O incidente do MV Morning Glory ocorreu na Líbia em março de 2014, quando o navio-petroleiro MV Morning Glory, com bandeira norte-coreana, tentou extrair clandestinamente petróleo do porto do Golfo de Sidra, que era controlado pelos rebeldes sob Ibrahim Jadran. A operação foi descoberta pelas autoridades líbias e o navio foi interceptado com a ajuda dos Estados Unidos, o incidente conduziu a uma crise política que levou à queda do primeiro-ministro Ali Zeidan, que foi substituído provisoriamente por Abdullah al-Thani.

Antecedentes

O Conselho Cirenaico de Transição era um grupo político que buscava a federalização da Líbia e a autonomia para a região da Cirenaica, como meio de acelerar seu progresso após a Revolução Líbia de 2011. Em 6 de novembro de 2012, Abd-Rabbo al-Barassi foi nomeado chefe do governo da Cirenaica com o apoio militar de Ibrahim Jadran, mas sem o consentimento do governo central.East Libya movement launches government, challenges Tripoli. Reuters. Em 11 de novembro, foi anunciada a criação de sua própria companhia petrolífera, que deteriorou ainda mais as relações com o governo nacional.Jadhran launches new Cyrenaican oil company, mocks Zeidan’s ten-day deadline. Libya Herald.

Em 2013, Jadran estabeleceu o Birô Político da Cirenaica e assumiu o controle dos portos do leste, incluindo al-Sidra, Ras Lanuf e Zueitina. Em agosto de 2013, Jadran publicou a "Declaração de Ras Lanuf", na qual reivindicava o direito da Cirenaica de "governar os seus próprios assuntos". Em outubro de 2013, a milícia de Jadran, as Forças de Autodefesa da Cirenaica, já possuía 17.500 homens.

Eventos Em março de 2014, o MV Morning Glory deixou o porto do Golfo de Sidra, tendo comprado dos rebeldes associados a Ibrahim Jadran mais de 200 mil barris de petróleo. O navio portava uma bandeira norte-coreana e sua tripulação consistia de três militares e 21 marinheiros: seis paquistaneses (um deles o capitão), seis indianos, três cingaleses, dois sírios, dois sudaneses e dois eritreus.

O governo de Trípoli detectou o navio-petroleiro e tentou bloqueá-lo por mar, mas a embarcação conseguiu escapar. Contudo, foi novamente detectado pelas autoridades cipriotas. Diante dessa situação, a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Jen Psaki, anunciou em comunicado que o Morning Glory "havia roubado o povo líbio" e que o petróleo pertencia à Companhia Nacional de Petróleo da Líbia e seus parceiros, incluindo empresas estadunidenses: "Qualquer venda de petróleo sem a autorização dessas partes coloca seus compradores em risco de enfrentar responsabilidade civil com multas e outras possíveis sanções em muitas áreas jurisdicionais".

Finalmente, em 16 de março de 2014, um grupo de SEALs, a bordo do destróier USS Roosevelt, alcançou o Morning Glory e o tomou sem recorrer à força, escoltando-o de volta a Trípoli, onde foi entregue às autoridades nacionais.Martinez, Luis (17 de maio de 2014) Navy SEALs Seize Oil Freighter ‘Morning Glory’ in Mediterranean. ABC News

Consequências políticas Em 11 de março de 2014, o primeiro-ministro Ali Zeidan perdeu o voto de confiança do parlamento depois de não conseguir impedir a venda de petróleo pelos rebeldes, ocasionando a nomeação do ministro da Defesa, Abdullah al-Thani, como o novo primeiro-ministro interino da Líbia pelo presidente líbio Nuri Abu Sahmain.

Em julho de 2014, al-Thani conseguiu negociar com os rebeldes cirenaicos, que entregaram o controle dos portos de Ras Lanuf e Sidra, pondo fim à crise petrolífera na Líbia.Ahmed Elumani, Patrick Markey (2 de julho de 2014) Libya declares oil crisis over after state reclaims ports Reuters (em inglês)

Categoria:Crise Líbia (2011–presente) Categoria:Incidentes marítimos internacionais Categoria:2014 na Líbia