Eliana Alves dos Santos Cruz (Rio de Janeiro, 1966) é uma jornalista e escritora brasileira. Suas obras focam principalmente em ficção e contos, com ênfase em perspectivas afro-brasileiras. Mais recentemente, ela publicou Meridiana no dia 14 de outubro, 2025. Suas obras têm ganhado reconhecimento nacional e vários prêmios literários.
Biografia Eliana nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1966. Graduou-se em Comunicação Social pela Faculdade da Cidade em 1989. Fez pós-graduação em Comunicação Empresarial na Universidade Cândido Mendes. Trabalhou como gerente de imprensa da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e cobriu 15 campeonatos mundiais, seis Jogos Pan-Americanos e seis Jogos Olímpicos.
Ela publicou seu primeiro romance Água de Barrela, em 2016, contando a história da jornada da sua família desde o século XIX, quando saíram da África. Foi a vencedora da primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, oferecido pela Fundação Cultural Palmares em 2015.
Em 2016, ela também publicou textos nas coletâneas Cadernos Negros (Quilombhoje); Perdidas: Histórias para Crianças que Não Tem Vez (Imã Editorial).
Em 2018, começou a escrever para a edição portuguesa de The Intercept, abordando temas relacionados ao racismo e à escravidão.
De 2014 a 2019, escreveu para o blog, Flor da Cor, focando na promoção da mulheres negras e suas conquistas de diversas áreas de estudo.
Em 2022, a autora publicou A Vestida: Contos, que ganhou o prêmio Jabuti na categoria de contos.
Em 2025, publicou um livro intitulado Milena e o Pássaro Antigo, focado na personagem Milena da Turma da Mônica, no ano seguinte, estreia como roteirista do gibi próprio da personagem.
Ela mantém uma voz ativa em conversas relacionadas a raça e gênero por meio do seu Instagram pessoal e como escritora por várias plataformas jornalísticas. Ela também tem sido uma palestrante convidada por conferências focadas em literatura negra para promover seus livros e falar sobre problemas sociais.
Alves Cruz possui ascendência beninense, nigeriana, marfinense, serra-leonina, ugandense, gambiana e norte-africana.
Foco temático literário Numa entrevista com Le Monde Diplomatique, Cruz compartilhou que a sua literatura é impulsionada por perguntas sobre identidade, história brasileira e experiências de pessoas afro-brasileiras. Ela enfatizou sua meta de recuperar narrativas silenciadas que expõem desigualdade racial como um resultado de escravidão, visando suas obras como um lugar de reflexão social e exploração de memória, ancestralidade e a experiência negra.
Numa entrevista publicada com Medium, Cruz explicou que seu romance, O Crime do Cais do Valongo, destaca como as suas experiências e observações de racismo e injustiça social no Brasil informam a narrativa. Ela compartilhou que o romance reflete seu interesse em examinar as dinâmicas raciais modernas do país através de lentes de desigualdade racial. Cruz também descreveu seu compromisso literário geral de abordar problemas raciais através da ficção, dando visibilidade às experiências afro-brasileiras.
Suas obras são reconhecidas pelo uso de múltiplos pontos de vista narrativos, conhecido como narrativa polifônica, deixando que personagens diferentes possam representar classes sociais distintas, experiências vividas e raças e personificar a complexidade da história brasileira e identidade nacional. Os trabalhos de Cruz trazem história afro-brasileira de volta ao mundo contemporâneo onde os efeitos duradouros podem ser analisados e entendidos pelo público, não sendo escondidos ou esquecidos.
Como notado pela Cruz, “A gente vive um apartheid na literatura brasileira. Precisamos contar a nossa história e ousar imaginar um futuro. Temos que olhar para trás, entender como as coisas aconteceram e ousar pensar no amanhã”
Obras notáveis
O Crime do Cais do Valongo Publicado no ano 2018, O Crime do Cais do Valongo é um romance de ficção histórica, usando uma misteriosa para explorar os efeitos duradouros da escravidão no Brasil. A narrativa começa em Moçambique e continua no Rio de Janeiro, visto pelo lente de dois personagens, o livro Nuno Alcântara Moutinho e a Muana Lomué, uma mulher moçambicana escravizada. O livro usa o assasinato de um comerciante para explorar o legado brutal da escravidão no Brasil, principalmente ambientado no Cais do Valongo, que é o porto de desembarque mais significativo de africanos escravizados nas Américas. Tal ambiente simboliza as memórias apagadas, violência e estruturas sociais que impactam o Brasil até hoje. Contextualiza história como algo mais que fatos, mas como algo que tem efeitos duradouros na sociedade brasileira. O Crime do Cais do Valongo foi reconhecido como um “Melhor do ano 2018” por O Globo e é notável na literatura afro-brasileira como uma personificação de vozes diversas e historicamente marginalizadas.
Nada digo de ti, que em ti não veja Publicado no ano de 2020, Nada digo de ti, que em ti não veja é ambientada no Rio de Janeiro no ano 1732 e aborda temas de milícia, racismo, notícias falsas, denúncia, fanatismo religioso e questões LGBTQ. O livro discute segredos e hipocrisias de duas famílias ricas coloniais, com uma ameaça de revelar alguns de seus segredos guardados. Cruz introduz um foco na transexualidade de uma mulher escravizada, Vitória. Cruz também conecta o passado da propriedade de escravos do Brasil com os problemas sociais atuais, chamando a obra de “amor impossível, forte e verdadeiro”
Publicações Obra individual Água de Barrela. Fundação Cultural Palmares, 2016. 2. ed. Rio de Janeiro: Malê Editora, 2018. (romance). O Crime do Cais do Valongo. Editora Malê, 2018. (romance). Nada Digo de Ti, Que Em Ti Não Veja. Pallas Editora, 2020. (romance). Solitária. Companhia de Letras, 2022 (romance) Milena e o Pássaro Antigo (conto) Meridiana. Companhia das Letras, 2025 (romance)
Antologias Cadernos Negros 39. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2016. (poemas). Cadernos Negros 40. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2017. (contos). Novos poetas. Prêmio Sarau Brasil 2017. Ciclo Contínuo Editorial. São Paulo: Ciclo Contínuo, 2018. (contos). A Vestida. Editora Malê, 2022. (contos).
Prêmios 2026 - Prêmio Guimarães Rosa, da Academia Brasileira de Letras 2022 - Prêmio Jabuti 2017 - Prêmio Sarau Brasil
Ligações externas Flor da Cor - Blog da escritora Textos de Eliana Alves Cruz - The Intercept Brasil
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