François Hartog (1946) é um historiador francês especializado em Historiografia grega, Historiografia romana e Historiografia Moderna. Professor da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (EHESS), na França, estudou na Escola Normal Superior de Paris. É considerado um dos principais historiadores franceses contemporâneos dedicados à historiografia, à história intelectual da Grécia Antiga e à reflexão sobre as formas modernas de relação com o tempo histórico.
Autor de uma série de livros publicados na França e traduzidos ao redor do mundo, Hartog tem promovido uma série de reflexões acerca da noção de regime de historicidade contribuído também para as análises em outras áreas da historiografia como a História Contemporânea e a História do Tempo Presente, em especial pela sua noção de presentismo enquanto um regime de historicidade. Hartog entende o regime de historicidade como uma ferramenta heurística para compreensão das relações desenvolvidas pelas sociedades ocidentais com as dimensões temporais passado, presente e futuro.
Biografia Formação e carreira Antigo aluno do liceu Pasteur e da École normale supérieure (turma de 1968), François Hartog é agrégé de história (1971) e doutor de Estado em História (1979).
Ensinou História da Grécia Antiga nas universidades de Estrasburgo e Metz, antes de assumir, em 1987, a cátedra de historiografia antiga e moderna na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (École des hautes études en sciences sociales, EHESS).
Hartog é membro do Centro Louis Gernet de Pesquisas Comparadas sobre as Sociedades Antigas, membro associado do Centro de Pesquisa Histórica (CRH), fellow do Colégio Científico de Berlim (1993–1994) e membro eleito da Academia Europaea desde 2015. Em 1997, figurou entre os sessenta membros fundadores da Associação dos Historiadores.
Discípulo de Jean-Pierre Vernant e leitor atento de Reinhart Koselleck, Hartog desenvolve uma obra que articula história intelectual da Grécia antiga, reflexão historiográfica (com estudos sobre Fustel de Coulanges e sobre a escrita da história entre os gregos) e teoria das formas históricas de temporalização.
Contribuição à escrita da história François Hartog é amplamente reconhecido por ter formulado e difundido o conceito de regime de historicidade, que define como
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O regime de historicidade contemporâneo é caracterizado pelo presentismo, uma experiência do tempo marcada pela centralidade do presente, na qual a memória (as marcas deixadas no presente por passados sucessivos) tende a sobrepor-se à história (a reconstrução crítica e distanciada desses passados).
Hartog investigou a relação entre passado, presente e futuro em momentos de crise histórica. Assim como Hannah Arendt, Michel Foucault e Reinhart Koselleck, ele sustenta que não há separação absoluta entre passado e presente, pois toda história é, de fato, “história contemporânea”.
Reunindo um amplo repertório de fontes, Hartog expõe essa análise em Regimes of Historicity: Presentism and Experiences of Time, utilizando obras como a Odisseia para ilustrar a formação da consciência histórica.
Ele identifica três regimes principais de historicidade: o regime **exemplar**, baseado em vidas e modelos do passado; o regime **moderno**, surgido a partir da Revolução Francesa; e o regime **presentista**, no qual o presente se torna o principal referencial para a interpretação histórica.Hutton, Patrick H. "François Hartog, Regimes of Historicity: Presentism and Experiences of Time". The Journal of Modern History, vol. 88, n.º 3, setembro de 2016, pp. 633–634.
O conceito de “regimes de historicidade” pode ser entendido como a forma pela qual uma sociedade lida com seu passado ou como os “modos de consciência” das comunidades humanas. Hartog descreve o presentismo como um regime em que o presente domina, rejeitando a concepção linear e causal do tempo típica do regime moderno.
O conceito de regimes de historicidade tornou-se uma importante ferramenta heurística para pesquisas sobre experiências temporais, e também evidencia o esforço coletivo de historiadores em construir categorias conceituais voltadas à compreensão da consciência histórica.
Entre as críticas, aponta-se que o conceito pode gerar um “atraso permanente”, decorrente das discrepâncias entre diferentes narrativas e relações temporais, além de induzir periodizações que suprimem a diversidade de concepções de tempo.
Hartog também reflete sobre o papel do historiador, as tensões entre memória e narrativa histórica, e as transformações epistemológicas das ciências humanas e sociais, consolidando sua obra como uma das principais reflexões contemporâneas sobre a escrita da história.
Principais obras publicadas
Na França
1980: Le Miroir d'Hérodote. Essai sur la représentation de l'autre 1988: Le xixe siècle et l'histoire. Le cas Fustel de Coulanges 1996: Mémoire d'Ulysse : récits sur la frontière en Grèce ancienne 1998: Pierre Vidal-Naquet un historien dans la cité (juntamente a Alain Schnapp e Pauline Schmitt-Pantel) 2001: Les Usages politiques du passé (juntamente a Jacques Revel) 2003: Régimes d'historicité. Présentisme et expériences du temps 2005: Anciens, modernes, sauvages 2005: Évidence de l'histoire. Ce que voient les historiens 2007: Vidal-Naquet, historien en personne 2013: Croire en l'histoire 2015: Partir pour la Grèce 2017: La nation, la religion, l'avenir : Sur les traces d'Ernest Renan 2020: Chronos: o Ocidente às voltas com o tempo, Paris, Gallimard. 2021: Confrontações com a história, Paris, Gallimard. 2022: À rencontre de Chronos (1970–2022), Paris, CNRS Éditions. 2024: Départager l’humanité, Paris, Gallimard. Hartog também dirigiu edições críticas de: Plutarco, Vidas paralelas, Gallimard, coleção Quarto, 2001. Políbio, História, Gallimard, coleção Quarto, 2003.
No Brasil 1999: O espelho de Heródoto: ensaio sobre a representação do outro 2001: A história de Homero a Santo Agostinho. 2003: Os antigos, o passado e o presente (Coletânea organizada por José Otávio Guimarães) 2003: O século XIX e a história: o caso Fustel de Coulanges 2004: Memória de Ulisses: narrativas sobre a fronteira na Grécia antiga 2011: Evidência da história: o que os historiadores veem 2013: Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo 2017: Crer em História
Distinções Ordens e condecorações Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra (2012). Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito (2001). Cavaleiro das Palmas Acadêmicas (2001).
Prêmios Grande Prêmio Gobert da Académie française (2021). Prêmio François-Millepierres (2006). Prêmio Broquette-Gonin (1981).
Bibliografia
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Ver também Regime de historicidade
Ligações externas Entrevista «Regimes de historicidade», com Annick Louis, em Vox Poetica. Entrevista publicada na revista Temporalidades. François Hartog no site do CRH.
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