Africanização é a adoção de uma língua africana e de outros atributos associados a etnias negras, voluntariamente ou não, por comunidades. Tem sido aplicada em vários contextos, nomeadamente geográficos, de nomeação e composição do serviço público.African Successes Four Public Managers of Kenyan Rural Development David K. Leonard UNIVERSITY OF CALIFORNIA PRESS
Africanização dos pardos De acordo com o Estatuto da Igualdade Racial, os pardos são considerados como negros. Essa metodologia também é adotada pelo IBGE, que vem agregando as categorias pardos e pretos numa categoria única denominada "negros".IBGE usa classificação de cor preta; grupo negro reúne pretos e pardos Porém, esta decisão tem causado muitas polêmicas, pois não é um consenso geral na sociedade brasileira. Para o sociólogo Demétrio Magnoli, os pardos são um grupo mestiço, que não se vê nem como branco, nem como negro, mas como um grupo separado. Por sua vez, o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho classifica essa metodologia como "genocídio racial estatístico", uma vez que a categoria "parda" sempre incluiu muitos brasileiros mestiços de índios, predominantes nos estados do Norte, os quais estão sendo excluídos das estatísticas com essa nova metodologia. Ainda segundo Murilo de Carvalho, separar a população brasileira somente entre "brancos" e "negros", ignorando a grande parcela miscigenada, é uma tentativa falha de copiar o modelo binário de classificação racial norte-americano para a realidade brasileira.Genocídio racial estatístico
Certos segmentos do movimento negro defendem que alguns pardos devem ser excluídos das cotas. Em entrevista, Frei David do Santos, diretor executivo da organização não governamental Educafro, afirmou: "Todo o problema está no pardo-branco, porque ele tem poucos traços fenotípicos do povo negro e usa a genotipia [genética/ascendência] para usurpar um benefício que não lhe pertence".Candidato negro a concurso público terá de se apresentar para comprovar a cor
Segundo a jurista Roberta Kaufmann, existe uma "grotesca manipulação dos índices relacionados aos negros". Ela cita que muitos ativistas contam os pardos como negros para dizer que a maioria da população brasileira é negra, mas excluem os pardos quando afirmam, por exemplo, que há apenas 3% de negros nas universidades brasileiras.
A questão dos pardos tem causado polêmicas. Em 2016, para o concurso do Itamaraty, diplomatas ouvidos pela Folha de S. Paulo afirmaram que, no afã de eliminar candidatos tidos como "fraudadores", os cotistas classificados como "pardos" foram eliminados do concurso pela comissão verificadora.Itamaraty exclui de concurso 47 candidatos autodeclarados negros A Lei 12.990/2014, que reserva 20% das vagas nos concursos públicos federais para candidatos "negros", instituiu que "pretos" e "pardos" fazem jus às cotas.LEI Nº 12.990, DE 9 DE JUNHO DE 2014
Segundo o censo do IBGE de 2010, apenas 7,6% dos brasileiros identificaram-se como pretos, ao passo que 43,1% identificaram-se como pardos e 47,7% como brancos.IBGE. Censo Demográfico 2010
Africanização do serviço público Em alguns países, imediatamente após a sua independência, houve políticas de ações afirmativas denominadas "Africanização". O objetivos delas era destinado a aumentar o número de Africanos no serviço civil (que tinha sido, historicamente dominado por brancosAdedeji, Adebayo. "Comparative strategies of economic decolonization of Africa." In Ali AlʼAmin Mazrui and Christophe Wondji, eds. Africa Since 1935. UNESCO ou Asiáticos).Pp.176-178. Goans of the North Atlantic: A Transnational Study of Migration, Technology Adoption, and Neoculturation across Six Generations by Clifford Pereira in Migration, technology and Transculturation: Global Perspective. Edited by Myna German and Padmini Banerjee. Center for International and Global Studies. Lindenwood University Press. St. Charles. Mo. USA
Políticas similares de cotas raciais também ocorreram em países como o Brasil, ainda que não sobre o pretexto utilizado na África, mas sobre a justificativa de pagar uma dívida histórica com os negros escravizados.
Africanização de nomes Africanização se refere à modificação de nomes de lugares e nomes pessoais para refletir uma identidade "Africana". Em alguns casos, as alterações não são uma substituição do nome europeu por meio de transliteração.
Em muitos casos, durante o período colonial, as terras e localizações africanas tiveram seus nomes Anglonizados ou Francofonizados.
Nomes de lugar
Nomes de países Vários países Africanos sofreram alterações de nome durante o século XX e XXI, como resultado de consolidações, ganho de soberania, empoderamento e mudanças de regime. Nome anteriorAnoNome atualRepública do Daomé1975República do BenimProtetorado da Bechuanalândia 1966República do BotsuanaAlto Volta1984Burquina FassoUbangui-Chari1960República Centro-AfricanaZaire 1997República Democrática do CongoMeio Congo1960República do Congo Somalilândia Francesa / Afares e Issas1977República do JibutiGuiné Espanhola1968República da Guiné EquatorialReino da Suazilândia2018Reino de Essuatini Costa do Ouro1957República do GanaGuiné Francesa1958República da Guiné Guiné Portuguesa1974República da Guiné-Bissau Basutolândia, Território da1966Reino do Lesoto Niassalândia 1964República do MaláuiSudão Francês1960República do Mali Sudoeste Africano1990República da Namíbia Ruanda-Urundi1962República de Ruanda / República de BurundiZanzibar / Tanganica1964República Unida da TanzâniaBuganda1962República do UgandaRodésia do Norte1964ZâmbiaRodésia do Sul1980República do Zimbábue
Nomes pessoais
Joseph-Desiré Mobutu alterado para Mobutu Sese Seko François Tombalbaye alterado para N'Garta Tombalbaye Étienne Eyadéma alterado para Gnassingbé Eyadéma Francisco Macías Nguema alterado para Masie Nguema Biyogo Ñegue Ndong
Categoria:Cultura da África Categoria:Assimilação cultural Categoria:Descolonização Categoria:Pan-africanismo Categoria:Sentimento antiocidental