Metodologia da Sociolinguística laboviana visa registrar dados linguísticos através de gravações de áudio, quantificação e análise dos materiais encontrados.
A Sociolinguística é uma das subáreas da Linguística, e correlaciona Língua e Social. Foi Saussure o primeiro a definir a Língua como objeto da Linguística e a considerá-la um fato social. William Labov, por sua vez, foi quem instituiu o que é conhecido por Sociolinguística Variacionista, também nomeada por Sociolinguística Quantitativa, por operar com números e tratamento estatístico dos dados coletados.
As etapas básicas na metodologia da pesquisa sociolinguística são:
Gravação de inquéritos; Transcrição dos áudios; Levantamentos dos dados encontrados; Codificação dos dados; Quantificação; Análise dos resultados obtidos.
Comunidade de fala A comunidade de fala é o ponto de partida e o objeto de observação da análise sociolinguística. A conceituação do que é uma comunidade de fala é diversificada. Há autores que a conceituam sob aspectos sociais, linguísticos, socioculturais e também psicológicos.
Labov acredita que a língua não pode estar desvinculada do social, e que exerce uma função comunicativa em grupos sociais/culturais. Logo, em uma comunidade de fala, os indivíduos devem compartilhar de valores linguísticos semelhantes para que haja comunicação, fato que não delimita o falante a participar de uma só comunidade. Sendo assim, considera-se comunidade de fala um grupo de indivíduos que partilham dos mesmos julgamentos linguísticos (têm a maneira de falar as escolhas linguísticas muito próximas). Um falante pode fazer parte de diversas comunidades de fala. A depender do ambiente social em que essa pessoa esteja inserida, ela adaptará as suas escolhas para adequar-se às exigências linguísticas de cada grupo. Ver variação estilística.
Metodologia da pesquisa sociolinguística
Método da Entrevista/Gravação de inquéritos Segundo Tarallo, a escolha dos informantes para constituir o banco de dados da pesquisa sociolinguística deve seguir algumas regras: os informantes devem ter nascido ou ido morar desde muito pequenos na comunidade em estudo, assim como seus pais; o pesquisador deve ter em mãos gravador, material para fazer anotações e em momento algum pode explicar que a língua usada pela comunidade é o real foco da entrevista. Acredita-se que, caso o informante saiba que terá a sua fala analisada, ele tenderá a monitorar ainda mais as suas escolhas linguísticas (monitoramento esse, que já é comprovado em muitas pesquisas como já existente, pelo simples fato de haver um gravador presente na conversa entre inquiridor e informante).
A coleta deve conter situações naturais de comunicação linguística, grande quantidade de material e boa qualidade sonora.
Vernáculo: a fala espontânea Labov afirma que o vernáculo é o veículo usado em situações naturais de uso, a língua falada entre pessoas mais próximas; a fala despreocupada, quando o indivíduo não presta atenção ao como está produzindo as enunciações. O pesquisador-sociolinguista deve, portanto, coletar o vernáculo em seus estudos. Porém, as condições de entrevista podem inibir ou até comprometer esse registro. Sendo assim, para que a coleta de dados seja proveitosa, é necessário, além de o informante não saber que o que está sendo estudado é a sua Língua, que o pesquisador se mostre interessado na comunidade em que está inserido, no conteúdo da entrevista. E, se possível, que tenha sido apresentado por alguém conhecido na comunidade e ter tido contato prévio com as pessoas a serem gravadas. Tais registros devem ser autorizados através de documento assinado por ambos os envolvidos.
Levantamento de dados Após a gravação dos inquéritos, os dados coletados devem ser transcritos. Basicamente, a transcrição objetiva transpor para a escrita o discurso falado da maneira mais fiel possível. Antes de dar início a esse processo, é preciso delimitar os detalhes da transcrição visada; por exemplo, definindo os pormenores a serem registrados e que aspectos devem ser ignorados, sempre justificando tais escolhas. É importante considerar que os dados devem ser transcritos exatamente como foi falado pelo informante.
Entretanto, a maioria dos sistemas de transcrição tem como referência o sistema ortográfico, independente da pronuncia efetiva. Apesar de comprometer a fidelidade dos registros, há a vantagem de garantir maior legitimidade da transcrição.
Depois de delimitar o fenômeno a ser estudado, o pesquisador deve fazer o levantamento dos dados relevantes à sua pesquisa. Após isso, deve organizá-los, fazendo a codificação que lhe for mais viável para, posteriormente, submeter esse material a um programa de quantificação.
Quantificação dos dados Para chegar a um resultado ao final da pesquisa sociolinguística, os pesquisadores têm que recorrer à estatística. A estatística entra nesse processo para, segundo Scherre e Naro, “revelar tendências e correlações inerentes na massa de dados linguísticos, e validá-las, dentro de um determinado grau de certeza”. A estatística ajuda o pesquisador-sociolinguista a quantificar, resumir e manipular os grandes dados coletados. Portanto, é através da quantificação que o pesquisador confere suas especulações e afirma o resultado da sua pesquisa. Atualmente, o programa mais utilizado para as quantificações de dados sociolinguísticos é o pacote de programas Gold Varb.
Depois de finalizada a quantificação, são realizadas a análise e a interpretação dos resultados obtidos. É muito comum o uso de tabelas e gráficos para ilustrar melhor a variação estudada.
Através de tal processo, é possível conferir se há na Língua uma variação estável ou uma mudança em curso.
Ver também
Sociolinguística Sociolinguística Interacional Socioleto Idioleto Linguística William Labov Dialeto Variação linguística Projeto Atlas Linguístico do Brasil- ALiB
Ligações externas ite do programa GoldVarb, para quantificação sociolinguística Artigo de Cristiane Severo sobre comunidade de fala Artigo de Moreno Fernandéz sobre metodologia sociolinguística Artigo de Miriam Barbero sobre a metodologia sociolinguística
Categoria:Sociolinguística Categoria:Linguística