Abel Viana de Oliveira (Xapuri, 10 de setembro de 1938 — Belém, 10 de setembro de 2013), mais conhecido como Abel, foi um futebolista brasileiro que atuou como zagueiro. Embora tivesse aparência frágil, é considerado um dos maiores de sua posição no Pará, atuando sobretudo ao longo da década de 1960.DA COSTA, Ferreira (2013). Abel - Dez anos de amor ao Remo. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 15-17 Foi o primeiro dos seis jogadores campeões nos três grandes clubes do Estado, primeiramente pelo Remo (1960), depois no Paysandu (1965, 1966 e 1967) e por fim na Tuna Luso (1970), sendo considerado ídolos pelas três torcidas.

Carreira Remo

Nascido no Acre, Abel mudou-se ainda garoto para Belém. Ele e sua família eram afeiçoados ao Remo, o que não impediu que Abel tentasse primeiramente ingressar nos juvenis do rival Paysandu, em 1954; terminou desistindo na ocasião ao ver uma concorrência muito alta. Mesmo assim, foi reprovado pela família, em especial pelo irmão Samico Oliveira, já estabelecido como juiz de direito. O próprio Samico o levou ao Remo, apresentando-o ao treinador dos juvenis azulinos, Evandro Almeida, precisamente quem dali a alguns anos seria homenageado postumamente nomeando o estádio remista. DA COSTA, Ferreira (2013). Socó - Zagueiro se impôs pela classe. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 279-282

A estreia de Abel no time adulto deu-se em 1959. Seu primeiro clássico Re-Pa como adulto ocorreu em 15 de novembro daquele ano, na vaga do lesionado volante Socó, grande ídolo azulino na posição. DA COSTA, Ferreira (2013). Evandro Almeida - Nome ao estádio azulino imortaliza o grande craque. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 137-141 O Remo ganhou por 4–1 e Abel seguiu no time, na posição de zagueiro; no mês seguinte, participou de nova vitória amistosa, por 2–1.DA COSTA, Ferreira (2015). 1959. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 84-85

O estadual daquele ano, iniciado em março, estava interrompido desde outubro, quando encerrou-se o segundo turno, em função da participação dos principais jogadores no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. A competição foi retomada em fevereiro de 1960, já pelo terceiro turno. Abel participou de novo triunfo no clássico, por 2–1, que rendeu ao "Leão" o título do turno. Além disso, o resultado também fez o Remo ultrapassar o arquirrival em número de vitórias no Re-Pa, com os azulinos somando 107 contra 106 dos alviazuis.DA COSTA, Ferreira (2015). 1960. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 85-87 Nas decisões extras, porém, o rival terminou campeão com um gol no último minuto.DA COSTA, Ferreira (2013). 1959 - Jogo emocionante, Toni empata e dá ao Paysandu mais um título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 118-121 Esse título teve ainda o condimento de igualar o Paysandu ao Remo como maiores campeões estaduais, com ambos tendo 19 taças. A reação do Remo foi vencer o estadual de 1960, o primeiro desde 1955.DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233

O modo como se deu gerou brincadeiras por parte da torcida azulina no sentido de que o clube pôde por duas vezes saborear a conquista. Isso porque o Remo inicialmente ganhou os dois turnos, sagrando-se campeão já em fevereiro de 1961; porém, o Paysandu posteriormente recuperou nos tribunais pontos perdidos contra o Belenenses em função da escalação irregular de um adversário. Assim, fez-se necessária uma nova decisão de segundo turno, com o Paysandu enfrentando no lugar do Remo o Avante. O rival, que teve em Carlos Alberto Urubu o artilheiro da competição, venceu e forçou duas finalíssimas contra o "Leão", já no mês de junho de 1961. Abel e os azulinos puderam comemorar novamente, empatando o primeiro jogo em 2–2 e ganhando o segundo por 1–0.DA COSTA, Ferreira (2013). 1960 - Remo teve de voltar ao campo para confirmar título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 122-127

Inicialmente, o Remo pareceu que venceria também o estadual próprio de 1961. Abel e colegas venceram o primeiro turno após vitória de 2–0 sobre o rival em pleno estádio adversário. Porém, os alviazuis se recuperaram, venceram o segundo turno e, com um gol em que a bola desviou no próprio chão, terminaram campeões ao vencer o último Re-Pa em uma série de três finais (as duas primeiras terminaram empatadas), já em abril de 1962.DA COSTA, Ferreira (2013). 1961 - "Montinho artilheiro" colaborou e Papão ficou com o Campeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 129-131 No estadual de 1962, Abel não chegou a ser titular nos Re-Pas, com a zaga azulina composta por Odir e Ribeiro; o rival, sem maiores dificuldades, foi novamente campeão.DA COSTA, Ferreira (2013). 1962 - Paysandu mantém Gentil Cardoso e chega fácil ao bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 132-135

Ribeiro e Odir foram novamente os defensores titulares nos Re-Pas do estadual próprio de 1963, novamente ganho sem sobressaltos pelo Paysandu.DA COSTA, Ferreira (2013). 1963 - Sob a direção de Caim, Paysandu alcança o tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 136-138 Abel desentendeu-se com o presidente remista Osvaldo Trindade e forçou transferência ao arquirrival, negócio que foi um choque geral. Sobre a "travessia", explicou em 2009:

A Folha do Norte era o principal jornal da cidade na época. Abel também acrescentaria: "a minha saída foi muito sentida pelos dirigentes azulinos. Foi traumática. Ninguém queria aceitar". Ao todo, deixava para trás dez anos de clube, considerando-se o período nos juvenis.

Paysandu thumb|right|500px|O Paysandu posando juntamente com o Peñarol. Abel é o antepenúltimo agachado, segurando junto a Quarentinha uma flâmula do adversário. Apesar da torcida pelo Remo, Abel tornou-se um dedicado jogador do Paysandu, onde conseguiria ser mais vitorioso. Em 2009, lembrou que, realizada a transferência, "uma semana depois estreei num Re-Pa. Era uma quarta-feira à tarde e o Paysandu venceu por 3–0, e eu fui eleito o craque do jogo". Inicialmente, porém, foi derrotado pelos antigos colegas no estadual de 1964. Compôs dupla de zaga com Oliveira e chegou a vencer como alviazul o Re-Pa do primeiro turno (2–1), fase que, porém, foi ganha pela Tuna Luso. O Remo conquistou o segundo e fez as finais com os cruzmaltinos.DA COSTA, Ferreira (2013). 1964 - Remo perde para o Liberato, se recupera, e conquista o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 139-141

Em 1965, porém, Abel, em dupla defensiva principalmente com Jota Alves, participou ativamente de um dos anos mais celebrados do "Papão". Além de um título estadual fácil, com dez vitórias em doze jogos garantido em uma data festiva em 22 de novembro no qual o Paysandu conseguiu também títulos estaduais nas categorias juvenil e aspirante, outros momentos destacados ocorreram. O clube contratou um treinador que seria exitoso, o uruguaio Juan Álvarez, e o renomado goleiro Castilho,DA COSTA, Ferreira (2013). 1965 - Paysandu traz Castilho e dá um passeio no certame: É Campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 142-145 participante de quatro Copas do Mundo e vencedor de duas.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 74-75 E, com Abel presente, ganhou o título invicto em torneio internacional que reuniu Fast, Fortaleza e Transvaal.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão Invicto do Torneio Internacional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 69

Mais marcante ainda, também com a presença de Abel, foi a vitória por 3–0 sobre o Peñarol, equipe das mais poderosas mundialmente na época e que mantinha uma invencibilidade de treze partidas, com recentes vitórias contra brasileiros naquele ano sobre Santos (3–2, após derrota de 5–4, e 2–1, todos pela Taça Libertadores da América de 1965) e Fluminense (3–1 em amistoso no Maracanã).1965 - Copa Uruguaya, Vice Campeón Copa Libertadores (2011). Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 122-123 A vitória sobre os uruguaios rendeu crônica de Nelson Rodrigues no jornal O Globo, na época.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Paysandu 3 x 0 Peñarol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 70-71

O título estadual de 1966 teve o sabor extra de ocorrer no ano em que se celebravam os 350 anos da cidade de Belém,DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Bicampeão dos 350 Anos de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 76-77 o que motivou também um torneio municipal, igualmente vencido por Abel e o Paysandu, de forma invicta.DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Campeão do Torneio Cidade de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 77 O Estadual também veio de forma invicta, com Abel formando dupla sobretudo com João Tavares.DA COSTA, Ferreira (2013). 1966 - Paysandu forma a dupla Bené-Robilota e conquista o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 146-148 Ele também esteve em outra vitória no Re-Pa, um 2–0 em amistoso na casa adversária assegurado a despeito disso e do rival, que celebrava 60º aniversário, contar especialmente para a ocasião com o celebrado Nilton Santos.DA COSTA, Ferreira (2015). 1966. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 100-102

Em 1967, o clube excursionou de forma invicta pelas Guianas e pelo Caribe, chegando a ganhar duas vezes da seleção de Trinidad e Tobago (2–1 e 1–0).DA COSTA, Ferreira (2002). 1967 - Excursão invicta ao Exterior. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 78 E Abel e o "Papão" conquistaram novo título estadual de forma das mais lembradas, após seis Re-Pas seguidos em um espaço de 26 dias: o segundo turno terminou empatado entre os dois rivais, forçando jogo-extras. O primeiro terminou empatado e o segundo foi vencido pelo Remo. Como os alvicelestes haviam vencido o primeiro turno, fez-se necessário mais jogos. Os dois primeiros terminaram empatados, com a vitória bicolor por 2–0 no terceiro enfim finalizando o campeonato.DA COSTA, Ferreira (2002). 1967 - Tricampeão de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 78-79

O tricampeonato acumulou ao todo 36 vitórias do Paysandu em 47 jogos, com apenas três derrotas. O disputadíssimo torneio de 1967 também foi disputado em contratações de treinadores: o ex-goleiro Castilho agora treinava o ex-clube enquanto o Remo era treinado por outro ex-craque, Zizinho.DA COSTA, Ferreira (2013). 1967 - Paysandu levanta o tricampeonato, após 5 clássicos Re-Pa emocionantes. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 149-152 Aquele foi precisamente o ano que mais teve Re-Pas, dezessete, em média um a cada vinte dias.DA COSTA, Ferreira (2015). Fatos e Personagens do Re-Pa. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 216-220 "Nós festejamos como nunca, junto com a torcida que foi à loucura", declararia o zagueiro a respeito de uma conquista daquelas.