miniaturadaimagem|260px|A Proclamação da República O Governo Deodoro da Fonseca (1889-1891) equivale ao período da história do Brasil, em que o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca governou o país, desde a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889 até sua renúncia em 23 de novembro de 1891. Seu governo é marcado pela instabilidade política e pela crise econômica conhecida como Crise do Encilhamento, e também por revoltas militares como a Revolta da Armada. Sucedeu ao Gabinete Ouro Preto, o último gabinete do período monárquico.
Durante esse período todas as instituições políticas do Império são abolidas, a Constituição de 1824 é substituída pela Constituição de 1891, ocorre a separação da igreja e do Estado e eleições indiretas são convocadas para a escolha do primeiro presidente constitucional, já que até a promulgação da constituição republicana existia o chamado Governo Provisório, sendo que em ambos os governos, Deodoro da Fonseca foi o presidente.
Durante o Governo Deodoro da Fonseca, foi registrado um crescimento de 20,2% do PIB (média de 10,1%), apesar da crise financeira. Deodoro da Fonseca assumiu com a inflação em 1,1% e entregou a 89,9%.
A Proclamação da República No Rio de Janeiro, os republicanos insistiram que o marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista, liderasse o movimento golpista que substituiria a monarquia pela república. Depois de muita insistência dos republicanos, Deodoro da Fonseca concordou em liderar o movimento militar. De acordo com relatos históricos, em 15 de novembro de 1889, comandando algumas centenas de soldados percorrendo as ruas do Rio de Janeiro, o Marechal Deodoro, bem como uma grande parte dos militares, pretendia apenas derrubar o então Chefe do Gabinete Imperial (equivalente ao Primeiro Ministro), o Visconde de Ouro Preto. "Os principais culpados de tudo isso [a proclamação da República] são o conde de Eu e o visconde de Ouro Preto: o último a perseguir o Exército e o primeiro a consentir nessa perseguição", escreveu Deodoro mais tarde.
O golpe militar, marcado para 20 de novembro de 1889, tinha que ser antecipado. No dia 14, os conspiradores divulgaram boatos de que o governo prendera Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Deodoro da Fonseca. Mais tarde confirmou-se que era mesmo boato. Assim, os republicanos anteciparam o golpe e, nas primeiras horas de 15 de novembro, Deodoro estava disposto a liderar o movimento das tropas do exército que puseram fim ao regime monarquista no Brasil.
Os conspiradores foram para a residência do marechal Deodoro, que estava doente de dispneia, e finalmente o convenceram a liderar o movimento. Aparentemente decisivo para Deodoro era saber que, a partir de 20 de novembro, o novo presidente do Conselho de Ministros do Império seria Silveira Martins, um velho rival. Deodoro e Silveira Martins tinham sido inimigos desde a época em que o marechal havia servido no Rio Grande do Sul, quando ambos lutaram pela atenção da baronesa de Triunfo, uma viúva muito bonita e elegante que, segundo relatos da época, preferiu Silveira Martins. Desde então, Silveira Martins não perdeu a oportunidade de provocar Deodoro no plenário do Senado, insinuando que usurpava fundos e até desafiava sua eficácia como militar.
Além disso, o major Frederico Solon de Sampaio Ribeiro disse a Deodoro que um suposto mandado de prisão havia sido expedido contra ele, um argumento falso que finalmente convenceu o velho marechal a proclamar a República no dia 15 e exilar a Família Imperial à noite, para evitar uma eventual comoção popular.
Convencido de que seria preso pelo governo imperial, Deodoro deixou sua residência na madrugada de 15 de novembro e atravessou o Campo de Santana e, do outro lado do parque, os soldados do batalhão de lá, onde agora se encontra o Palácio do Duque de Caxias, rebelam-se contra o governo. Eles oferecem um cavalo ao marechal, que o montou e, segundo o testemunho, tirou o chapéu e proclamou "Viva a República!" Então ele desceu, atravessou o parque novamente e voltou para sua residência. A manifestação continuou com um desfile de tropas na rua Direita até o Palácio Imperial. Estudos recentes indicam que o Marechal Deodoro gritou "Viva Sua Majestade, o Imperador!" no entanto, até então ele estava convencido a testemunhar ao gabinete, não a proclamar a república, e só o fez quando foi falsamente dito que seu rival assumiria a posição.
O Governo Provisório miniaturadaimagem|260px|Dom Pedro II, era o imperador do Brasil quando ocorreu o golpe de estado em 1889 Na noite de 15 de novembro de 1889, foi constituído o Governo Provisório da República recém-proclamada, tendo como chefe o marechal Deodoro, com poderes ditatoriais. O ministério foi composto de republicanos históricos, como Campos Sales, Benjamin Constant e Quintino Bocaiuva, e de liberais da Monarquia que aderiram de primeira hora ao novo regime, como Rui Barbosa e Floriano Peixoto. Todo o ministério era membro da maçonaria brasileira. Deodoro foi o 13º Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, eleito em 19 de dezembro de 1889 e empossado em 24 de março de 1890. miniaturadaimagem|esquerda|Ato do governo Deodoro criando cargos de vice-chefes do governo provisório. O primeiro ato do novo governo foi dirigir uma proclamação ao país, anunciando a mudança de regime e procurando justificá-la. Pelo Decreto nº 1 foi adotada, a título provisório, a república federativa como forma de governo da nação brasileira, até que resolvesse a respeito na Assembleia Nacional Constituinte que seria convocada. As províncias do extinto Império brasileiro foram transformadas em Estados federados.
De todas as províncias, chegaram, logo, manifestações de adesão ao novo regime, quase sempre da parte dos velhos partidos monárquicos. Destarte, a República foi estabelecida em todo o país praticamente sem lutas, salvo no Estado do Maranhão, em que antigos escravos tentaram esboçar uma reação, correndo às ruas da capital com a bandeira do Império e dando vivas à Princesa Isabel. Foram dispersos pelo alferes Antônio Belo, com o saldo de três mortos e alguns feridos. Os três negros, de que a História não guardou os nomes, foram os únicos mortos da Proclamação da República no Brasil.
Em 16 de novembro, Deodoro mandou uma mensagem ao imperador destronado, intimando-o a deixar o país juntamente com a família imperial brasileira, dentro de 24 horas, e oferecendo-lhe a quantia de 5 mil contos de réis para seu estabelecimento no exterior. Dom Pedro II de Bragança recusou a oferta, e partiu na madrugada de 17 de novembro para Portugal, pedindo somente um travesseiro com terras do Brasil, para repousar a cabeça quando morresse. miniaturadaimagem|260px|A Bandeira Provisória da República, embora nunca oficializada miniaturadaimagem|260px|A Bandeira da República 260px|miniaturadaimagem|O Brasão de Armas republicano adotado em 1889 260px|miniaturadaimagem|Partitura do Hino Nacional Brasileiro que foi oficializado em 1922 (Ornamento de Teodoro Braga, 1922.
Os Novos Símbolos Nacionais A Bandeira da República Na manhã do dia 19 de novembro, o marechal recebia em sua casa alguns republicanos, liderados por Lopes Trovão, os quais iam submeter, já como fato consumado, à sua apreciação, o projeto da nova bandeira do Brasil. Deodoro, porém, desejava manter a antiga Bandeira Imperial, dela retirando apenas a coroa, e considerou a bandeira que lhe fora apresentada por Lopes Trovão como um arremedo grosseiro da bandeira dos Estados Unidos. Os republicanos insistiram que só restava a Deodoro oficializar a bandeira por eles apresentada, pois a mesma já tremulava em alto-mar, no mastro do Alagoas, navio que conduzia o imperador deportado ao exílio. Irritado, o marechal deu um soco na mesa, exclamando: Senhores, mudamos o regime, não a Pátria! Nossa bandeira é reconhecidamente bela e não vamos mudá-la de maneira nenhuma!
Os republicanos ficaram sem resposta e a sua bandeira foi, posteriormente, para o Museu da Marinha, ficando conhecida como a "bandeira provisória da República", embora nunca tenha sido oficializada. Diante da decisão inflexível de Deodoro, foram mantidos, na bandeira nacional, o losango amarelo no retângulo verde, da antiga bandeira do Império, substituindo-se as armas da monarquia por uma esfera celeste, tendo, ao centro, o Cruzeiro do Sul, e cortada por uma faixa branca, com o mote Ordem e Progresso. A bandeira foi desenhada por Teixeira Mendes, presidente do Apostolado Positivista do Brasil, com o auxílio de Miguel Lemos e do professor de astronomia Manuel Pereira Reis.
Na tarde daquele 19 de novembro, o Chefe do Governo Provisório baixou o Decreto nº 4, oficializando a bandeira nacional. A exposição de motivos do Decreto considerava que as cores verde e amarelo, "independentemente da forma de governo, simbolizam a perpetuidade e integridade da Pátria entre as outras nações".
O Brasão da República Quando ocorreu a Convenção de Itu, em 1873, foi adotado, como símbolo do Clube Republicano, o brasão imperial encimado por barrete frígio, outro símbolo republicano que remonta à Revolução Francesa.
Por sua vez, as armas nacionais adotadas pelo regime republicano mantiveram muito do antigo brasão imperial. Substitui-se a cruz da Ordem de Cristo pelo Cruzeiro do Sul e a esfera armilar pelo círculo azul que também representa a esfera celeste; mantiveram-se os ramos de café e fumo, além do listel com as estrelas a representar as unidades territoriais que compõem a nação. A fita vermelha, abaixo, mudou para azul. Foram adicionadas a estrela de cinco pontas, símbolo republicano, e a espada, símbolo militar.
O brasão está presente nas bandeiras presidencial e vice-presidencial do Brasil, na faixa presidencial, na capa da Constituição e da Carteira de Trabalho, dentre outros símbolos e documentos.
O Hino Nacional da República Com o advento da Proclamação da República o mesmo hino monarquista se manteve; uma lenda foi então divulgada até mesmo em livros escolares, onde ao ouvir composições inscritas em concurso o chefe do governo provisório, marechal Deodoro da Fonseca teria declarado "prefiro o velho"; já em outubro de 1888 fora composto um novo hino, para substituir a Marselhesa que até então os republicanos entoavam, após concurso proposto por Silva Jardim - mas o advento do novo regime não permitiu que a composição do farmacêutico Ernesto de Souza tivesse qualquer divulgação; desta forma a 22 de novembro de 1889 foi aberto um novo concurso oficial para escolha do novo hino brasileiro pelo Ministério do Interior, chefiado por Aristides Lobo, e idealizado por José Rodrigues Barbosa: fizeram parte da comissão além do próprio Rodrigues Barbosa, Leopoldo Miguez, Alfredo Bevilacqua, Rodolfo Bernardelli e Rodolfo Amoedo.
O concurso de 1889 previa a participação de músicos "eruditos e populares"; temendo a inserção de ritmos africanos em tal certame, o crítico musical Oscar Guanabarino iniciou uma campanha contrária em 4 de janeiro de 1890, usando dentre outros o pretexto patriótico de que sob o "antigo" hino os militares brasileiros, como o próprio Deodoro, haviam combatido na Guerra do Paraguai; o então major Serzedelo Correia levou este apelo ao próprio Ministro da Guerra, Benjamin Constant, no dia 15 daquele mês, sendo então atendido e o concurso, previsto para ocorrer no dia 20, passou a ser para a escolha do Hino da Proclamação da República, vencido por Leopoldo Miguez: isto foi consagrado no decreto número 171, de 20 de janeiro de 1890. O decreto 171 de 1890 fez com que o governo provisório oficializasse a música, mas não a letra, e sua execução se dava apenas por instrumentos; mesmo esta execução, entretanto, ainda não possuía uniformidade, levando o compositor Alberto Nepomuceno a propor ao presidente Afonso Pena uma reforma do Hino, em 1906.
Atos do Governo Provisório