A final do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 foi uma partida de futebol realizada em no Estádio da Luz em Lisboa, Portugal. Ela foi disputada entre a anfitriã Portugal e a Grécia para decidirem o vencedor do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, com os gregos saindo-se vitoriosos. Esta foi a primeira aparição na final para ambas as seleções. Portugal havia anteriormente participado das edições de 1984, 1996 e 2000 do torneio, com seu melhor resultado tendo sido alcançar as semifinais em 1984 e 2000. Já a Grécia só tinha participado em 1980, tendo sido eliminada na primeira fase.

Portugal classificara-se automaticamente para a competição como anfitrião, enquanto a Grécia garantira sua participação ao ficar em primeiro de seu grupo nas eliminatórias. Os dois países foram sorteados para o mesmo grupo na competição, o Grupo A, enfrentando-se na partida de abertura, na qual a Grécia venceu por 2–1. Os portugueses se recuperaram da derrota, venceram seus dois jogos seguintes e terminaram a fase de grupos em primeiro lugar, com os gregos ficando em segundo após um empate e uma derrota, passando de fase nos critérios de desempate. Portugal enfrentou e derrotou a Inglaterra e os Países Baixos na fase eliminatória para chegar a final, já a Grécia passou pela França e República Tcheca.

Apesar do amplo favoritismo de Portugal, o primeiro tempo da partida final foi equilibrado e com poucas chances claras de gol para os dois lados. Os principais lances de ataque para os dois times foram defendidos pelos goleiros ou chutados para fora. Entretanto, aos onze minutos do segundo tempo, a Grécia abriu o placar com um gol de cabeça de Angelos Charisteas após escanteio cobrado por Angelos Basinas. Após isso, Portugal se lançou para o ataque e passou o resto do tempo regulamentar pressionando o adversário enquanto a Grécia manteve-se na defesa. Mesmo assim, os portugueses não conseguiram marcar e a partida terminou em 1–0 a favor dos gregos, que consagraram-se os campeões europeus.

A vitória da Grécia foi considerada uma das maiores surpresas da história não só do Campeonato Europeu, mas do futebol como um todo. Comentaristas atribuíram o sucesso grego ao seu bom desempenho defensivo, organização e dedicação. Entretanto, alguns criticaram o resultado por enxergarem o estilo defensivo de jogo grego como um método injusto de se conquistar resultados. A campanha da Grécia no Campeonato Europeu de 2004 marcou as primeiras vitórias da equipe em uma competição oficial, enquanto a derrota de Portugal significou a primeira vez que um anfitrião perdeu a partida final. Os jogadores gregos foram recebidos com grandes celebrações ao voltarem para a Grécia depois da competição.

Antecedentes Antes do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, Portugal tinha participado de três edições do torneio: 1984, 1996 e 2000. Em sua primeira participação, a equipe conseguiu ficar em segundo lugar de seu grupo, após dois empates contra a Alemanha Ocidental e Espanha e uma vitória contra a Romênia, porém foi eliminada na semifinal diante da França na prorrogação. Em sua participação seguinte em 1996, a seleção portuguesa ficou em primeiro do grupo, vencendo Turquia e Croácia e empatando com a Dinamarca, perdendo logo em seguida nas quartas de final para a República Tcheca. Por fim, em 2000, Portugal classificou-se no primeiro lugar do grupo com três vitórias contra Inglaterra, Romênia e Alemanha, passando pela Turquia nas quartas de final até ser derrotada na semifinal pela França.

Já a Grécia anteriormente só tinha participado de uma única edição do Campeonato Europeu, em 1980 na Itália. Os gregos foram eliminados da competição ainda na primeira fase, ficando em último lugar de seu grupo, tendo perdido dos Países Baixos e da Tchecoslováquia e conseguido um empate sem gols contra a Alemanha Ocidental. A Grécia terminou o campeonato com um único gol a seu favor, marcado por Nikos Anastopoulos na derrota para a Tchecoslováquia.

Portugal classificou-se automaticamente para o Campeonato Europeu de 2004 como país anfitrião. Já a Grécia, foi sorteada no grupo 6 das eliminatórias junto com as seleções da Armênia, Espanha, Irlanda do Norte e Ucrânia. Os gregos começaram sua campanha com duas derrotas seguidas contra os espanhóis e ucranianos, porém venceram suas seis partidas seguintes, todas sem sofrer um único gol, terminando em primeiro lugar do grupo com um ponto a mais do que a Espanha. Entre os jogos da eliminatória e amistosos, os gregos ficaram quinze jogos seguidos sem perder até chegarem para disputar o Campeonato Europeu de 2004.

Caminho até a final Portugal e Grécia foram sorteados para o mesmo grupo do Campeonato Europeu, o Grupo A, de forma que também jogariam a partida de abertura da competição em 12 de junho de 2004 no Estádio do Dragão no Porto. A partida começou com os gregos partindo para o ataque, marcando seu primeiro gol com Giorgos Karagounis aos sete minutos. O restante do primeiro tempo teve diversas chances de gol para ambos os lados. Logo aos cinco minutos do segundo tempo, Cristiano Ronaldo fez falta em Giourkas Seitaridis dentro da área; Angelos Basinas converteu o pênalti. Os portugueses ficaram o restante no tempo regulamentar pressionando no ataque até Ronaldo marcar de cabeça já nos acréscimos. O resultado final foi uma vitória de 2–1 para a Grécia, sendo a primeira vez na história da competição que um país anfitrião perdeu a partida de abertura.

Depois da derrota, Portugal enfrentou a Rússia. Os portugueses marcaram no começo do primeiro tempo com Maniche, porém tiveram dificuldades para criarem novas chances de gol pelo restante da partida até Rui Costa marcar nos acréscimos do segundo tempo, para um resultado final de 2–0. Em seguida o jogo foi contra a Espanha, em que Portugal teve dificuldades para atravessar a defesa adversária até Nuno Gomes marcar o único gol da partida aos doze minutos do segundo tempo, garantindo a classificação de sua equipe em primeiro lugar do grupo. O oponente das quartas de final foi a Inglaterra, que saiu na frente aos três minutos do primeiro tempo com um gol de Michael Owen, porém Hélder Postiga empatou aos 38 do segundo tempo. A partida foi para a prorrogação e Rui Costa colocou os portugueses em vantagem e Frank Lampard empatou logo depois. Na disputa por pênaltis, o goleiro Ricardo defendeu uma penalidade e em seguida cobrou o pênalti que deu a classificação para Portugal. A disputa da semifinal foi em um jogo equilibrado contra a seleção dos Países Baixos; os portugueses saíram na frente aos 26 minutos do primeiro tempo com Ronaldo de cabeça e Maniche ampliou no segundo tempo, enquanto os holandeses diminuíram depois de Jorge Andrade tentar cortar um cruzamento e marcar contra, deixando o placar em 2–1.

A Grécia seguiu sua vitória na abertura com um confronto contra a Espanha, que jogou um futebol ofensivo mas teve dificuldades de vazar a defesa grega, conseguindo apenas aos 28 minutos da etapa inicial com Fernando Morientes. Os gregos ficaram mais ofensivos no segundo tempo e empataram com Angelos Charisteas aos 21 minutos, deixando o placar final em 1–1. A próxima partida foi contra a Rússia, com os gregos precisando de um empate para se classificarem; entretanto, os russos marcaram dois gols em menos de vinte minutos, com Dmitri Kirichenko e Dmitri Bulykin. A Grécia partiu nervosamente para o ataque e Zisis Vryzas diminuiu no final do primeiro tempo. O resultado de 2–1 manteve-se até o encerramento e os gregos classificaram-se em segundo na frente da Espanha por terem marcados mais gols. Seu oponente nas quartas de final foi a França, detentora do título, com a Grécia fazendo um jogo ofensivo e conseguindo marcar o único gol da partida aos vinte minutos do segundo tempo em uma cabeçada de Charisteas. A partida da semifinal foi contra a República Tcheca, em que os gregos mantiveram-se fortes na defesa segurando o ataque tcheco durante todo o templo regulamentar. O jogo foi para a prorrogação e Traianos Dellas marcou de cabeça o gol de prata que deu a classificação para a Grécia. Foi o único gol de prata marcado na história do futebol.

Rodada Oponente Resultado Fase de grupos Oponente Resultado 1–2 Jogo 1 2–1 2–0 Jogo 2 1–1 1–0 Jogo 3 1–2Vencedor do Grupo A Equipe6320142+243111440431112203310224−2 Classificação do grupoSegundo lugar do Grupo A Equipe6320142+243111440431112203310224–2 Oponente Resultado Fase final Oponente Resultado 2–2 (pro.) (6–5 pen.) Quartas de final 1–0 2–1 Semifinal 1–0 (pro.)

Partida A final do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 entre Portugal e Grécia foi realizada às 19h45min de domingo, , no Estádio da Luz em Lisboa. O público presente foi de 62 865 pessoas, das quais aproximadamente quinze mil eram torcedores gregos. Na tribuna estavam o presidente português Jorge Sampaio, o primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, o primeiro-ministro grego Kostas Karamanlís e o ex-jogador português Eusébio. O árbitro da partida foi Markus Merk da Alemanha, que teve os também alemães Christian Schräer e Jan-Hendrik Salver como auxiliares e Anders Frisk da Suécia como quarto árbitro. Portugal entrou em campo com o mesmo time que tinha enfrentado os Países Baixos na semifinal, enquanto a Grécia fez uma única alteração na saída do suspenso Karagounis para a entrada de Stelios Giannakopoulos no meio campo. O uniforme usado pela seleção portuguesa foi camisa vermelha, calções verdes e meias vermelhas, enquanto os gregos jogaram com um uniforme todo branco com detalhes em azul. O cara ou coroa inicial foi vencido por Portugal, que escolheu o lado do campo enquanto a Grécia ficou com a saída de bola.

Primeiro tempo A partida começou com a Grécia recuando para a defesa e Portugal tentando impor pressão, porém sem conseguir chances claras de gol. Aos doze minutos, Costinha fez falta perto da área e tomou o primeiro cartão amarelo da partida; Seitaridis cobrou a falta, porém o cruzamento foi para fora. A primeira chance clara de gol veio aos treze minutos quando Miguel chutou cruzado e rasteiro no canto direito do gol, mas o goleiro Antonios Nikopolidis fez grande defesa. Os gregos responderam rapidamente com várias trocas de passe que deixaram Charisteas cara a cara com o gol, entretanto Ricardo conseguiu fazer a defesa ao tirar a bola dos pés do atacante grego. A Grécia conseguiu neutralizar várias jogadas de Portugal, principalmente por ações de seus zagueiros Dellas e Michalis Kapsis, e também de seu capitão Theodoros Zagorakis.

Aos 23 minutos, Deco cobrou escanteio e a zaga grega só conseguiu afastar a bola parcialmente, permitindo que Maniche pegasse o rebote na entrada da área, dominasse e chutasse para fora, à direita do gol. Os gregos focaram mais seu tempo de posse de bola na armação de alguns contra-ataques, principalmente pelo lado esquerdo de seu campo. As chances mais perigosas saíram em meados dos trinta minutos de jogo, primeiro quando Vryzas recebeu lateral dentro da área e foi desarmado e pouco depois quando Kostas Katsouranis cabeceou para fora longe do gol português. No final do primeiro tempo, Miguel se machucou e precisou ser substituído por Paulo Ferreira. Já nos acréscimos, Basinas cortou passe de Ronaldo para Luís Figo com a mão e foi penalizado com o segundo cartão amarelo da partida.

Segundo tempo thumb|265px|esquerda|O gol de Charisteas, aos 11 minutos.