miniaturadaimagem|314x314px|Um fonoaudiólogo conduzindo um teste auditivo em uma cabine acústica Um teste auditivo fornece informações sobre a integridade e a funcionalidade do sistema auditivo periférico e/ou central. Os testes auditivos são realizados mais frequentemente por um fonoaudiólogo audiologista e podem ser tanto procedimentos comportamentais como eletroacústicos e eletrofisiológicos. Para realizar uma avaliação auditiva, são utilizados desde instrumentos mais simples, como o diapasão, que é usado no teste de Weber e no teste de Rinne, até instrumentos mais avançados, como o audiômetro, o imitanciômetro, o equipamento de emissões otoacústicas e o equipamento para a obtenção do potencial evocado auditivo.
A avaliação audiológica tem como objetivo principal identificar se existe perda auditiva e, caso exista, auxiliar no encontro da causa do problema de audição, definir o grau e a configuração da perda e ajudar a determinar as necessidades de habilitação e reabilitação auditiva.
Assim como qualquer outro teste ou exame, é recomendado ao paciente uma preparação antes da realização do procedimento, isto para obter uma boa precisão no resultado do teste. Embora muitos dos testes audiológicos não tenham uma preparação específica, recomenda-se apenas que, na noite anterior ao procedimento, seja importante ter uma boa noite de sono. Já na audiometria, existe uma recomendação importante a cumprir, qual seja, repouso acústico de, no mínimo, 14 horas anteriores ao teste, ou seja, evitar exposição a sons altos durante esse período, isto quando realizado em adultos. Na preparação com bebês e crianças maiores, recomenda-se apenas que estejam dormindo durante o procedimento, essencialmente quando realizado o exame de Emissão Otoacústicas ou PEATE, para evitar o estresse durante o procedimento.
Avaliação audiológica básica
Anamnese A anamnese é um levantamento do histórico do paciente que tem como objetivo investigar a queixa audiológica, o impacto dela na vida do indivíduo, o histórico da saúde geral e auditiva, assim como os tratamentos realizados. Ademais, a anamnese tem um papel muito importante de verificar possíveis fatores emocionais, estresse e algumas medicações, por exemplo, porque podem comprometer a atenção do paciente durante a avaliação auditiva e distanciar os resultados da realidade.
As razões mais comuns para o desenvolvimento de perdas auditivas podem estar relacionadas a alterações genéticas, envelhecimento, exposição a ruído ocupacional ou no lazer, infecções de orelha, complicações no parto, trauma acústico ou mecânico e certos medicamentos que são tóxicos ao sistema auditivo.
Meatoscopia miniaturadaimagem|178x178px|Realização de Meatoscopia O primeiro procedimento que deve ser realizado é a meatoscopia. Nesse exame, o profissional utiliza um otoscópio para avaliar as condições do meato acústico externo, a integridade do tímpano e a presença de infecção na orelha (externa ou média). Essa avaliação é fundamental, visto que, se houver cera ou algum corpo estranho causando obstrução no meato, a avalição audiológica não pode ter continuidade, pois os resultados de outros exames auditivos serão comprometidos. Sendo assim, caso seja encontrada alguma anormalidade na meatoscopia, o paciente deve ser encaminhado para um médico otorrinolaringologista. miniaturadaimagem|Imagem de um exemplo de um audiograma
Audiometria tonal liminar teste auditivo padrão e mais comum é a audiometria tonal liminar, que faz parte da avaliação audiológica básica brasileira. Esse teste determina os limiares auditivos por via aérea e condução óssea (caso houver alguma alteração na via aérea) para cada orelha em um conjunto de 8 frequências padrão (de 250Hz a 8000Hz) e compara os valores obtidos com os padrões de normalidade. O teste é realizado em uma cabine acústica, usando um par de fones de ouvido conectados a um audiômetro externo. O paciente, ao escutar o som (podendo ser um tom puro ou tom modulado), deve levantar a mão correspondente ao lado em que ouviu o estímulo. O resultado do teste é um audiograma que representa os limiares auditivos de uma pessoa nas frequências testadas, isto é, a menor intensidade em que o paciente responde a 50% dos estímulos em cada frequência testada. Existe também a audiometria de alta frequência (determina os limiares auditivos em frequências de 9000Hz até 20000Hz), que avalia frequências não testadas na audiometria tonal liminar básica, o que pode ser empregado em circunstâncias especiais.Tratado de audiologia/organização Edilene Marchini Boéchat, et al. – 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
A realização da audiometria, por via aérea e por via óssea, identifica se há perda auditiva, em qual orelha, qual o tipo de perda (perda condutiva, perda neurossensorial ou perda mista), o grau dessa perda (perda de grau leve, moderado, moderadamente severo, severo ou profunda) e a configuração da perda (ascendente, horizontal, descendente leve, descendente acentuada, descendente em rampa, em U, em U invertido ou em entalhe). Logoaudiometria A logoaudiometria, ou avaliação da percepção de fala, é um teste que investiga as habilidades do indivíduo para detectar e reconhecer a fala, avaliando qualitativamente a audição. Por meio da logoaudiometria, é possível obter o Limiar de Detecção de Voz (LDV), o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) e o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF). O teste é realizado através de um audiômetro que tenha o circuito apropriado, com controlador de unidades de volume (VU meter), entrada para fonte de áudio externa, para uso de material gravado, e microfone para testes a viva voz. Dessa forma, na logoaudiometria são realizados os três seguintes exames:
Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) miniaturadaimagem|Lista de Palavras Trissílabas utilizada para a pesquisa do Limiar de Reconhecimento de Fala O limiar de reconhecimento de fala é a menor intensidade em que um indivíduo é capaz de reconhecer 50% dos estímulos de fala. Normalmente, a pesquisa do LRF é realizada em seguida à pesquisa dos limiares audiométricos por via aérea e tem como uma das finalidades confirmar os resultados audiométricos obtidos. Se o LRF for igual ou até 10dB maior que a média tritonal, o resultado é confirmado.
Limiar de Detecção de Voz (LDV) O limiar de detecção da voz é a intensidade mínima em que o indivíduo consegue detectar a presença de fala em 50% dos estímulos apresentados. Nesse teste, o paciente não precisa identificar o que está sendo falado, apenas sinalizar a presença da fala, e sua pesquisa é feita quando não é possível realizar o LRF com o paciente.
Índice de Reconhecimento de Fala (IRF) miniaturadaimagem|Uma das possíveis listas de palavras utilizadas na pesquisa do Índice de Reconhecimento de Fala O índice percentual de reconhecimento de fala (IPRF/IRF) indica a porcentagem de acertos de um conjunto de estímulos de fala específicos, ao reconhecer unidades mínimas de fala (monossílabos) em uma intensidade (40dB acima da média audiométrica tritonal por via aérea) que permita o melhor desempenho possível pelo indivíduo.
Imitanciometria
alt=A imagem mostra uma mulher sentada em uma cadeira com uma sonda de imitanciometria em uma das orelhas e em uma mesa, ao lado da paciente, há o imitanciômetro no qual a sonda está conectada|miniaturadaimagem|Exame de imitanciometria sendo realizado em paciente A imitanciometria é um procedimento comumente realizado na prática clínica, sendo composta pela timpanometria e pela pesquisa do reflexo acústico. Esse exame fornece informações sobre a funcionalidade da orelha média e sobre a integridade da via auditiva. A timpanometria é a medida da variação da imitância acústica do sistema auditivo em função da variação de pressão introduzida no meato acústico externo por meio de uma sonda. Ao final dessa parte do exame, é possível traçar curvas que indicam como está a mobilidade da orelha média.
Após a timpanometria, é realizada a pesquisa do reflexo acústico, que é a contração reflexa do músculo estapédio da orelha média com a finalidade de atenuar um som intenso e, assim, proteger o sistema auditivo. Esse teste também fornece informações sobre a integridade dos nervos vestibulococlear e facial.
Avaliação audiológica complementar
Emissões otoacústicas As emissões otoacústicas têm como objetivo avaliar o funcionamento das células ciliadas externas presentes na cóclea. É um teste eletrofisiológico que permite a verificação da função coclear básica em populações difíceis de serem avaliadas, o diagnóstico diferencial entre patologias sensoriais e neurais, o monitoramento da saúde coclear diante de diferentes agentes de risco para perda auditiva (por exemplo, a exposição ao ruído) e a triagem auditiva neonatal universal (mais conhecida como teste da orelhinha). As emissões otoacústicas evocadas, em conjunto com os demais testes audiológicos básicos, podem ser um exame essencial para fechamento de um diagnóstico, possibilitando a interpretação dos graus de perda envolvidos. miniaturadaimagem|125x125px|Realização de emissões otoacústicas transientes
Emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente (EOET) É um procedimento importante para analisar a integridade coclear, sendo um teste bastante objetivo e não invasivo, o qual não quantifica especificamente a perda, mas dá informações sobre a funcionalidade das células ciliadas externas. Por esse exame detectar mínimas alterações (dentro das faixas de frequência de 500, 1000, 2000 e 4000Hz), foi implantada a realização das EOET na maternidade, sendo conhecida como Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU). O objetivo é identificar alterações nas células ciliadas externas precocemente e deve ser realizado no nascimento até os três meses de idade, no máximo.
Ao realizar esse teste, deve-se estar atento ao ruído ao ambiental, pois o ideal é que o exame seja realizado em um espaço silencioso para que não haja interferência do som no resultado da avaliação. Além disso, deve-se ter cuidado no posicionamento da sonda no conduto auditivo externo, para que não seja tampada por alguma parede do conduto, o que irá interferir na obtenção dos resultados. As EOET são as respostas a um estímulo sonoro muito breve, chamado de "clique", que estimula a membrana basilar, porém desprovido de seletividade de frequência, ocorrendo predominantemente entre 500 e 4000 Hz.
Emissões otoacústicas evocadas por estímulo produto de distorção (EOEPD) Esse é um procedimento importante para a detecção de perda auditiva precocemente, que, diferente das EOET, analisa bandas de frequências maiores, sendo utilizado com a finalidade de detectar alterações no funcionamento das células ciliadas externas, podendo auxiliar em relação a pacientes expostos a substâncias ototóxicas. As EOEPD são evocadas pela interação de dois tons puros de diferentes frequências (f1 e f2). Um tom terciário de diferente frequência é emitido de volta para o conduto auditivo externo. São importantes, uma vez que analisam frequências sonoras em faixa que varia de 500 Hz à 8000Hz.
Potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) alt=Na imagem aparece um bebê recém-nascido dormindo usando chupeta com eletrodos na testa e nas orelhas, nas orelhas há também duas caixinhas de fones, uma vermelha para a orelha direta e uma azul para a esquerda|miniaturadaimagem|Realização do PEATE em recém nascido