anos.” (Ipsilon, especial multimédia, 30 de dezembro 2018, 4 de janeiro 2019, com continuação)

Processo de cedência da Fortaleza ao município A cedência do forte ao município será decisiva para o seu futuro.O acervo e a imagem – artigo histórico em defesa da criação de um museu no Forte de Peniche, ARQUIVO.pt, 4 de novembro 2008 É regulada pelo Decreto-lei 709-B/76, nos seguintes termos : "Museu da República e da Resistência, a sedear na Fortaleza de Peniche e com sede em Lisboa", equipamento que ficaria na dependência do Conselho de Ministros.Diário da República n.º 267/1976, Série I de 1976-11-15 320px|direita|thumb|Placa do museu no átrio de entrada Terá então lugar a inauguração oficial do Museu de Peniche (mais tarde designado de Museu Municipal de Peniche), ocupando parte das instalações da fortaleza. Consta o seguinte na ata da reunião camarária de 22 de maio de 1984 : “A Câmara Municipal deliberou também oficiar ao Senhor Presidente do Conselho de Ministros insistindo para que a Fortaleza desta Vila, onde se encontra instalado o Museu, seja formalmente entregue à administração desta autarquia”. A exigência foi bem atendida embora incluisse uma longa lista de sugestões que não seriam viáveis. Download Ata de Reunião Camarária

Segue-se um ofício da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no seguimento de um pedido de realização de obras de beneficiação, informando que a Fortaleza de Peniche está afecta ao Ministério da Justiça, referindo que as instalações estão ocupadas pela Câmara Municipal de Peniche. Fortaleza de Peniche: histórico dos projectos de intervenção É a partir dessa data que a autarquia procederá a decisivas obras de restauro em vários locais do forte, em particular no Pavilhão C.

Um grupo de trabalho é nomeado pelo Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, com a designação de Grupo Consultivo do Forte de Peniche (CICAM) : a arquitecta Paula Silva, responsável pela Direcção-Geral do Património Cultural, com a função de presidente, João Leonardo, chefe de gabinete do ministro, Inês Sequeira, representante da Secretaria de Estado do Turismo, e António José Correia, na qualidade de presidente da Câmara Municipal de Peniche, independente acolhido pelo PCP para este cargo, antes de sair vencedor das eleições autárquicas. São integradas ainda Adelaide Pereira Alves, do PCP, Alfredo Caldeira, do Arquivo e Biblioteca da Fundação Mário Soares Alfredo Caldeira, responsável pelo arquivo e biblioteca da Fundação Mário Soares (ver Fundação Mário Soares) Entrevista com Alfredo Caldeira – testemunho do Museu do Aljube, 22 de junho 2016 Gaspar Barreira, reputado cientista, ex-preso da fortaleza Morreu o físico português Gaspar Barreira, notícia de 1 de junho 2019 e o historiador João Bonifácio Serra Ex-presos políticos ajudam a instalar Museu Nacional da Resistência, notícia do semanário Expresso, 15 de janeiro 2018.

Em novembro de 2017 A 13 de novembro de 2017 foi lançado até ao final do ano um concurso público para obras de restauro e anunciado estar já em curso um outro, « no valor de 900 mil euros, para requalificar a cobertura exterior dos edifícios do forte, muito degradada pela proximidade do mar.» Encerramento do forte ao público – notícia do jornal Diário de Notícias (LUSA) de 13 de novembro 2017 Concurso Museu Nacional da Resistência e da Liberdade – notícia da encomenda pela ordem dos arquitectos secção regional sul Concurso público de conceção para a elaboração do projeto do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade – documento de 35 páginas com boas fotografias dos espaços a recuperar Exige-se que «As propostas apresentadas deverão aliar soluções de criatividade a soluções de custo racionalizado tendo em conta os custos de conservação e manutenção (custo de vida da obra). O valor estimado para o custo global da intervenção, incluindo a intervenção no interior dos edifícios e espaços exteriores tal como a execução dos suportes museográficos, é de € 1.770.000,00 (um milhão setecentos e setenta mil euros), acrescido do IVA à taxa legal em vigor :

- Intervenção nos espaços interiores e exteriores: € 1.400.000,00 (um milhão e quatrocentos mil euros)

- Museografia: € 370.000,00 (trezentos e setenta mil euros). ». Pág 35 do Programa Preliminar do concurso público

A 15 de janeiro de 2018