Almançor ibne Anácer () foi um emir do Reino Hamádida, governando de 1088 até sua morte em 1105. Era filho de Anácer e era pai de Badis e Abdalazize . Ascendeu ao trono em 1088 e logo em 1090, devido a crescente pressão dos árabes hilálios, Almançor transferiu sua capital do Alcalá dos Banu Hamade para Bugia, que já havia sido modificada por seu pai. Pouco depois disso enfrentou a oposição de seu tio Belbar, cuja rebelião foi suprimida pelo emir Abu Iaqueni, que pouco depois também se rebelou contra Almançor e foi esmagado. Ao longo de seu reinado, enfrentou forte pressão das tribos árabes, do Império Almorávida do Magrebe Ocidental e do Reino Zírida da Ifríquia.

Vida

thumb|upright=1.05|Ruínas do Alcalá dos Banu Hamade thumb|upright=1.05|Reino Hamádida no

Almançor era filho do emir Anácer com Balara, filha do emir Tamime ibne Almuiz , e era pai de Badis e Abdalazize. Em 1088, quando ainda era jovem, sucedeu seu pai e seguiu firmemente seus passos e foi recipiente dos panegíricos de . Nos primeiros 2 anos de seu reinado, manteve a capital no Alcalá dos Banu Hamade, mas devido a forte pressão dos árabes hilálios, em 1090/1 mudou-a para Bugia. Seu pai preparou a transferência ao modificar o porto de pesca da cidade que batizaria Nacíria e ela protegeu o emir de novos ataques por ser de difícil acesso aos salteadores. Porém, Almançor não abandonou completamente o Alcalá, onde fez novos palácios, e o reino ficou com duas capitais ligadas por uma estrada real. O cronista do Ibne Caldune descreveu que Bugia possuía prédios públicos, palácios, uma rede de distribuição de água e jardins.

Ibne Caldune considerou Almançor como primeiro de sua linhagem a emitir moedas e que foi quem civilizou o Reino Hamádida, até então seminômade e totalmente carente do polimento dos badícidas de Cairuão. Pouco tempo após sua ascensão, Almançor enfrentou a revolta de Balbar, um de seus tios e governador de Constantina. Enviou uma expedição para debelar a revolta sob Abu Iaqueni, filho do emir Alcaide ibne Hamade , que por suas contribuições foi agraciado com o governo de Constantina e seu irmão Uiguelane recebeu Anaba; noutra reconstrução Abu Iaqueni recebeu as duas cidades. Em 1094, Abu Iaqueni rebelou-se e enviou seu irmão para Mádia com a missão de oferecer Anaba ao emir Tamime, que aceitou e enviou seu filho Abu Alfutu para reinar com Uiguelane, bem como incitou ataques do Império Almorávida do Magrebe Ocidental e os árabes.

Almançor conseguiu recuperar Anaba e Constantina, obrigando Abu Iaqueni a fugir ao Orés, onde foi morto. Também conseguiu intervir no oeste, que desde 1080-1083 estava sob domínio do emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine até Argel. De Tremecém, o governador almorávida Maomé ibne Tinaguemar estava atacando território sanaja (grupo tribal berbere ao qual os hamádidas e zíridas pertenciam) com conivência dos zenetas, eles próprios incitados pelos , apesar da relação deles por casamento com Almançor. Almançor puniu os macuquitas e investiu contra Tremecém, obrigando Iúçufe ibne Taxufine a pedir a paz. Os almorávidas logo quebraram a paz, mas foram novamente forçados a se retirar. Mais tarde, em algum momento provavelmente após 1091, Almançor foi derrotado por zenetas sob Macuque e foi obrigado a voltar para Bugia. Em retaliação, matou sua esposa, filha de Macuque, e saqueou Tremecém em 1103. Em 1104, uma tratado de paz hamádida-almorávida foi assinado e Almançor ficou livre para reprimir os zenetas do Magrebe Central. Faleceu em 1105 e foi sucedido por seu filho Badis.

Bibliografia

Categoria:Emires hamádidas Categoria:Berberes do século XI Categoria:Berberes do século XII