O SMS Seydlitz foi um cruzador de batalha operado pela Marinha Imperial Alemã. Sua construção começou no início de fevereiro de 1911 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo e foi lançado ao mar em março de 1912, sendo comissionado na frota alemã em maio do ano seguinte. Seu projeto foi baseado na predecessora Classe Moltke e era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 283 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de mais de 28 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 26 nós.

O Seydlitz teve uma curta carreira em tempos de paz que envolveu a participação em exercícios de rotina. A Primeira Guerra Mundial começou em meados de 1914 e o navio se envolveu da maioria das ações navais alemãs durante o conflito. Teve uma participação limitada na Batalha da Angra da Heligolândia em 1914, mas no ano seguinte participou ativamente da Batalha de Dogger Bank contra a força de cruzadores de batalha britânicos. Além disso, também se envolveu em algumas operações de bombardeio contra cidades litorâneas britânicas e da Batalha do Golfo de Riga.

O navio participou em meados de 1916 da Batalha da Jutlândia, em que ajudou a afundar o cruzador de batalha britânico . Entretanto, foi seriamente danificado por vários projéteis inimigos e também um torpedo, o que quase o impediu de voltar para casa. O Seydlitz passou meses em reformas até finalmente voltar ao serviço, mas pouco fez depois disso até o fim da guerra em 1918. A Alemanha foi derrotada e a embarcação internada na base britânica de Scapa Flow. Foi deliberadamente afundado por sua tripulação em junho de 1919, mas reflutuado em 1928 e desmontado.

Desenvolvimento Discussões entre a liderança da Marinha Imperial Alemã começaram no início de 1909 sobre o próximo cruzador de batalha que seria construído, o sucessor dos dois membros da Classe Moltke então ainda em construção. Filosofias de projeto claras tinham surgido nessa época nas duas marinhas que estavam construindo cruzadores de batalha: a Marinha Real Britânica preferia navios bem armados e com pouca blindagem, enquanto a Marinha Imperial preferia navios com bastante blindagem mas com um armamento um tanto mais fraco. O capitão de corveta Waldemar Vollerthun, então o chefe do Departamento Geral, escreveu um memorando em março que explicava sucintamente a diferença como "a posição dos 'couraçados-cruzadores ingleses' contra nosso 'cruzadores-couraçados'". Vollerthun argumentou que as duas embarcações da Classe Moltke precisariam completar seus testes marítimos antes que os trabalhos de projeto começassem no novo navio, provisoriamente chamado de "J". Além disso, ele afirmou que desenvolvimentos no projeto de couraçados dreadnought indicavam que o tamanho dos canhões principais deveria ser aumentado de 283 para 305 milímetros, porém reconheceu que a primeira ainda era suficiente contra navios capitais de outras marinhas. Vollerthun também recomendou abaixar o convés blindado a fim de economizar peso.

O Departamento de Construção emitiu seu próprio memorando no mesmo dia que o de Vollerthun. Eles discordavam sobre abaixar o convés blindado, mas sugeriram a adoção de torres de artilharia triplas em vez das duplas usadas nos navios anteriores. O Departamento de Armamentos rejeitou esta proposta. Uma conferência inicial ocorreu em 4 de abril para discutir os parâmetros da nova embarcação. A Seção de Orçamento informou os participantes que nenhum aumento de custo sobre a Classe Moltke seria permitida. Nenhum trabalho ocorreu no projeto até 13 de agosto, quando o Departamento de Construção lembrou os outros departamentos que prazos estavam se aproximando caso a Marinha Imperial quisesse que os trabalhos começassem em 1910. Os departamentos foram informados em 28 de agosto que 750 mil marcos seriam disponibilizados por meio de uma campanha pública de arrecadação de fundos; este dinheiro poderia ser usado para melhoramentos em relação à Classe Moltke. O almirante Alfred von Tirpitz, o chefe do Escritório Naval Imperial, pediu que um projeto preliminar ficasse pronto até 27 de setembro para que assim fosse apresentado ao imperador Guilherme II. Tirpitz estabeleceu que o armamento deveria ser os mesmos dez canhões de 283 milímetros da Classe Moltke e que o deslocamento e comprimento deveriam ser apenas moderadamente maiores.

O engenheiro naval Hans Bürkner apresentou suas propostas em 23 de setembro. A primeira, "I", era uma melhora sobre a Classe Moltke, com maior blindagem e um casco ligeiramente mais comprido a fim de compensar um deslocamento setecentas toneladas maior e ainda assim manter a mesma velocidade máxima. O segundo, "II", tinha a mesma blindagem de "I", mas com o convés blindado abaixado para manter o deslocamento dentro dos limites, porém ainda assim era mil toneladas a mais do que a Classe Moltke. Uma terceira opção, "III", tinha o mesmo arranjo de quatro torres de artilharia do , mas com canhões de 305 milímetros; três subvariantes foram incluídas com diferentes arranjos das blindagens. O Departamento de Construção entregou as propostas para Tirpitz dois dias depois, com este adiando a decisão final por ainda não saber se preferiria encomendar um terceiro membro para a Classe Moltke, que poderia ser construído mais rápido do que o novo projeto. Enquanto isso, o Departamento de Construção produziu em 8 de outubro um projeto revisado, "IIb", que tinha um ligeiro aumento de deslocamento por causa de uma melhor subdivisão interna das salas de máquinas.

Tirpitz, durante uma conferência com Guilherme, concordou que "IIb" deveria ser a escolhida, mas ofereceu um aumento de deslocamento de 24 para 24,7 mil toneladas para mais melhoramentos, principalmente maior blindagem nas salas de máquinas. Mesmo assim, os Departamentos Geral e de Construção apresentaram um quarto projeto, "IVe", que revisava significativamente o arranjo da bateria principal: uma das torres de artilharia laterais foi colocada sobreposta à primeira torre, enquanto a outra torre lateral foi movida para a linha central. Este arranjo proporcionava maior poder de fogo à vante e mantinha o mesmo disparo lateral. Bürkner escreveu um memorando em 13 de dezembro comparando "IIc" com "IVe", considerando que, além das melhoras de poder ofensivo, o segundo também era estruturalmente superior. O Departamento Geral emitiu sua própria avaliação sete dias depois, concluindo que "IVe" era preferível, mesmo com uma subdivisão interna um pouco pior. Tirpitz convocou uma reunião em 21 de dezembro. A necessidade de avançar rapidamente com o objetivo de aproveitar uma posição de negociação favorável com Blohm & Voss fez os presentes escolherem "IIc". Uma versão ligeiramente aprimorada, "IIe", foi escolhida em 7 de janeiro de 1910, tendo um castelo de proa elevado e alguns pequenos aumentos na blindagem. Guilherme aprovou a proposta em 27 de janeiro.

Projeto Características thumb|300px|Desenho do Seydlitz em 1916 O Seydlitz tinha duzentos metros de comprimento da linha de flutuação e 200,6 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 28,5 metros, mas esta crescia para 28,8 metros com a adição de redes antitorpedo. Tinha um calado de 9,29 metros à vante e 9,09 metros à ré. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Tinha um fundo duplo que cobria 76 por cento do comprimento do casco, que era subdividido em dezessete compartimentos estanques. Toda a estrutura foi construída com aço de baixo carbono Siemens-Martin. Todos os conveses internos eram cobertos de linóleo, enquanto os conveses externos tinha uma camada de madeira de teca.

A embarcação tinha um castelo de proa elevado que se estendia pelo primeiro terço do comprimento, onde descia para o convés superior, que por sua vez cobria o terço central. Mais à ré havia um tombadilho abaixo do nível do convés principal. Sua superestrutura consistia principalmente de uma grande torre de comando à vante, diretamente atrás da primeira torre de artilharia. Havia uma pequena ponte de comando no topo. Uma torre de comando secundária menor ficava mais à ré. O Seydlitz foi equipado com dois mastros de poste que podiam ser usados para sinalizar outros navios ou transmitir sinais com telegrafia sem fio. Os mastros também tinha gáveas para propósitos de observação.

O navio carregava várias embarcações menores, incluindo um barco de piquete, três barcas, duas lanchas, dois yawls e dois botes. O Seydlitz foi descrito como uma embarcação com boa navegabilidade e de movimentos gentis. Ele perdia até sessenta por cento da sua velocidade com o leme totalmente virado e alteava em até nove graus. Quilhas externas foram equipadas com o objetivo de tendência de balançar e desta forma melhorar a estabilidade. Sua tripulação padrão era composta por 43 oficiais e marinheiros, mas quando atuava como capitânia do I Grupo de Reconhecimento havia um acréscimo nesses valores em treze oficiais e 62 marinheiros.

Propulsão O sistema de propulsão tinha quatro turbinas a vapor Parsons de transmissão direta fabricadas de forma licenciada pela Blohm & Voss. Foram arranjadas em dois conjuntos, cada um consistindo em uma turbina de alta pressão externa e uma turbina de baixa pressão interna. Cada turbina girava uma hélice de três lâminas com 3,88 metros de diâmetro e tinha sua própria sala de máquina individual, com as de alta pressão ficando um pouco mais à frente daquelas de baixa pressão. O vapor das turbinas vinha de 27 caldeiras de pequenos tubos Schulz-Thornycroft, cada uma com duas fornalhas. As caldeiras ficavam divididas em cinco salas, com as três mais de ré sendo divididas por uma antepara longitudinal interna. A exaustão era canalizada para duas chaminés bem espaçadas. A energia elétrica vinha de seis turbogeradores que produziam 1,8 mil quilowatts a 220 volts.

A potência indicada era de 63 mil cavalos-vapor (46,3 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 26,5 nós (49,1 quilômetros por hora). O sistema foi forçado nos testes marítimos e o navio alcançou uma velocidade máxima de 28,1 nós (52 quilômetros por hora) a partir de uma potência de cavalos-vapor ( quilowatts). O Seydlitz podia carregar até 3,6 mil toneladas de carvão. Queima suplementar de óleo combustível foi adicionada em 1916 para melhorar a taxa de queima do carvão. Totalmente abastecido, o navio tinha uma autonomia de 4,2 mil milhas náuticas (7,8 mil quilômetros) a uma velocidade de cruzeiro de catorze nós (26 quilômetros por hora). À 26,75 nós (49,54 quilômetros por hora), a autonomia caía para milhas náuticas ( quilômetros). A embarcação sofria de algumas vibrações ao navegar a 21 nós (39 quilômetros por hora) e enquanto navegava de ré, mas isto não era significativo o bastante para atrapalhar seu armamento. A direção era controlada por dois lemes instalados na linha central.

Armamento thumb|esquerda|240px|Uma torre de artilharia principal do Seydliz com um canhão secundário em uma casamata abaixo