O Instituto Nacional de Cardiologia (INC) é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil, reconhecida como referência no tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares de alta complexidade. Além do atendimento clínico especializado, o instituto desenvolve pesquisas científicas e atua na formação de profissionais de saúde na área cardiológica. Possui 165 leitos, sendo 60 de UTI, com 4 mil internações anuais, 1200 cirurgias e 50 mil consultas médicas.

É o único hospital público que realiza transplantes cardíacos em adultos e crianças no Estado do Rio de Janeiro e é o segundo centro que mais realiza cirurgias de cardiopatias congênitas no Brasil.

História miniaturadaimagem|Fachada lateral do INC em 2023 A origem do INC remonta ao Hospital Nossa Senhora das Vitórias, unidade especializada em cardiologia do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), localizada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Em 1973, o IAPC decidiu criar um hospital geral que atendesse os comerciários em um prédio de sua propriedade em Laranjeiras, onde funcionava a Casa da Comerciária, que abrigava trabalhadoras de baixa renda. Em 14 de fevereiro de 1974, foi inaugurado o Hospital das Clínicas de Laranjeiras, tendo cardiologia, nefrologia, pneumologia, pediatria e clínica médica como especialidades. Inicialmente, apenas cinco andares do prédio eram ocupados pelo hospital, enquanto os pisos superiores continuavam destinados às moradoras da Casa da Comerciária. Posteriormente, após uma ordem de despejo, o hospital passou a ocupar integralmente o prédio.

Com a unificação dos IAPs no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e, posteriormente, no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), o hospital deixou de restringir o atendimento aos trabalhadores do comércio. Em razão da vocação cardiológica de seus fundadores, o governo o renomeou para Hospital de Cardiologia de Laranjeiras (HCL). Com a promulgação da Constituição brasileira de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1990, o HCL foi transferido para o governo do estado do Rio de Janeiro, recebendo o nome de Instituto Estadual de Doenças do Coração Nelson Botelho Reis. Pouco depois, retornou à esfera federal, subordinado ao Ministério da Saúde, e reassumiu a denominação Hospital de Cardiologia de Laranjeiras.

Durante a década de 1990, com apoio do Ministério da Saúde, o hospital expandiu suas atividades, tornando-se referência em cirurgias cardíacas complexas, neonatais e transplantes. O número anual de cirurgias cresceu de poucas centenas para mais de mil no início dos anos 2000. Em 1996, foi criada a Fundação Pró-Coração (Fundacor) para apoiar projetos de ensino e pesquisa. No ano 2000, por portaria ministerial, o hospital foi elevado à categoria de instituto federal, passando a denominar-se Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Além da assistência, passou a atuar no ensino e na pesquisa, criando a Coordenação de Ensino e Pesquisa em 2005 e ofertando mestrados. Em 2021, foi reconhecido como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT).

O INC passou a assessorar o Ministério da Saúde na formulação de políticas públicas e no desenvolvimento de programas nacionais na área de cardiologia. A instituição também integra o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde, criado em 2009, que atua nos processos de avaliação e incorporação de tecnologias no sistema de saúde brasileiro. Além disso, presta consultoria em cardiologia à Comissão Nacional de Regulação da Alta Complexidade (CNRAC), responsável pela regulação de atendimentos de alta complexidade fora do estado de origem dos pacientes. Nesse âmbito, especialistas do instituto analisam remotamente laudos médicos provenientes de diversas regiões do país e emitem pareceres quanto à necessidade de transferência para centros especializados em outros estados. Os procedimentos são financiados pelo SUS, sendo o INC uma das unidades de referência para o recebimento desses pacientes.

Em 2008, a atuação da instituição também se estendeu ao âmbito internacional, quando equipes do instituto foram enviadas para a Argélia com o objetivo de capacitar profissionais locais na realização de cirurgias em crianças com cardiopatias congênitas.

Em 2011, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinou acordo de cooperação com o INC.

Em maio de 2017, o INC enviou um memorando ao Ministério da Saúde, informando que, diante do orçamento recebido, diminuiria o número de cirurgias que utilizam "materiais de alto custo", como marcapassos. No mesmo mês, a Defensoria Pública da União (DPU) recomendou ao INC não reduzir o número de cirurgias. Segundo o Ministério da Saúde, o repasse anual para os hospitais e institutos federais do Rio de Janeiro é estável e soma 1,2 bilhão de reais para o atendimento em nove unidades, e que considerando o custeio de pessoal, os recursos chegam a 3,3 bilhões de reais.

Controvérsias Em dezembro de 2016, o diretor Andrey Monteiro foi exonerado do cargo. Ele foi o responsável por um aumento em trinta por cento do número de cirurgias cardíacas e em dez por cento a realização de cateterismos, implantes de marca-passos e consultas, e trouxe uma economia mensal de 400 mil reais à instituição.

Bibliografia

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