O muflão-asiático (Ovis gmelinii) é um mamífero caprino da família dos bovídeos, do gênero Ovis. O muflão-asiático é um carneiro selvagem que ocorre no Sudoeste Asiático, considerado o ancestral da ovelha-doméstica (Ovis aries). É classificada pela IUCN como uma espécie quase ameaçada.
O nome Ovis orientalis foi primariamente usado para designar o carneiro-vermelho, encontrado no Irã, que é considerado um animal híbrido entre o muflão e o urial (Ovis vignei). Portanto, orientalis foi considerado um nomen nudum. Seguindo a cronologia, o próximo nome válido para o muflão-asiático seria Ovis gmelini Blyth, 1841 e, para o urial, Ovis vignei Blyth, 1841, sendo usados pela IUCN, CITES e o Conselho Internacional para a Conservação da Caça e da Vida Selvagem (CIC).
Anteriormente, o muflão-asiático e o urial já foram considerados integrantes da mesma espécie, Ovis orientalis. Porém, em 2000, os especialistas em caprinos da IUCN discordaram dessa classificação, em parte devido a diferenças no número dos cromossomos (i.e. muflão 54 e urial 58), e concluíram que o muflão e o urial são espécies diferentes. Um estudo molecular mostrou que os indivíduos identificados como muflão e urial formam dois grupos fortemente monofiléticos. Além disso, amostras de indivíduos de populações híbridas aparecem tanto no clado do urial quanto no do muflão. Considerar esses dois táxons como espécies distintas é coerente com as diferenças morfológicas e genéticas entre eles, bem como com sua divergência evolutiva passada e a ocorrência de uma zona híbrida entre eles.
Três subespécies selvagens autóctones de muflão são mais amplamente reconhecidas, incluindo a subespécie nominotípica, conhecida como muflão-armênio (O. g. gmelinii), e duas subespécies restritas ao Irã: o muflão-de-isfahan (O. g. isphahanica) e o muflão-de-laristan (O. g. laristanica). Além dessas, por vezes o muflão-da-anatólia (O. g. anatolica) e o muflão armênio (O. g. armeniana) são considerados subespécies distintas de O. g. gmelini.
O muflão-do-chipre é uma população introduzida na ilha do Chipre por humanos, provavelmente em tempos pré-históricos. Sanna et al. (2015) observaram uma distância genética grande entre o muflão-do-chipre e outros haplogrupos de ovelhas-domésticas, incluindo os muflões europeu, da Córsega e da Sardenha e, além disso, também constataram que o muflão-do-chipre se agrupa exclusivamente com o muflão-da-anatólia (O. g. gmelinii [anatolica]). Portanto, sua origem parece ter sido de animais introduzidos em estado selvagem, provavelmente provenientes do Irã, e não de ovelhas domesticadas que posteriormente se tornaram ferais; dessa forma, o muflão-do-chipre pode ser considerado uma subespécie distinta, O. g. ophion. Hiendleder et al. (2002) sugeriram que os candidatos mais prováveis para ancestrais verdadeiramente selvagens das atuais ovelhas-domésticas são as populações de muflão encontradas na Turquia e no oeste do Irã; assim, a diferenciação genética entre descendentes ferais de ovelhas domesticadas primitivas e descendentes de ovelhas verdadeiramente selvagens é difícil. Mas, ainda assim, O. g. ophion é considerado uma ovelha selvagem, e não feral.
Portanto, as seguintes subespécies de muflão-asiático podem ser consideradas:
Ovis gmelinii gmelinii Blyth, 1841 – Muflão-armênio Ovis gmelinii isphahanica Nasonov, 1910 – Muflão-de-isfahan Ovis gmelinii laristanica Nasonov, 1909 – Muflão-de-laristan Ovis gmelinii ophion Blyth, 1841 – Muflão-do-chipre
Referências
Categoria:Mamíferos Categoria:Artiodáctilos Categoria:Bovídeos Categoria:Caprinos Categoria:Ovinos Categoria:Mamíferos descritos em 1841