Yekaterina Ivanovna Zelenko (, ; Koroshchine, 14 de setembro de 1916 – Oblast de Sumy, 12 de setembro de 1941) foi uma piloto soviética que combateu na Segunda Guerra Mundial.
Ela é a única mulher conhecida a ter realizado uma técnica de combate que envolvia em bater com a sua aeronave contra a aeronave do inimigo, tendo feito isto com o seu Su-2 para contra um Messerschmitt Bf-109 alemão, no dia 12 de setembro de 1941, depois de ter sido confrontada por um grupo de sete aviões Bf 109 quando já não tinha munições.
Zelenko não recebeu o título de Heroína da União Soviética até 1990 pelo fato de a cidade onde os restos dos dois aviões caíram ter sido tomada pelo Eixo antes da sua morte ser comunicada ao comando militar, fazendo com que sua façanha não tenha sido comunicada às autoridades soviéticas até ao final da guerra.
Biografia Zelenko nasceu em 1916, em uma família russa, na aldeia de Koroshchine, então parte do Governo da Volínia, no Império Russo, hoje na Ucrânia. Concluiu sete anos de escolaridade em Kursk antes de se mudar com a mãe para Voronezh, onde ingressou na Escola Secundária de Aviação de Voronezh. Em outubro de 1933, formou-se no Aeroclube de Voronezh e foi enviada para a 3ª Escola Militar de Aviação de Orenburg, que levava o nome de Kliment Voroshilov.
Em dezembro de 1934, graduou-se com honras e foi designada para Carcóvia, servindo na 19ª Brigada de Bombardeiros Leves. De janeiro de 1936 a abril de 1938, integrou o 14º Esquadrão do distrito militar de Carcóvia. Em seguida, foi transferida para o 4º Regimento de Bombardeiros Leves e, entre fevereiro e março de 1940, participou da Guerra Soviético-Finlandesa como piloto de um R-Zet no 11º Regimento de Bombardeiros Leves. Durante o conflito, realizou oito missões e, por seu desempenho, recebeu a Ordem da Bandeira Vermelha.
Segunda Guerra Mundial Na véspera da invasão alemã da União Soviética, Zelenko atuava como instrutora de vôo, ensinando outros aviadores a pilotar o Sukhoi Su-2. Desde o início da guerra, tornou-se comandante de voo no 135º Regimento de Aviação de Bombardeiros de Curto Alcance. A partir de 5 de julho, passou a realizar missões de combate com um Su-2 sobre o território da República Socialista Soviética da Ucrânia, sendo elogiada pela liderança do 21º Exército. Pelo trabalho habilidoso como comandante de voo, foi promovida a vice-comandante de esquadrão em agosto.
Em 12 de setembro de 1941, decolou do aeródromo de Zerestovka em uma missão de reconhecimento a bordo de um Su-2, tendo Nikolai Pavlyk como seu artilheiro aéreo. No retorno, foi atacada por pelo menos dois caças Messerschmitt Bf 109. Um deles perseguiu o comandante de esquadrão Lebedev, deixando Zelenko isolada. Seu Su-2 foi atingido pelo fogo inimigo. Pavlyk a viu caída sobre os comandos, aparentemente morta ou gravemente ferida, e então saltou de paraquedas. O avião caiu nas proximidades da aldeia de Anastasyevka. Moradores da região encontraram seus documentos de identificação no local do acidente. Após retornar à base, Pavlyk informou ao comando que haviam sido abatidos e que Zelenko estava morta ou seriamente ferida, mas não procurou o local da queda por receio de que tropas alemãs estivessem na área e de que pudesse ser feito prisioneiro de guerra.
Seu marido, Pavel Ignatenko, morreu em um acidente de aviação em 1943.
Controvérsia
Segundo a versão oficial apresentada quando lhe foi concedido, em 1990, o título de Heroína da União Soviética, os acontecimentos que levaram à sua morte teriam ocorrido da seguinte forma: em 12 de setembro de 1941, o Su-2 de Zelenko foi atacado por sete Bf 109. Após abater dois deles, ela teria ficado sem munição e, então, realizado um abalroamento descendente, atingindo com a hélice de seu avião a cauda de um dos caças alemães e partindo-o ao meio. De acordo com alguns relatos, o Su-2 teria explodido, provocando a destruição da cabine.
Embora não haja dúvidas de que ela realizou 40 missões no Su-2 e participou de 12 combates aéreos, muitos historiadores da aviação, tanto da Rússia quanto dos Estados Unidos, questionam ou rejeitam a afirmação de que Zelenko tenha realmente executado um abalroamento aéreo. Eles apontam discrepâncias significativas nos relatos sobre o suposto impacto, incluindo divergências quanto ao local do ocorrido, ao local de seu sepultamento e às evidências utilizadas para sustentar a conclusão de que ela teria realizado a manobra.
Por ter completado 40 missões, ela preenchia os critérios para receber o título de Heroína da União Soviética, mas foi inicialmente agraciada apenas com a Ordem de Lenin, provavelmente por ter sido considerada desaparecida. Em 1965, houve uma petição para que lhe fosse concedido o título com base no alegado abalroamento aéreo, mas o pedido foi rejeitado por falta de provas. Ainda assim, diversos jornalistas passaram a escrever sobre o suposto feito sem apresentar evidências sólidas, o que deu origem a novas petições defendendo a concessão do título.
Prêmios e reconhecimento Heroína da União Soviética (postumamente em 1990) Duas Ordens de Lenin (ambas postumamente; primeiro 1941, segundo 1990) Ordem do Estandarte Vermelho (1940) O planeta anão 1900 Katyusha foi nomeado em sua homenagem. O seu retrato apareceu em um envelope soviético em 1983, antes de ela receber o título de Herói da União Soviética, assim como num carimbo postal em 2014. Há ruas levando seu nome, bem como de vários monumentos e estátuas em sua honra, em toda a Rússia e na Ucrânia.
Ver também Lista de Heroínas da União Soviética
Bibliografia
Categoria:Aviadoras Categoria:Heróis da União Soviética Categoria:Ordem de Lenin Categoria:Ordem do Estandarte Vermelho Categoria:Naturais do Império Russo Categoria:Mulheres na guerra