Tubarão (, no original em inglês) é um livro norte-americano escrito por Peter Benchley em 1974. Conta a história de um grande tubarão-branco que ataca uma pequena cidade turística e a jornada de três homens que tentam matá-lo. No Brasil, desde 2015 é publicado pela Darkside Books, com tradução de Carla Madeira.
Inspirado por histórias de ataques de tubarão que ouvia enquanto crescia, Benchley vendeu a ideia para uma editora e escreveu o manuscrito acompanhado pelo editor. Por meio de uma campanha de marketing orquestrada pela Doubleday e pela editora de brochura Bantam, Jaws foi incorporado a muitos catálogos de clubes de venda de livros e atraiu o interesse da mídia. Após a primeira publicação em fevereiro de 1974, o romance foi um grande sucesso, com a versão em capa dura ficando na lista dos mais vendidos por cerca de 44 semanas e a brochura subsequente vendendo milhões de cópias no ano seguinte. As críticas foram mistas, com muitos críticos literários considerando a prosa e caracterização como insuficientes, apesar do suspense eficaz do romance.
A obra ficou internacionalmente conhecida após a adaptação cinematográfica dirigida por Steven Spielberg, em junho de 1975. O filme omitiu muitas das pequenas subtramas do livro, concentrando-se mais no tubarão e nas caracterizações dos três protagonistas. Tubarão se tornou o filme de maior bilheteria da história até aquele momento, tornando-se um divisor de águas na história do cinema e o pai dos filmes blockbuster de verão. O filme seguiu com três sequências.
Sinopse Na cidade fictícia de Amity, na costa sul de Long Island, Nova Iorque, um tubarão-branco ataca uma jovem turista chamada Chrissie Watkins. Após encontrar os restos mortais dela, o chefe de polícia Martin Brody quer fechar as praias de Amity para investigarem a presença de tubarão, mas o prefeito Larry Vaughan e os vereadores da cidade rejeitam a ideia por medo de danos ao turismo de verão, a principal indústria da cidade. A imprensa local também não noticia o ataque.
Nos próximos dias, o tubarão também ataca Alex Kitner (6 anos) e Morris Cater (65). As autoridades locais contratam o pescador Ben Gardner para matar o tubarão, mas o pescador desaparece. Brody novamente tenta fechar as praias, enquanto Harry Meadows, editor do jornal de Amity, descobre que o prefeito tem ligações com a máfia, que está pressionando para manter as praias abertas e proteger o valor dos imóveis. Meadows busca o ictiólogo Matt Hooper para obter conselhos sobre como lidar com o tubarão. A esposa de Brody, Ellen, conhecia Hooper de quando era solteira, e acaba por encontrar com ele em um hotel e ter relações sexuais.
As notícias dos ataques atraem turistas esperando vislumbrar o tubarão assassino. Depois que um menino escapa por pouco de outro ataque, Brody fecha as praias e contrata Quint, um caçador profissional de tubarões, para matar o tubarão. Brody, Quint e Hooper partem no navio de Quint, o Orca. Há extrema animosidade entre os três. Quint não respeita Hooper, a quem considera um universitário mimado. Hooper despreza os métodos de Quint, que estripa um tubarão azul e usa um golfinho capturado ilegalmente como isca. Brody e Hooper também discutem, pois Brody suspeita sobre o possível encontro dele com Ellen.
Enquanto eles estão no mar, Larry Vaughn visita a casa de Brody e informa a Ellen que não é mais prefeito e ele e sua esposa estão deixando Amity. Ellen reflete sobre a vida que poderia ter se tivesse casada com um homem como Vaughn e a vida que tem com Brody e se sente culpada pelo encontro com Hooper.
Os três homens no navio têm alguns encontros com o tubarão, que estimam ter 6 metros e mais de 2 mil quilos. Hooper quer usar uma gaiola à prova de tubarão, para tirar fotos e depois matar o animal com um bastão. Inicialmente, Quint se recusa por considerar uma ideia suicida, mas ele cede depois de várias tentativas frustradas de arpoar o tubarão. O tubarão consegue destruir a gaiola e devorar Hooper. Brody informa a Quint que a cidade não pode pagar por mais dias do trabalho dele e eles precisam encerrar a busca, mas Quint não se importa mais com o dinheiro e promete continuar perseguindo o tubarão.
Quando Quint e Brody voltam ao mar no dia seguinte, o tubarão começa a atacar o barco. Quint consegue arpoá-lo várias vezes mas mesmo assim o tubarão salta por cima do Orca, o que faz com que o barco comece a afundar. No momento do ataque, Quint consegue atingir outro arpão na barriga do tubarão, mas quando ele volta para a água, o pé de Quint fica preso na corda do arpão, e ele é arrastado para a água e morre afogado. O tubarão avança em direção a Brody, que está agarrado em um assento flutuante. No entanto, assim que o tubarão chega a poucos metros dele, finalmente morre por seus ferimentos. O único sobrevivente, Brody observa enquanto o tubarão afunda lentamente arrastando o corpo de Quint atrás dele e, em seguida, nada de volta à costa em sua boia improvisada.
Desenvolvimento Peter Benchley tinha um fascínio de longa data por tubarões, que ele frequentemente encontrava enquanto pescava com seu pai Nathaniel em Nantucket. Como resultado, durante anos, ele considerou escrever "uma história sobre um tubarão que ataca pessoas e o que aconteceria se ele aparecesse e não sumisse". Esse interesse cresceu depois de ler uma notícia de 1964 sobre o pescador Frank Mundus pegando um grande tubarão branco pesando kg na costa de Montauk, Nova Iorque.Downie, Robert M. Block Island History of Photography 1870–1960s, page 243, Volume 2, 2008 miniaturadaimagem|Um tubarão-branco é o antagonista da história. Em 1971, Benchley trabalhava como escritor freelancer. Enquanto isso, seu agente literário agendava reuniões regulares com editores. Um deles foi o editor da Doubleday, Thomas Congdon, que almoçou com Benchley em busca de ideias para livros. Congdon não achou as propostas de Benchley para não-ficção interessantes, mas preferiu sua ideia de um romance sobre um tubarão aterrorizando um resort de praia. Benchley enviou uma página ao escritório de Congdon, e o editor lhe pagou 1.000 dólares por 100 páginas. Essas páginas compreenderiam os primeiros quatro capítulos, e o manuscrito completo recebeu um adiantamento total de US$ dólares. Congdon e a equipe da Doubleday estavam confiantes, vendo Benchley como "uma espécie de especialista em tubarões", com o autor se auto-descrevendo como "sabendo tanto quanto qualquer amador sobre tubarões", pois ele havia lido alguns livros de pesquisa e visto o documentário de 1971 Blue Water White Death. Depois que a Doubleday encomendou o livro, Benchley começou a pesquisar todo o material possível sobre tubarões. Entre suas fontes estavam Blue Meridian, de Peter Matthiessen, The Shark: Splendid Savage of the Sea, de Jacques Cousteau, Shadows in the Sea, de Thomas B. Allen, e About Sharks and Shark Attacks, de David H. Davies.
Durante este tempo, Benchley trabalhou em seu escritório improvisado acima de uma empresa de fornos em Pennington, Nova Jersey durante o inverno, e em um galinheiro convertido na propriedade à beira-mar da família de sua esposa em Stonington, Connecticut durante o verão. Congdon ditou mais mudanças em relação ao resto do livro, incluindo uma cena de sexo entre Brody e sua esposa que foi alterada para Ellen e Hooper. Congdon não achava que houvesse "qualquer lugar para esse sexo conjugal saudável nesse tipo de livro". Após várias revisões e reescritas, juntamente com pagamentos esporádicos do adiantamento, Benchley entregou seu rascunho final em janeiro de 1973.
Benchley também foi parcialmente inspirado pelos ataques de tubarão na costa de Nova Jersey em 1916, onde houve quatro mortes registradas e uma lesão crítica causados por tubarões ao longo de 13 dias. A história é muito semelhante à história no livro de Benchley com uma cidade de praia de férias na costa do Atlântico sendo assombrada por ataques e as pessoas eventualmente sendo comissionadas para caçar e matar o tubarão ou tubarões responsáveis. Há outra semelhança no incidente de 1916 e no livro em que crianças são atacadas em um corpo de água diferente do oceano - no incidente de 1916, uma criança e um adulto que tentou salvá-lo foram atacados e mortos em Matawan Creek, um riacho de água doce e na adaptação cinematográfica Mike Brody é quase morto no "lago" que na realidade é uma pequena enseada que se conecta ao mar aberto através de um pequeno afluente.
Benchley e Congdon demoraram a encontrar um título, com o autor especulando ter chegado a 125 ideias, no geral descartadas por serem consideradas "pretensiosas, estranhas ou melodramáticas". Vinte minutos antes da impressão começar, Benchley concluiu que Jaws, "mandíbulas", que já havia surgido em sugestões como The Jaws of Death ('as mandíbulas da morte') e The Jaws of Leviathan ('as mandíbulas de Leviatã') era "a única palavra que significa alguma coisa, que diz alguma coisa" e ambos optaram por esse título. Para a capa, a sugestão de Benchley foi ilustrar Amity sendo vista de dentro das mandíbulas de um tubarão. Tal ideia acabaria em algumas versões internacionais, mas a concepção pelo artista da Doubleday Wendell Minor foi rejeitada por gerentes de vendas por subtextos sexuais, lembrando a vagina dentata. O diretor de arte Alex Gotfryd então pediu ajuda ao artista Paul Bacon, que fez uma grande cabeça de tubarão, ao qual Gotfryd sugeriu acrescentar uma banhista para criar "um senso de desastre e um senso de escala". O resultado acabaria na versão de capa dura pela Doubleday. Porém o editor da Bantam, Oscar Dystel, não gostou e para a versão brochura pediu uma nova versão ao ilustrador Roger Kastel. Kastel partiu do conceito de Bacon e resolveu ilustrar o tubarão atacando Chrissie, usando como referência os modelos de tubarões no Museu Americano de História Natural e uma modelo que Bacon pediu para deitar em um banco imitando um nado crawl. A pintura a óleo acabaria sendo reutilizada pelo estúdio Universal Pictures nos cartazes da adaptação cinematográfica.
Lançamento Benchley diz que nem ele nem ninguém envolvido em sua concepção inicialmente percebeu o potencial do livro. Tom Congdon, no entanto, percebeu que o romance tinha perspectivas e o enviou para o Clube do Livro do Mês e para as casas de brochura. O Clube do Livro do Mês fez dele um "Livro A", qualificando-o para sua seleção principal, depois a Reader's Digest também o selecionou. A data de publicação foi adiada para permitir um lançamento cuidadosamente orquestrado. Foi lançado primeiro em capa dura em fevereiro de 1974, depois nos clubes do livro, seguido por uma campanha nacional para o lançamento de brochura. Bantam comprou os direitos de brochura por US $ 575.000, que Benchley aponta ser "na época uma enorme soma de dinheiro". Uma vez que os direitos de Bantam expiraram anos depois, eles reverteram para Benchley, que posteriormente os vendeu para a Random House, que desde então fez todas as reimpressões de Tubarão.