A comunidade quilombola de Marinhos localiza-se no distrito de São José do Paraopeba zona rural do município de Brumadinho, Minas Gerais.
Comunidade Marinhos foi inicialmente povoada por ex-escravos da fazenda Silva localizada a poucos quilômetros da comunidade. Junto com o povoado existem mais três comunidades próximas: Rodrigues, Sapé e Ribeirão. O líder de Marinhos é Cambão. Marinhos que em 2018 era habitado por 80 famílias, recebeu o reconhecimento oficial de comunidade quilombola em 2010, por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU), em 4 de novembro.
Tombamento O tombamento de quilombos é previsto pela Constituição Brasileira de 1988, bastando a certificação pela Fundação Cultural Palmares:Portanto, a comunidade quilombola de Marinhos é um patrimônio cultural brasileiro, tendo em vista que recebeu a certificação de ser uma "reminiscência histórica de antigo quilombo" da Fundação Cultural Palmares no ano de 2012.== Cultura e tradições == A comunidade de Marinhos preserva manifestações culturais de matriz africana, sendo o Congado e o moçambique suas principais expressões, celebrações tradicionais que atravessam gerações. A música tem papel central na vida local: segundo o músico e compositor Reinaldo Santana Silva, conhecido como Reibatuque, nascido em Marinhos, o carnaval da comunidade foi criado por sua mãe e seus avós na década de 1960. A transmissão dessas práticas musicais e festivas entre as gerações é tida pela comunidade como forma de afirmação de sua identidade. Seus pais, Antônio Alves da Silva e Leide Santana Silva, também artistas, idealizaram a "Festa da Colheita", chamada "Quem planta e cria tem alegria", em que famílias se reúnem para plantar, colher e partilhar alimentos, parte dos quais é comercializada.
Projeto Batuquenatividade Criado em 2012 por Reibatuque como trabalho voluntário, o projeto Batuquenatividade nasceu da constatação de que as crianças da comunidade desconheciam as próprias tradições africanas. Entre suas atividades estão oficinas de arte, dança, música e percussão e a produção artesanal de tambores pelos próprios alunos, com o objetivo de fortalecer a identidade e a autoestima das crianças e adolescentes negros. Mantido de forma totalmente voluntária e sem apoio governamental, o projeto é apontado por seu idealizador como responsável por transformar a maneira como os jovens da comunidade enxergam a própria identidade negra. No mesmo espírito, Reibatuque criou na varanda de sua casa o "Cantinho Quilombê", dedicado à literatura negra, com livros doados por uma editora de Belo Horizonte em que personagens como super-heróis e princesas são representados como pessoas negras.
Turismo cultural Em 2015, em parceria com Jana Janeiro, foi criado o roteiro "Café, batuque e prosa", que proporciona a visitantes uma imersão na vivência quilombola. O passeio inclui um café da manhã quilombola com quitandas, a visita às comunidades vizinhas e a degustação de alimentos orgânicos, como a broa de fubá feita em moinho d'água. A ferrovia Paraopeba, que margeia as comunidades, é apontada como ponto de interesse histórico e econômico da região. Iniciativas como esse roteiro e as oficinas culturais buscam, simultaneamente, gerar renda para as famílias e preservar a memória e as tradições do antigo quilombo.
Reconhecimento A comunidade obteve o reconhecimento oficial como remanescente de quilombo em 4 de novembro de 2010, data em que os vizinhos quilombos de Rodrigues e Ribeirão também foram reconhecidos. Situada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Marinhos integra, junto a essas comunidades e ao quilombo de Sapé, o conjunto de territórios quilombolas do município de Brumadinho.
Ligações externas Diário Oficial da União de 04 de novembro de 2010 oficializando o registro da comunidade Marinhos no JusBrasil. Categoria:Comunidades quilombolas de Minas Gerais Marinhos