O SMS Fürst Bismarck foi um cruzador blindado operado pela Marinha Imperial Alemã no início do século XX. Sua construção começou em abril de 1896 no Estaleiro Imperial de Kiel e foi lançado ao mar em setembro do ano seguinte, sendo comissionado em abril de 1900. Projetado para serviço no império colonial alemão, era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 240 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de onze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezoito nós.

A finalização do Fürst Bismarck foi apressada no início de 1900 por causa do início do Levante dos Boxers na China, com o navio chegando no local mais tarde no mesmo ano e tornando-se a capitânia da Esquadra da Ásia Oriental. Sua principal contribuição foi participar do bloqueio do rio Yangtzé. Depois disso permaneceu na região como capitânia e suas principal atividades no período consistiram em patrulhas de rotina, exercícios de treinamento e visitas para portos estrangeiros. Durante a Guerra Russo-Japonesa, o cruzador internou alguns navios russos danificados em Tsingtao.

A condição material do Fürst Bismarck tinha se deteriorado bastante até o início de 1909 e assim ele foi chamado de volta para casa. Ele ficou sob reparos e modernização no Estaleiro Imperial de Kiel entre 1910 e 1914. A Primeira Guerra Mundial começou ao final deste período e o cruzador foi trazido de volta ao serviço como um navio-escola, pois não era mais considerado adequado para operações combate. Foi desarmado entre 1915 e 1916 e continuou servindo na função de treinamento até o final da guerra em 1918. Foi descartado em junho de 1919 e desmontado no ano seguinte.

Antecedentes A Marinha Imperial Alemã foi contra a construção de cruzadores blindados desde a década de 1870 até o início da década de 1880. Entretanto, as opiniões dos oficiais mais bem graduados da frota começaram a mudar com a ascensão do general de infantaria Leo von Caprivi para a posição de Chefe do Almirantado Imperial em meados da década de 1880. Caprivi, pouco depois de sua nomeação ao cargo, estabeleceu uma comissão para examinar a questão do futuro da construção naval. Ele pediu, como parte do processo, vários projetos experimentais para Alfred Dietrich, o principal construtor da Marinha Imperial, a fim de comparar os custos estimados das várias propostas. Dietrich, entre as várias propostas para couraçados e navios de defesa de costa, preparou dois projetos para cruzadores blindados com deslocamentos de e toneladas, respectivamente. Tinham uma bateria principal de oito canhões de 240 milímetros e uma proteção de blindagem idêntica, com as principais diferenças sendo o tamanho maior e maior potência dos motores do segundo, o que lhe dava uma velocidade máxima de meio nó a mais.

Eventos políticos logo passaram por cima do programa de Caprivi, pois os imperadores Guilherme I e Frederico III morreram em rápida sucessão em 1888, levando ao trono o imperador Guilherme II no chamado Ano dos Três Imperadores. Este rapidamente dispensou Caprivi e o substituiu com o vice-almirante Alexander von Monts, que optou por construir os quatro couraçados da Classe Brandenburg, pois Guilherme desejava modernizar a Marinha Imperial. Monts acabou morrendo no início de 1889 e o imperador reorganizou o alto comando naval, nomeando o vice-almirante Karl Eduard Heusner como Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, encarregado de supervisionar questões administrativas como a construção de navios. Heusner foi substituído em 1890 pelo vice-almirante Friedrich von Hollmann, que acreditava que a Alemanha não conseguiria competir com a dominância da Marinha Real Britânica. Consequentemente, ele optou por uma estratégia baseada em uma força defensiva concentrada em pequenos navios de defesa de costa e flotilhas de barcos torpedeiros, mais alguns cruzadores para protegerem o império colonial alemão e interesses econômicos alemães no estrangeiro.

Competição de projeto O contra-almirante Hans von Koester, frustrado pela preferência de Hollmann por cruzadores menores e mais baratos, lhe escreveu uma carta em janeiro de 1891 delineando as fraquezas dessas embarcações, destacando os cruzadores protegidos da Classe Irene recém completados, que eram muito lentos para servirem como batedores da frota e com armas muito fracas para participarem de batalhas. Hollmann logo foi convencido, especialmente depois que Guilherme interviu, começando em abril a pedir propostas de estaleiros alemães. As exigências eram dimensões de acordo com as infraestruturas portuárias existentes, velocidade de dezessete nós (31 quilômetros por hora), bateria principal de quatro canhões de 240 milímetros e cinturão de 250 milímetros de espessura. Discussões entre Hollmann e o vice-almirante Max von der Goltz, o chefe do Alto Comando Naval, fizeram com que a velocidade aumentasse para dezenove nós (35 quilômetros por hora) e que um deslocamento entre oito e nove mil toneladas fosse estabelecido.

Cinco estaleiros particulares e os três estaleiros imperiais foram selecionados até agosto para participarem de uma competição de projeto. O imperador também participou semi-secretamente por meio de seu gabinete naval, que enviou propostas em seu nome. Hollmann esperava que o processo andasse rápido para que assim pudesse encomendar três cruzadores blindados para o ano de construção de 1892–1893. Ele ordenou em abril de 1892 que propostas fossem enviadas até 1º de maio, mas esse prazo era irrealista e ele foi forçado a adiar até 1º de outubro. Nove projetos foram enviados e estes foram avaliados entre junho e julho de 1893; o comando naval determinou que nenhum deles era aceitável. Para Hollmann, isso não foi de todo ruim, pois o financiamento do projeto que tinha concebido no início de 1891 tinha sido repetidamente adiado, enquanto em 1893 o Exército Alemão estava no meio de uma grande expansão e assim absorvendo fundos que de outra forma teriam ido para a Marinha Imperial.

Koester, enquanto a competição ainda estava em andamento, emitiu uma ordem em abril de 1893 para que um estudante de arquitetura naval criasse uma proposta de cruzador blindado de aproximadamente 6,5 mil toneladas de deslocamento, que era perto do francês Dupuy de Lôme. Koester queria avaliar se era preferível as propostas maiores de Hollmann ou uma menor semelhante ao navio francês. O estudante Hermann Wellenkamp concluiu que um cruzador limitado a 6,5 mil toneladas exigiria reduções significativas em proteção de blindagem e força estrutural. Consequentemente, o conceito de um navio menor foi completamente abandonado em projetos futuros.

Guilherme realizou várias tentativas de revisar seu projeto depois do fracasso da competição, mas não conseguiu criar um navio funcional. Hollmann previu um cruzador blindado, designado Ersatz Leipzig, no orçamento de 1894–1895 para substituir a antiga corveta SMS Leipzig. As opiniões na Dieta Imperial, que historicamente foram contra gastos navais, nesta altura estavam melhorando. O conselho orçamentário aprovou o pedido para a inclusão de um novo couraçado, que se tornaria o , e também o Ersatz Leipzig, porém o apoio para um cruzador grande e caro tinha ruído quando a proposta chegou na própria Dieta e assim apenas o couraçado foi aprovado. Esta derrota deu a Dietrich e à equipe de projeto mais tempo para trabalharem nos detalhes do projeto. Outra tentativa seria feita para colocar o Ersatz Leipzig no ano de construção de 1895–1896, mas em vez disso os primeiros membros da Classe Victoria Louise de cruzadores protegidos acabaram tendo suas obras iniciadas em 1895.

Desenvolvimento Registros sobre o início do histórico de projeto do Fürst Bismarck são fragmentários; segundo o historiador Dirk Nottelmann, pode-se presumir que os parâmetros básicos da competição de projeto foram usados como ponto de partida em 1894. Complicando as coisas ainda mais, o contra-almirante Alfred von Tirpitz publicou em junho de 1894 o memorando "Documento Oficial Nº IX" que estabelecia sua visão para o desenvolvimento futuro da Marinha Imperial. Este plano incluía previsões para um cruzador blindado que enfatizavam sua função como batedor para a frota de batalha, exigindo desta forma uma velocidade máxima de vinte nós (37 quilômetros por hora) e um grande número de canhões secundários de disparo rápido de 149 milímetros. Estas prioridades contrastavam bastante com as exigências anteriormente estabelecidas por Hollmann.

A proposta de projeto mais antiga sobrevivente foi designada VIIc e de forma geral seguia as exigências de Hollmann, incluindo seu armamento, porém tinha uma velocidade máxima de vinte nós de acordo com o pensamento de Tirpitz. Esta proposta foi completada em 1º de novembro de 1894 e foi aprovada por Guilherme quatro dias depois. A liderança naval, motivada pelo imperador, em seguida avaliou se canhões de 105 milímetros poderiam ser substituídos por um número igual de armas de 149 milímetros. A equipe de projeto concluiu que economias de peso em outros locais seriam necessárias para se manter a velocidade no mesmo casco, com a solução mais simples sendo reduzir o tamanho da bateria principal de 240 para 210 milímetros. Esta proposta foi designada VIII, mas foi logo rejeitada por causa de um aumento de peso ainda muito proibitivo. Mais seis conceitos foram propostos, com canhões de 210 e 240 milímetros e diferentes números de armas secundárias de 149 milímetros. Mais discussões sugeriram a possibilidade de dois canhões de 283 milímetros ou reduções na espessura da blindagem para diminuir o peso. Também foi considerado reduzir o tamanho do navio em mil toneladas e incorporar melhoramentos nos últimos três membros da Classe Victoria Louise, o que os converteria em cruzadores blindados. Nenhuma destas ideias acabou influenciando o projeto final.

Hollmann fez uma reunião em 29 de abril de 1895 com os departamentos relevantes para definir as características finais do novo cruzador. Os representantes estabeleceram os detalhes pelos três dias seguintes, muitos dos quais foram inspirados nos couraçados da Classe Kaiser Friedrich III, incluindo o tipo e arranjo do armamento, composição da superestrutura e configuração do sistema de propulsão. Uma nova proposta, chamada VIId, foi preparada em 24 de maio e aprovada por Guilherme três dias depois. O novo navio seria nomeado Fürst Bismarck e seria mais de um nó mais rápido do que os couraçados por meio de um casco cinco metros mais comprido, um sistema de propulsão com 510 cavalos-vapor a mais e reduções na blindagem. Alguns detalhes permaneceram sem definição, pois VIId omitia um revestimento de cobre no casco; Tirpitz e seus apoiadores eram contra o revestimento pois o consideravam desnecessário em águas domésticas e um peso extra. A facção de Hollmann insistia na instalação porque queriam usar o cruzador no estrangeiro onde limpezas frequentes do casco seriam impossíveis. O imperador acabou intervindo em 10 de junho e mandou que o revestimento fosse instalado.

Essa adição do revestimento necessitou de mais revisões para impedir que o peso aumentasse. O navio foi alargado e a bateria secundária rearranjada a fim de reduzir a blindagem necessária para proteger os canhões. Esta versão, também designada VIII, foi aprovada em 13 de setembro, mas rapidamente ficou claro que o casco não era forte o bastante para os pesos propostos. Consequentemente, para evitar a necessidade de reduzir a espessura da blindagem, o casco foi alongado de 117 para 120 metros entre as perpendiculares para que assim a estrutura reforçada do casco não aumentasse demasiadamente o calado. Dietrich continuou com o detalhamento no início de 1896, apresentando seu projeto finalizado em um memorando de 16 de abril. A Dieta, apesar de grande oposição política, nesta altura tinha aprovado a construção, que já tinha começado em 1º de abril.