O Lago (em espanhol, El Lago) é um romance de ficção da escritora e bióloga argentina Paola Kaufmann, publicado em 2005 pelo Grupo Editorial Planeta. No Brasil, foi traduzido para o português por Mário Vilela e lançado em 2007 pela filial correspondente da mesma editora. A obra foi vencedora do Prêmio Planeta de Romance da América Latina de 2005, um ano antes do falecimento da autora.
Enredo
O enredo mescla ficção com fatos históricos e se desenvolve na Patagônia argentina a partir de 1922, quando o topógrafo Emilio Frey lidera uma expedição em busca do suposto criptídeo lacustre El Cuero, nos arredores de Epuyén, sob tutela do paleontólogo e diretor do Jardim Zoológico de Buenos Aires Clemente Onelli. A procura pela criatura, representada em artes rupestres pré-históricas e descrita com a aparência de um plesiossauro (“cuja cabeça se assemelha à de um cisne de formas descomunais e cujo movimento na água me fez presumir um corpo de crocodilo”), foi motivada pela alegação recente de avistamentos, tão logo desacreditados pela comunidade científica.
Cinquenta e três anos depois, em 1975, a naturalista e cética Ana Mullin, moradora de La Pedrera, às margens do lago Nahuel Huapi, encontra ao acaso uma cópia de correspondência emitida duas décadas antes por seu falecido pai, Viktor Mullin, para o Museu de Ciências Naturais de Buenos Aires. Na carta, ele, que havia participado não-oficialmente da expedição de 1922 e passado os anos posteriores obcecado pelo monstro, mencionava ter encontrado restos mortais frescos de um espécime e enviado as amostras coletadas para a instituição destinatária. Somado a isso, a incredulidade de Ana é contestada após o surgimento repentino de algas vermelhas, peixes mortos e outras ocorrências incomuns no lago correspondentes ao pressuposto período de atividade de El Cuero posterior aos incontáveis anos de hibernação.
Personagens
Ana Mullin: naturalista cética em relação à existência de El Cuero e que passa a utilizar o método científico para compreender os fenômenos aparentemente inexplicáveis do lago Nahuel Huapi. Possuía um distanciamento afetivo recíproco desde a infância com seu pai, Viktor Mullin, e o interesse em decifrar o desconhecido é considerado a única característica comum entre ambos.
Lanz: idoso húngaro de origem judaica, acometido pela síndrome de Korsakoff que elimina gradativamente suas memórias recentes e o impele para recordações de seu passado distante. Durante suas crises, apresenta episódios de psicose e revive o período da Segunda Guerra Mundial, quando foi capturado e submetido à Gendarmaria Real Húngara (alinhada ideologicamente à Alemanha Nazista).
Ilse: assim como Lanz, é húngara, judia e de idade avançada; desempenha papel matriarcal em La Pedrera, sendo responsável por cozinhar e dar suporte ao companheiro debilitado. Foi convencida por este, durante o período da Segunda Guerra Mundial, a rumar para a América do Sul e abandonar o país natal, onde secretamente mantinha um relacionamento amoroso com um soldado da Gendarmaria Real Húngara.
Nando: costuma visitar La Pedrera para auxiliar Lanz e Ilse nas atividades domésticas e mantém contato íntimo ocasional sem vínculo afetivo com Ana. Ele a acompanha até Buenos Aires em busca de respostas para os misteriosos acontecimentos nas redondezas do lago, demonstrando-se inseguro e intimidado com o cenário político argentino que culminaria no Golpe de Estado de 1976.
Klara: de origem incerta, foi encontrada ainda bebê e à beira da morte por Lanz e Ilse no navio de refugiados judeus rumo à América do Sul, após seus pais biológicos falecerem durante a viagem. É retratada como irmã de criação de Ana, visitando La Pedrera com certa regularidade e, como Nando, tem consciência dos acontecimentos políticos em curso no país. Seu trabalho na cooperativa assistencialista com povos originários de etnia mapuche resultam em ameaças e tentativa de homicídio orquestradas por grupos paramilitares, obrigando-a se autoexilar na Europa.
Pedro: nome atribuído ao desconhecido homem inconsciente em estado vegetativo, vítima de intensas agressões físicas e cujo corpo foi lançado na floresta à margem do lago. A alcunha deriva do bilhete com o endereço “Pedro Goyena, 963”, única informação obtida a seu respeito e que inspira Ana a buscar respostas.
Recepção
O Lago rendeu à autora Paola Kaufmann o Prêmio Planeta de 2005 na categoria "Romance da América Latina", concedido ao mais expressivo livro publicado pelo Grupo Editorial Planeta no ano correspondente. De acordo com Richard Gwyn, do The Independent, "Kaufmann parece determinada a aplicar o método científico ao seu próprio processo criativo, assim como Ana [a protagonista de O Lago] descreve como aplica o mesmo método a todos os seus relacionamentos. Se essa abordagem de cunho empírico dá a impressão de que sua escrita possa ser excessivamente analítica, então o leitor terá uma agradável surpresa”. Em sua revisão acerca da bibliografia da autora, Susana Yappert do Diario Río Negro qualifica como “uma obra formidável” e que a escritora “combina seu conhecimento e sua arte, que se entrelaçam com primor em 330 páginas profundas, densas e magníficas”, sendo “o melhor que [ela] escreveu”.
Ligações externas Paola Kaufmann website oficial da autora
Categoria:Livros de 2005 Categoria:Livros do século XXI Categoria:Romances de ficção científica Categoria:Literatura da Argentina