Juan Gerardo Guaidó Márquez (La Guaira, 28 de julho de 1983) é um engenheiro e político venezuelano. Foi deputado nacional pelo estado de Vargas e ainda serviu como presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, sendo o mais jovem a ocupar o cargo. Em 23 de janeiro de 2019 autoproclamou-se Presidente da Venezuela, iniciando uma nova crise política no país. Em dezembro de 2022 a oposição venezuelana anunciou que estava destituíndo Guaidó como seu líder e autoproclamado presidente do país.
Logo após a autoproclamação Guaidó foi prontamente reconhecido como "presidente interino" por vários países, incluindo os Estados Unidos, o Brasil e outros do chamado "Grupo de Lima" e União EuropeiaBolsonaro reconhece Juan Guaidó como presidente da Venezuela. G1, 23 de janeiro de 2019.Trump reconhece Guaidó como presidente legítimo da Venezuela. Agência Brasil, 23 de janeiro de 2019 Todavia, no dia 21 de janeiro de 2019, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela declarou inválida a junta parlamentar da Assembleia Nacional, presidida por Guaidó, considerando nulos todos os atos aprovados pela Casa desde 5 de janeiro. O presidente Nicolás Maduro também rejeitou a declaração de Guaidó como "presidente interino da Venezuela" e afirmou que ainda era o presidente, o que levou a Venezuela a romper em definitivo as relações com os Estados Unidos. Guaidó também foi dirigente do partido Voluntad Popular.
Domesticamente Guaidó propôs o Plan País (que tentaria revitalizar a economia da nação), uma nova lei de anistia para militares e autoridades que se voltassem contra o governo Maduro, tentativas de entregar ajuda humanitária ao país e bônus sociais para profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19.
Internacionalmente Guaidó obteve o controle de alguns ativos venezuelanos e propriedades nos Estados Unidos, teve sucesso em uma batalha legal pelo controle de £ 1,3 bilhão em reservas de ouro venezuelano no Reino Unido e até nomeou diplomatas reconhecidos por governos estrangeiros que o apoiavam.
Vida pessoal Graduou-se no Instituto de Bacharelado "Los Corales" em 2000, depois de superar a tragédia vivida pelos varguenses no ano 1999. Em 2007 concluiu seus estudos universitários na Universidade Católica Andrés Bello de Caracas, obtendo o título de Engenheiro industrial. Após concluir os seus estudos universitários dedicou-se a continuar a sua formação, obtendo dois graus de pós-graduação, ambos em gestão pública, um pela George Washington University/UCAB e outro pelo Instituto de Estudos Superiores em Administração. Foi representante da Faculdade de Engenharia ante o Conselho Geral de Representantes Estudantis (COGRES). Foi membro da cátedra de honra e do programa de liderança da George Washington University. Dentre muitas atividades acadêmicas que realizou exerceu o cargo de secretário geral do COGRES, do qual é também membro fundador.
Guaidó participou ativamente do Centro de Estudantes de Engenharia como membro diretor.
É casado com Fabiana Rosales, com quem tem uma filha chamada Miranda. Atualmente reside em Macuto, Vargas. É oriundo da freguesia de Caraballeda.
Carreira política
Movimento estudantil Em 2007 Guaidó foi líder do movimento estudantil e um dos líderes estudantis durante os protestos contra a não renovação da concessão da RCTV e o referendo constitucional venezuelano nesse mesmo ano. Ainda no mesmo ano pertenceu ao movimento estudantil junto com outras figuras como Yon Goicoechea, Juan Requesens, Stalin González, Miguel Pizarro Rodríguez e Freddy Guevara. Em 2009 tornou-se membro fundador do partido nacional Voluntad Popular com um grupo de jovens e Leopoldo López, do qual é atualmente coordenador do estado de Vargas e coordenador nacional do partido.
Gestão como deputado Nas eleições de 2010 foi eleito deputado suplente de Bernardo Guerra para o período de 2011 a 2016. Em 24 de junho de 2015 é confirmado por Freddy Guevara, coordenador nacional do Voluntad Popular, como o principal candidato a deputado à Assembleia Nacional pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) representando à circunscrição N° 1 do Estado Vargas junto a Milagres Eulate. No entanto a colega de circunscrição de Guaidó seria Fabiola Colmenares, pré-candidata do partido, que perdeu nas primárias. Nas eleições que ocorreram em 6 de dezembro desse mesmo ano foi eleito deputado com 97.492 votos (26,01%), assumindo o cargo em 5 de janeiro de 2016.
Como parlamentar foi designado deputado suplente ao Parlamento Latino-Americano (PARLATINO) e vice-presidente da Comissão Permanente de Política Interior da Assembleia Nacional da Venezuela, em 2016. Em 2017 passa a ser presidente da Comissão Permanente de Controladoria da Assembleia Nacional da Venezuela. Já em 2018 é eleito como chefe da maioria opositora parlamentar.
Presidência da Assembleia Nacional Em dezembro de 2018 é confirmado pelos membros de seu apoio político como presidente do órgão legislativo para o período de 5 de janeiro de 2019 até 5 de janeiro de 2020. De modo semelhante são confirmados também o primeiro vice-presidente, Edgar Zambrano, atual chefe da bancada do partido Acción Democrática (AD) e Stalin González, do partido Un Nuevo Tiempo (UNT), como segundo vice-presidente.
Em seu discurso como novo presidente do parlamento falou sobre os presos políticos, sobre a crise geral que enfrenta a Venezuela, da corrupção, do êxodo venezuelano e de outros problemas importantes do país. Guaidó confirmou que a Assembleia Nacional não reconheceria o governo de Nicolás Maduro iniciado a partir de 10 de janeiro, quando se iniciaria mais um período de governo, recordando que desse dia em diante o órgão legislativo será o único poder legítimo que o povo da Venezuela teria.
Autoproclamado Presidente da Venezuela
miniaturadaimagem|esquerda|Juan Guaidó com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, no concerto Música para a Venezuela: Ajuda e Liberdade (2019)
Depois do que ele e outros parlamentares descreveram como a "ilegítima" a posse de Nicolás Maduro em 10 de janeiro de 2019, Guaidó anunciou que ele iria disputar a reivindicação de Maduro. No dia seguinte ele organizou um comício, no qual a Assembleia Nacional anunciou que ele tinha assumido o cargo de Presidente e que eles continuariam a planejar a remoção de Maduro.
Em 13 de janeiro de 2019 Guaidó foi preso pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. No mesmo dia foi solto e novamente se declarou como presidente em exercício da Venezuela.
No dia 23 de janeiro de 2019 Guaidó se declarou perante o povo venezuelano em Caracas o presidente da Venezuela e foi reconhecido como presidente interino do país pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, logo em seguida. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e vários outros países de todo o mundo também reconheceram Juan Guaidó como presidente interino.
Logo depois outros diversos países europeus e de outras partes do mundo declararam apoio a Juan Guaidó, entre eles Espanha, Alemanha, França, Reino Unido e Israel.
Dissolução do governo interino Em 22 de dezembro de 2022 a oposição venezuelana realizou uma votação inicial para remover o governo interino de Guaidó de sua liderança. A medida foi aprovada, mas sujeita a nova votação. Em 30 de dezembro de 2022, três dos quatro principais partidos políticos (Primeira Justiça, Ação Democrática e Uma Nova Era) apoiaram uma reforma do Estatuto de Transição para a Democracia para dissolver o governo interino e criar uma comissão de cinco membros para administrar o patrimônio estrangeiro. A emenda foi votada pela oposição na Assembleia Nacional enquanto os deputados buscavam uma estratégia unida antes das eleições presidenciais marcadas para 2024. A reforma foi aprovada com 72 votos a favor, 29 contra e 8 abstenções.
Agressões físicas
Em 28 de junho de 2017 Juan Guaidó foi agredido por efetivos da Guarda Nacional Bolivariana durante uma marcha na Avenida Francisco de Miranda. O deputado recebeu tiros de balas de borracha nas costas e no pescoço. Mesmo assim ele expressou sua rejeição à repressão policial.
Tentativa de golpe contra o governo Maduro No dia 3 de maio de 2020 o governo Venezuelano anuncia que frustrou uma tentativa de invasão vinda da Colômbia, na costa marítima da cidade de Macuto, onde ocorreu um confronto deixando 8 mortos e 16 presos. O ex-militar americano Jordan Goudrou, proprietário da empresa de segurança Silvercorp, admitiu que planejou uma operação militar contra Maduro chamada de "Operação Gedéon", onde nesta operação dois ex-militares americanos contratados pela Sivercop participaram da tentativa de assalto. Dados divulgados por veículos de comunicação dizem que após os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões pala prisão de Maduro, acusando o presidente de "narcoterrorismo", surgiram supostos esquemas para a captura do líder do Palácio de Miraflores, com dezenas de empresas de segurança envolvidas nos planos.
Ao decorrer destas ação surgem acusações contra Guaidó, dizendo que o mesmo estava envolvido diretamente com o atentado contra o governo venezuelano. O ex-chefe do comitê de estratégia de Juan Guaidó, Juan Rosé Rendón, numa entrevista a CNN en Espanhol, disse que negociou planos com mercenários da Silvercorp para a captura de Maduro.
Guaidó negou qualquer envolvimento ou responsabilidade dele ou da sua equipe na Operação Gideon. Maduro afirmou que suas forças sabiam tudo sobre a operação, apesar de não haver evidências diretas de contato próximo entre o mercenário Jordan Goudreau e o primeiro governo Trump ou qualquer pessoa próxima a ele.
Ver também
Crise na Venezuela Escassez na Venezuela Henrique Capriles Lilian Tintori María Corina Machado Política da Venezuela Protestos na Venezuela
Ligações externas ¿Quién es Juan Guaidó? Se Puede, 5 de fevereiro de 2019.
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