O Centro Português de Serigrafia (CPS) é uma entidade de cariz cultural fundada em 1985 por António Prates. Tem como objetivos promover, editar e divulgar a obra gráfica original e os múltiplos de arte de artistas contemporâneos, portugueses e estrangeiros, especialmente junto dos seus sócios que têm acesso privilegiado às obras editadas.

Com um ateliê especializado localizado no centro de Lisboa, realiza edições de arte contemporânea, limitadas e assinadas pelos artistas, nas técnicas de Serigrafia, Gravura, Litografia, Fotografia e Arte Digital. Segue um modelo editorial eclético e formativo. Em 2018 já tinha editado mais de 2.800 obras de cerca de 600 artistas de 25 nacionalidades distintas, como os portugueses Artur Bual, Cargaleiro, Cesariny, Cruzeiro Seixas, Nadir Afonso, José de Guimarães, Júlio Pomar, Pedro Calapez, Vhils e o britânico Allen Jones, o alemão Peter Klasen, o francês Jacques Monory ou o islandês pós-modernista Erró.

O CPS tem dado um forte contributo na dinamização do panorama cultural português através das exposições que promove e que se distinguem por se dedicarem em específico à obra gráfica do artista exposto. Entre as exposições realizadas destacam-se as de artistas como Antoni Tàpies, Joseph Beuys, Paula Rego, Pablo Picasso, Salvador Dalí e Le Corbusier.

Outro modo como a sua influência e visível na promoção da arte em Portugal, é através dos seus sócios. Estes acedem a um conjunto de vantagens e beneficiam de um modelo de sócio único e inédito que permite a troca direta de quotas por obras de arte, tornando a arte mais acessível para o consumidor comum. Em 2018, o CPS já tinha contribuído para as coleções de arte de mais de 13.000 sócios.

História O CPS foi fundado em 1985 por António Prates, detentor na altura da Galeria de São Bento, com a ideia de se tornar um "clube de arte". Foi inaugurado com uma serigrafia de Manuel Cargaleiro. A Serigrafia seria de resto, a técnica eleita nos primeiros anos de edições. Entretanto, outros nomes foram sendo acrescentados aos artistas editados, como Cruzeiro Seixas, António Palolo, Artur Bual, Lagoa Henriques, Paulo Ossião, Maluda, Molina, ou, mais recentemente, Júlio Pomar, José de Guimarães, Sofia Areal, Gracinda Candeias, Arq. Siza Vieira, Arq. Souto de Moura, entre muitos outros.

Em 1992, António Prates convidou o irmão, João Prates, a dirigir o Centro, sendo este ainda hoje o diretor-geral.

Demonstrando o seu dinamismo e inovação, em 1994 o CPS lançou o seu website (www.cps.pt) tendo este sido posteriormente atualizado em 2003 e em 2015 já com loja online.

Também em 1994, aproveitando a riqueza criativa dos gravadores portugueses, o CPS inicia as Edições de Gravura com uma obra de Manuela Pinheiro, tendo realizado entretanto mais de 250 edições, onde marcam presença os artistas gravadores David de Almeida, José Faria, Irene Buarque, Madalena Fonseca, Humberto Marçal, Maria Beatriz ou Maria Tomás.

Perante o rápido crescimento do CPS, em 2000 inaugurou novas e alargadas instalações, a atual Sede em Lisboa, incluindo um espaço de exposições temporárias exclusivas de obra gráfica (o primeiro e único na altura no país), um espaço para seleção de obras, e um espaço expositivo com as edições mais recentes.

Em 2001 no sentido de preservar técnicas tradicionais praticamente em desuso em Portugal, o CPS dá início às edições de Litografia sobre pedra, com uma obra da pintora Helena Abreu procurando estimular novas gerações de artistas.

Em 2003 abre o seu novo ateliê em amplas instalações no centro de Lisboa no qual pretende incrementar a edição e a divulgação da obra gráfica nas suas vertentes: serigrafia, gravura, litografia. Este é também um espaço de exploração criativa entre várias disciplinas atentas à inovação e ao potencial de novos projetos. Com a abertura deste novo ateliê, o CPS expande-se também, ainda em 2003, para o mundo da estampa digital, coincidindo com a exposição de Evelyn Hellenschmidt e, em 2005, inicia as edições de Fotografia com uma série de Carlos Calvet, expandido o universo da imagem artística. miniaturadaimagem|163x163px|Divisão de serigrafia do atual ateliê do CPS Em Abril de 2008, dá-se a abertura de uma segunda galeria no CCB, que permitiu uma nova visibilidade expositiva e reforçou a proximidade dos Sócios ao universo de arte contemporânea.

Boletins e Revistas CPS Devido ao seu êxito, desde 1988 que o CPS distribui gratuitamente correspondência aos seus sócios sobre a forma de um boletim ou revista. Iniciou-se como um boletim aos seus sócios com as suas edições e outros acontecimentos do CPS. Mais tarde, em 1994, o boletim deu lugar à revista "Galeria de Arte": lançada em Março de 1994 e com publicação trimestral, incorporando agora também reportagens, notícias, entrevistas, etc. sobre o mundo ibérico das Artes Plásticas, tendo sido distribuída até 1998. Após 1998, passou a ser distribuída a revista "Catálogo de Arte", anualmente, e outras pontuais, novamente focadas no trabalho do Centro. Esta foi distribuída até 2004, dando lugar em 2005 à revista "Arte: Edições de Arte Contemporânea", ainda hoje distribuída.

Edições O CPS editou mais de 2800 edições de arte, das quais mais de 1100 de serigrafia e mais de 400 de gravura, de mais de 550 artistas de 25 diferentes nacionalidades, com maior incidência em artistas portugueses.

Dos artistas editados portugueses destacam-se Artur Cruzeiro Seixas, José de Guimarães, Júlio Pomar, Leonel Moura, Manuel Cargaleiro, Mário Cesariny, Pedro Calapez e Vhils.

Dos artistas editados internacionais destacam-se Allen Jones, Antonio Seguí, Erró, Jacques Monory, Ken Rinaldo, Luís Feito, Peter Klasen e Rafael Canogar.

As edições de arte eram realizadas no APG (Atelier Português de Gravura), já pertencente ao CPS.No entanto, em 2003 com a abertura das instalações do novo Atelier CPS, passaram-se a fazer aí todas as suas edições. Neste ateliê foram e são realizadas as edições de serigrafia, antes coordenadas pelo falecido Rui Alves e agora por Luís Azevedo, que também dirige as de impressão digital e fotografia, assim como as de litografia e gravura, coordenadas por Mestre Humberto Marçal. miniaturadaimagem|Edição do CPS Os Lusíadas|alt=

Marcos Editoriais

"A Arte e o Vinho", iniciada em 1990, aclamada e ainda hoje presente nos projetos correntes do CPS, em que junta conhecidos vinhos portugueses, apresentando rótulos, por sua vez, concebidos por reconhecidos artistas nacionais, com uma serigrafia, respetiva ao rótulo. "Os Lusíadas", em 1995, uma edição da epopeia Os Lusíadas com a participação de 14 conceituados artistas: Artur Bual, Cargaleiro, Cesariny, Cutileiro, Eurico Gonçalves, Fernando Lanhas, José Rodrigues, João Vieira, Lima de Freitas, Luís Pinto Coelho, Júlio Pomar , Júlio Resende e Siza Vieira.

"A Arte e o Livro", iniciada em 1995, composta por sete livros integralmente impressos em serigrafia, integrando ainda uma serigrafia. Compreende os livros "Narrativas de Sonho e Textos Automáticos" de Eurico Gonçalves, "Corpo Visível" e "Uma Combinação Perfeita" de Mário Cesariny, "O Infante Cósmico" de Artur Bual, "Papier Libre de Rico Sequeira, "El Deseo es un Agua" de António Jimenez e "Local Onde o Mar Naufragou" de Cruzeiro Seixas. A edição "Arte e Poesia", também iniciada em 1995, colocando em diálogo a imagem e a palavra poética. O álbum "Fado", em 1998, com serigrafias de Francisco Simões e textos de 28 personalidades, incluindo Amália. O álbum de arte de Manuel Cargaleiro e Vasco Graça Moura "Oito Canções de Outono - Sequência em Contraponto", em 2006. A edição da primeira Gravura criada por um Robot, também em 2006, de Leonel Moura. O álbum de arte de Malangatana “Canto Mitológico”, ainda em 2006. Em 2008, a celebrar 35 anos do Ar.Co e dos 15 anos da Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea de Almada, o CPS editou uma coleção de serigrafias intitulada “Cor”, que integrou a exposição homónima na Casa da Cerca e para a qual participaram 15 ilustradores portugueses, entre os quais, Alex Gozblau, André Carrilho, André Letria e Nuno Saraiva. Cada autor desenvolveu o seu projeto sob a premissa de uma cor eleita para o efeito.

Edição do livro-objeto "ATA", em 2010, motivada pela exposição «...AND THEN AGAIN...» realizada no Pavilhão Preto do Museu da Cidade, com o apoio do Royal College of Art reunindo 31 artistas portugueses e britânicos.

A milésima serigrafia do CPS em 2011, intitulada “Cerimónia Lunar” e realizada sobre tela, cujo artista eleito foi o consagrado surrealista português Cruzeiro Seixas, um dos artistas mais editados pelo Centro e um dos mais aclamados pelos Sócios.

“Mulher Caracol”, a edição de luxo realizada em 2013, em parceria com a Vista Alegre, da autoria de Querubim Lapa, composta por uma serigrafia e uma escultura em cerâmica. A primeira serigrafia de José de Guimarães editada pelo CPS em 2014, intitulada “Tanta foi Tormenta e a Vontade”, sobre papel exclusivo de algodão de 600 gramas com marca de água a laser. A Coleção “12 Serigrafias de Arquitect@s”, comissariada por Manuel Graça Dias, iniciativa da Ordem dos Arquitectos e do CPS, integrada nas comemorações do Dia Mundial da Arquitectura, em 2014. Sob a forma de um luxuoso álbum, reúne obras de Siza Vieira e de Eduardo Souto de Moura, entre outros prestigiados arquitectos, formando um conjunto de valor, abrangente e representativo do panorama da arquitectura portuguesa contemporânea. A serigrafia do mundialmente aclamado Vhils, em 2015, no contexto de uma das exposições que assinalaram os 30 anos do CPS, intitulada “1/81” e para a qual foram também editados os artistas Paulo Arraiano, Ricardo Passaporte, Miguel Januário (maismenos), Pedro Matos, Sandro Resende, Susana Anágua e Ana João Romana. Em 2015 e também no âmbito da celebração dos 30 anos do CPS, a edição da primeira serigrafia de Júlio Pomar no CPS, intitulada “Um ar que lhe deu”. Seguiu-se em 2016 uma nova edição que incluiu as técnicas de serigrafia, gravura, digital print e colagem, e que veio a confirmar-se ter sido a última edição de Júlio Pomar realizada pelo CPS. Também em 2016, o álbum de arte “Whiiims” composto por 16 serigrafias de Rico Sequeira, uma abordagem contemporânea às célebres gravuras Los Caprichos de Goya, cujo título - uma onomatopeia que remete para a tradução de caprichos (em inglês, whims) - acentua a influência e gosto pela banda desenhada no percurso do artista. No contexto da celebração dos 20 anos da EGEAC, a coleção “Ler e Ver Lisboa” editada em 2017, reuniu obras de 16 ilustradores portugueses inspiradas em vários locais da cidade. Uma coleção em parceria com a EGEAC e com a Associação Cultural Prado. As edições de serigrafia, gravura e fotografia de João Francisco Vilhena, em 2018, que assinalaram os 20 anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago. Edição dos albuns "O mais Secreto Gesto" e "Diário Não Diário" de Cruzeiro Seixas, em 2019. Edição da Serigrafia "A Arte Liga-nos", em 2020, sendo a primeira serigrafia produzida no Atelier CPS no pós-confinamento, para doação a 19 Hospitais e outras entidades envolvidas no combate à COVID-19, tendo sido os restantantes exemplares destinados a angariar fundos para o Banco Alimentar e para a Cerci Oeiras. Esta incluiu a participação de Cristina Ataíde, Gracinda Candeias, José de Guimarães, Leonel Moura, Marçal, Pedro Calapez, Rico Sequeira, Silva Palmeira e Sofia Areal. Edição dos primeiros dois NFTs pelo CPS, "Machine Beauty I" e "Machine Beauty II" com base num algoritmo de inteligência artificial de Leonel Moura, em 2021. O album de arte "inlcuir", me 2021, composto por 10 estampas digitais de 10 artistas outsiders da Casa de Saúde do Telhal em parceria com a mesma e com o projeto Carpe Diem Arte e Pesquisa.