Maria Luísa de Hohenzollern-Sigmaringen (nome completo em alemão: Marie Luise Alexandra Karoline von Hohenzollern-Sigmaringen; Sigmaringen, 17 de novembro de 1845 — Bruxelas, 26 de novembro de 1912) foi uma princesa alemã de Hohenzollern-Sigmaringen que, após seu casamento com Filipe, Conde de Flandres, irmão mais novo do rei Leopoldo III da Bélgica, tornou-se Condessa de Flandres. Foi mãe do rei Alberto I da Bélgica.Bilteryst, Damien. Baudouin et Albert. Racine, 2013.
Biografia Primeiros anos esquerda|miniaturadaimagem|266x266px|Maria Luísa, quando princesa de Hohenzollern-Sigmaringen. Sexta filha, a segunda menina, de Carlos Antônio, Príncipe de Hohenzollern-Sigmaringen, último príncipe soberano de Hohenzollern-Sigmaringen e posteriormente ministro-presidente da Prússia (1858–1862), e de Josefina de Baden, neta de Carlos, Grão-Duque de Baden e de Estefânia de Beauharnais filha adotiva de Napoleão Bonaparte. Entre seus irmãos destacaram-se Carlos I da Romênia, primeiro rei moderno da Romênia, e Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, cuja candidatura ao trono da Espanha esteve entre os fatores que antecederam a Guerra Franco-Prussiana de 1870.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 174–180.Bilteryst, Damien. Baudouin et Albert. Racine, 2013, p. 51–57.
Maria Luísa passou a infância entre os castelos de Sigmaringen, Krauchenwies e Jägerhof, em Düsseldorf. Recebeu uma educação típica da realeza europeia, baseada no estudo de línguas, música, pintura, literatura, religião e equitação. Desde cedo revelou talento para as artes plásticas, especialmente para a pintura, atividade que continuaria a cultivar durante toda a vida. Sua educação foi marcada pela forte religiosidade católica e pelo estreito convívio familiar, especialmente com sua mãe e seus irmãos.Biermé, Pierre. Une princesse de Hohenzollern. Bruxelles, 1913, p. 40–84.
Durante a juventude presenciou acontecimentos que marcaram profundamente sua vida. Em 1859, sua irmã mais velha, Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, rainha consorte de D. Pedro V de Portugal, morreu de difteria aos vinte e dois anos. Em 1866, seu irmão Antônio faleceu em consequência dos ferimentos sofridos na Batalha de Sadowa, durante a Guerra Austro-Prussiana.Biermé, Pierre. Une princesse de Hohenzollern. Bruxelles, 1913, p. 84–107.
Casamento miniaturadaimagem|296x296px|Maria Luísa e Filipe. Em dezembro de 1866 conheceu Filipe, Conde de Flandres, irmão mais novo do rei Leopoldo III da Bélgica. O casamento foi promovido pelo soberano belga como parte de sua estratégia diplomática para fortalecer os laços entre a Bélgica e a Prússia num período de crescente tensão internacional. A cerimônia realizou-se em 25 de abril de 1867, na Catedral de Santa Edviges, em Berlim, na presença do rei Guilherme I da Prússia e do chanceler Otto von Bismarck. Na França, a união foi vista com preocupação, por representar um fortalecimento da influência prussiana sobre a Bélgica.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 174–183.Rodier, Paul. Les causes de la guerre 1870-1871. Épinal, 1911. Tiveram cinco filhos:
Balduíno (1869-1891); Henriqueta (1870-1948); Josefina (1870-1871); Josefina (1872-1958); Alberto I (1875-1934), terceiro Rei dos Belgas.
Vida na Bélgica esquerda|miniaturadaimagem|260x260px|Maria Luísa, Condessa de Flandres, com seus filhos: Balduíno, Henriqueta, Josefina e Alberto. Após o casamento, Maria Luísa estabeleceu-se em Bruxelas, passando a residir no Palácio do Conde de Flandres. Sua integração à corte belga foi díficil. Sua cunhada, a imperatriz Carlota do México, retornara à Bélgica em 1867 após a execução de seu marido, Maximiliano I do México, e permaneceu afastada da vida pública devido ao seu estado de saúde mental. Ao mesmo tempo, as relações entre o Rei Leopoldo II e a Rainha Maria Henriqueta eram marcadas por frequentes desentendimentos. Maria Luísa dedicou-se principalmente à vida familiar e à administração da casa.Bilteryst, Damien. Baudouin et Albert. Racine, 2013, p. 56–57. Coube-lhe supervisionar a escolha de governantas, preceptores e professores, orientando a formação dos príncipes segundo princípios religiosos, disciplinares e culturais. A educação dos filhos foi uma de suas principais atribuições dentro da família.Bilteryst, Damien. Baudouin et Albert. Racine, 2013, p. 295–302. miniaturadaimagem|230x230px|Maria Luísa. Em janeiro de 1869, a morte de Leopoldo, Duque de Brabante, único filho e herdeiro de Leopoldo II, fez do Conde de Flandres o herdeiro presuntivo do trono belga, uma vez que a Constituição previa apenas a sucessão masculina. No mesmo ano nasceu o primeiro filho do casal, o Príncipe Balduíno, fazendo do ramo de Flandres o principal ramo sucessório da família real belga.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 202–205. Paralelamente, Maria Luísa participou de diversas iniciativas beneficentes, sobretudo ligadas a hospitais, escolas, orfanatos e instituições católicas. Sua atuação concentrou-se principalmente em organizações confessionais, o que motivou críticas de setores liberais e socialistas da imprensa belga, que consideravam suas ações excessivamente vinculadas à Igreja Católica.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 265–268. esquerda|miniaturadaimagem|303x303px|Retrato de Maria Luísa, Condessa de Flandres. Obra de Liévin De Winne, c. 1870. O Palácio do Conde de Flandres tornou-se um dos principais espaços de representação da família real belga nas décadas de 1870 e 1880. Maria Luísa presidia recepções, bailes, concertos e jantares oficiais, recebendo membros da realeza europeia, diplomatas e representantes da aristocracia. Também manteve estreitos vínculos com seus parentes da Alemanha e da Romênia, que visitavam regularmente Bruxelas.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 217–222. A partir de 1869, a família passou a utilizar regularmente o Castelo dos Amerois, adquirido pelo Conde de Flandres no ano anterior, como residência de verão. Maria Luísa dedicava parte de seu tempo à pintura e à música e incentivava atividades ao ar livre para os filhos. O castelo também servia de local para encontros com membros da aristocracia, artistas e músicos convidados.Defrance, Olivier. Le château des Amerois. Weyrich, 2014, p. 12–51.
Em janeiro de 1891, o Príncipe Balduíno faleceu de pneumonia aos 21 anos. Após sua morte, Maria Luísa passou a dedicar maior atenção às atividades religiosas e artísticas. Nos anos Ceguintes, ela e o conde de Flandres realizaram diversas viagens pela Europa, embora frequentemente em separado: Filipe viajava para a França e países do Mediterrâneo, enquanto Maria Luísa visitava parentes na Alemanha e realizava temporadas em estâncias termais.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 260–279. Em 1900, acompanhou o casamento de seu filho Alberto com a duquesa Isabel na Baviera. No ano seguinte nasceu seu primeiro neto, o futuro rei Leopoldo III da Bélgica.Bilteryst, Damien. Le comte de Flandre. Racine, 2014, p. 286–291. Com a morte do Conde de Flandres, em 1905, Maria Luísa permaneceu ativa na vida da família real. Após a ascensão de Alberto I ao trono, em 1909, passou a ocupar posição de destaque na corte como mãe do soberano. Continuou apoiando obras beneficentes e instituições católicas, mantendo-se afastada da atividade política.Thielemans, Marie-Rose; Vandewoude, Émile. Le roi Albert au travers de ses lettres inédites. Bruxelles, 1982, p. 441.
Morte miniaturadaimagem|238x238px|Maria em sua velhice. Nos últimos anos de vida, a rotina de Maria Luísa concentrou-se em atividades religiosas, leitura, pintura, música e recepção de visitantes no Palácio do Conde de Flandres. A deterioração de seu estado de saúde reduziu gradualmente suas aparições públicas, embora tenha permanecido ativa até pouco antes de sua morte.
Maria Luísa faleceu em 26 de novembro de 1912, no Palácio do Conde de Flandres, em Bruxelas, aos 67 anos, vítima de congestão pulmonar após uma gripe. Sua morte provocou grande comoção na Bélgica. Jornais de diferentes orientações políticas elogiaram sua dedicação à família, sua modéstia, sua religiosidade e seu trabalho beneficente. O funeral reuniu representantes das principais casas reais europeias e foi acompanhado por uma multidão nas ruas de Bruxelas. Ela foi sepultada na Cripta Real da Igreja de Nossa Senhora de Laeken, tradicional local de sepultamento da família real belga.Biermé, Pierre. Une princesse de Hohenzollern. Bruxelles, 1913, p. 238–240.
Honras : Dama da Ordem de Santa IsabelNieuws Van Den Dag (Het) 02-10-1900 : 723ª Dama da Ordem da Rainha Maria LuísaAlmanach royal officiel: 1875 p. 18 : Dama da Ordem da Cruz Estrelada : Dama Grã-Cruz da Ordem da Coroa de Ferro : Dama da Ordem da Rainha Santa Isabel
Ancestrais
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