Sem RumoHOHLFELDT, Antonio. "Sem rumo: 70 anos depois". http://www.celpcyro.org.br/joomla/index.php?option=com_content&view=article&Itemid=0&id=693 27 de janeiro de 2019.BERND, Zilá. O gaúcho a pé: estudo do romance social de Cyro Martins. Porto Alegre, 1977. Dissertação (Mestrado) – Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1977. é um romanceSOUZA, Lucas Nunes de. "O paratexto na obra Sem Rumo, de Cyro Martins". IN: MOREIRA, Maria Eunice (org.). Papéis nada avulsos. Porto Alegre: EdPUCRS, 2012. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=6QJLMC3p7-0C&pg=PA4&lpg=PA4&dq=pap%C3%A9is+nada+avulsos+maria+eunice+moreira&source=bl&ots=A6tQGj4mNn&sig=ACfU3U2CLV9OuKMXwxQV49BbX737rVZA4A&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwiLkIy75p3gAhWsLLkGHT5sABQ4ChDoATACegQIBhAB#v=onepage&q=pap%C3%A9is%20nada%20avulsos%20maria%20eunice%20moreira&f=false 02 de fevereiro de 2019. de Cyro Martins, de 1937 - inicialmente difundido como novela na concepção do autorCORTESÃO, Jaime. "O território da Colônia, berço do Uruguai e do Rio Grande do Sul". In: Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid. Tomo II. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006 - que integra a chamada trilogia do gaúcho a péMACHADO, Juremir. "Nós, os gaúchos a pé". Homenagem aos 80 anos de Sem Rumo. 27 de janeiro de 2019.RIZZATO, Elizabeth Pires. O gaúcho a pé - um processo de desmitificação. Porto Alegre, Movimento/FISC, 1985. - tipo social marginalizado, depauperado, que é representado na obra e, ao lado de Porteira Fechada e Estrada NovaKETZER, Solange Medina. A narrativa mítica de Cyro Martins: uma história em trilogia. 1991, 174 p. Dissertação (Mestrado em Letras). Pontifícia Universidade Católica. PUCRS, 1991. forma um conjunto de romances que traça um painel progressivo sobre a vida campeira no pampa gaúcho, "No prefácio de Sem rumo, reeditado em 1977, Cyro Martins faz uma breve retrospectiva do caminho editorial da obra (...), que diz respeito aos tipos sociais da campanha gaúcha (...), o personagem marginalizado pela urbanização e mecanização dos campos". RANGEL, Carlos Roberto da Rosa, et al. "A campanha gaúcha na obra de Cyro Martins". Revista Mosaico, v.3, n.2, p.199-208, 2010. 27 de janeiro de 2019. Goiânia/GO: 2010.

Contexto histórico e composição da obra "Sem rumo é apresentado em vinte e sete capítulos de curta duração (...). O desfecho da narrativa acontece de forma dramática (...). Chiru se vê mergulhado na inércia da falta de perspectiva, oprimido pela corrupção política, sem dignidade e sem rumo." PIRES, Elize Huegel. A trilogia do gaúcho a pé, de Cyro Martins, na contemporaneidade : uma obra além do seu tempo. 2011, 100p. Dissertação (Mestrado em Letras). Faculdade de Letras. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. PUCRS. Porto Alegre, 2011. Disponível em http://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/4048?locale=es 02 de fevereiro de 2019. O conjunto formado pela trilogia do gaúcho a pé vai da supremacia do Partido Republicano Rio-grandense (PRR), passa pela paulatina perda do poder político das oligarquias e delineia uma nova perspectiva política, o que as torna histórias altamente imbricadas entre si: "É na triste história de Chiru, em Sem Rumo, de João Guedes, em Porteira Fechada, de Jagunta, em Estrada Nova,que Martins manifesta suas convicções políticas defendendo seus conterrâneos da campanha e alertando que estes pobres diabos estão sem futuro (...)". WENDT, Wanessa Tag. "O pensamento político de Cyro Martins nas páginas da trilogia do gaúcho a pé (1937-1954): uma breve análise da obra Porteira Fechada." IN: XI Encontro Estadual de História, 2012. Anais. Rio Grande/RS: FURG, 2012. 27 de janeiro de 2019. "Sem Rumo e Porteira Fechada (...) mostram as personagens principais provindas das classes subalternas totalmente despolitizadas, sem nenhuma consciência de classe."BERND, Zilah. "Síntese da dissertação o gaúcho a pé: romance social do autor gaúcho Cyro Martins" Porto Alegre: Organon, v. 15, n.15. Porto Alegre, 1986. 27 de janeiro de 2019 "Cyro Martins acentua a realidade de um gaúcho que perdeu não apenas o cavalo, mas também a terra, a dignidade, o caráter". ALVES, Marcio Miranda. "A literarização da paisagem do pampa: três momentos decisivos." Scripta Uniandrade, v. 15, n. 3 (2017). Disponível em https://www.uniandrade.br/revistauniandrade/index.php/ScriptaUniandrade/article/viewFile/767/666 13 de fevereiro de 2019.

A obra foi publicada em 1937, inserindo-se numa tradição literária que caracteriza o Neorrealismo,BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira.  32.ed.   São Paulo : Cultrix, 1994. - característico da Segunda Fase do Modernismo no Brasil - em que se manifestam duas vertentes distintas, sobressaindo-se uma linhagem regionalista, "cujos autores estariam comprometidos com o social e as forças de esquerda" - na prosa modernista de 30, voltada para a denúncia das condições socioeconômicas adversas do trabalhador, particularmente, das áreas rurais:EXTRA CLASSE Jornal. "A volta do Gaúcho a Pé". Disponível em https://www.extraclasse.org.br/edicoes/2008/09/a-volta-do-gaucho-a-pe/ 13 de fevereiro de 2019. "(...) quase todas as figuras representativas das diversas camadas da população da campanha rio-grandense das cidades estão, aí, em desfile, com o seu pitoresco, com as suas altaneiras, com seus trapos, com suas humilhações (...)".HOWES, Guilherme. "O gaúcho a pé". Antropologia da Boca do Monte. Universidade Federal de Santa Maria. Disponível em http://antropologiaufsm.blogspot.com/2009/08/o-gaucho-pe.html 13 de fevereiro de 2019. Nesses romances, que, em conjunto, formam a trilogia do gaúcho a pé, altamente entrelaçados entre si, porque narram um continuum, tem-se "os desvalidos do pampa: pequenos arrendatários, agregados, peões, carreteiros, personagens que perderam o pouco que possuíam e que vagam sem destino (sem rumo) pela campanha" . Sem rumo é, assim, parte de um movimento que se opõe à idealização da figura do gaúcho - "monarca das coxilhas" ou "centauro dos pampas" - traçada pelo modelo alencariano em O Gaúcho - autor que nunca esteve no Rio Grande do Sul - e que encontrara adeptos em autores sul-riograndenses como Apolinário Porto Alegre e Oliveira Bello, chegando ao ápice em Contos Gauchescos, de João Simões Lopes Neto. Os romancistas de 30, como Cyro Martins, Aureliano de Figueiredo Pinto, Pedro Wayne, em sintonia com o seu tempo e com os artistas do centro do país, como Graciliano Ramos, Raquel de Queirós, José Lins do Rego, trazem à cena a miserabilidade, as condições subumanas de trabalho e sobrevivência do homem comum, do trabalhador campeiro, desfazendo, no caso do Rio Grande do Sul, a aura mítica que se atribuíra ao habitante do pampa: "o romance Sem rumo traz em sua essência a representação da corrupção eleitoral que se estendeu pelos processos políticos no Rio Grande do Sul, da República Velha à República Nova".CARDOSO, Caroline dos Santos. Literatura e História na trilogia de Cyro Martins: a representação dos gaúchos e das prendas a pé. 2009, 46p. Monografia. Curso de Letras. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 2009. Disponível em http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/graduacao/article/view/6010 13 de fevereiro de 2019. Dessa forma, faz-se possível, segundo a crítica, afirmar que ocorre uma releitura do gauchismo e a superação de alguns modelos tradicionalmente arraigados que tratavam da produção agropecuária, por exemplo. Neste sentido, personagens como Chiru dialogam também com uma linhagem de personagens que, ao leitor menos atento, não chama atenção na trilogia de O tempo e o vento, trata-se da família Caré, incluindo Chiru Caré: "São sujeitos livres, mas 'sem eira nem beira', desvalidos, que vivem, inicialmente, errantes, e que, posteriormente, passam a viver nas franjas da propriedade dos Terra Cambará, dependentes da solidariedade dos poderosos".

Por outro lado, é factível avaliar que a música tradicional gaúcha tenha buscado na obra fonte para composição, observando-se identificação em trechos de canções como "Poncho molhado", gravada pelo grupo Os Serranos, "Tropa de Osso", de Luis Carlos Borges, "Desgarrados", de Mário Barbará, ou na temática dos payadores como Jayme Caetano Braun, ainda que o MTG, Movimento Tradicionalista Gaúcho tenha as suas ressalvas com relação às obras de autores como Cyro Martins "que questionou as estruturas tradicionais da sociedade sul-rio-grandense e mostrou e mostrou um gaúcho sem lances de heroísmo". ARENDT, João Cláudio. "Notas sobre regionalismo e literatura regional". Revista Todas as Letras. Disponível em http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/tl/article/viewFile/7121/5420 31 de janeiro de 2019. A literatura posterior ao ciclo de 1930 também apresenta traços em que se evidencia a influência de obras, como Sem Rumo, fixando-se um paradigma literário em que o gaúcho "despe-se" das suas qualidades míticas, como é o caso de Os Guaxos e Rodeio dos Ventos , de Barbosa Lessa ou Assim na terra, de Luiz Sergio Metz, , ficando claro que a literatura erudita sul-riograndense foi forjada sob modelos como aquele instaurado por Sem Rumo, nos anos 1930, e que têm se replicado ao longo dos anos para abordar as dificuldades do homem rural, desprovido de rendas e de ganhos de capital. Chiru é a personificação dos favelados e dos sem terra deste final de século.BERNARDI, Francisco. As bases da literatura rio-grandense. História, autores e textos. 3.ed. Porto Alegre: AGE, 1999. on line

Enredo

A personagem principal de Sem Rumo: SOARES, Alexandra Munareto. Literatura e História: Narrativas de opressão e silêncio em Cyro Martins. 2009, 125p. Dissertação (Mestrado em Letras). Programa de Pós-graduação em Letras. Universidade de Santa Cruz, 2009. Disponível em https://repositorio.unisc.br/jspui/handle/11624/342 02 de fevereiro de 2019. "No centro de Sem rumo, encontra-se Chiru apresentado em cena do Capítulo I"GURGEL, Rodrigo. “Só bons retalhos”. Rascunho. acessado em 13 de fevereiro de 2019.- romance dividido em 27 capítulos - é Chiru (falta-lhe o prenome que lhe daria identidade): "Chiru retrata a decadência do homem do pampa, que devido fatores econômico e social deixa o campo para tentar a vida na cidade" GARCIA, Carlos. "Cinco representações do gaúcho na literatura". Porto Alegre: Revista Culturíssima on line, 2015. Disponível em http://culturissima.com.br/colunistas/cinco-representacoes-do-gaucho-na-literatura/ 13 de fevereiro de 2019. A pesquisadora Solange Medina Ketzer destaca que “chiru” significa “meu companheiro” em língua tupi, com isso, segundo a professora, a forma como se denomina a personagem reforça a ideia que ele é propriedade de outro ou não é dono de si. Além disso, a sua falta de identidade é reduplicada em denominações como “guri”, “piá” ou “piazinho”.